Filme Americano – Cap 88

Filme Americano – Cap 88

– Você tem mesmo que ir para a aula? – Beca abraçava Nina por baixo do edredom que dividiam a impedindo de sair da cama
– Amor, você sabe que seu pai só deixou eu ficar aqui por que hoje de manhã eu teria que sair cedo. Você ainda está de castigo, esqueceu? – Nina falou enquanto beijava a testa de Beca e s descobria para sair da cama
– Droga. Odeio quando você tem razão. Vou preparar um café pra você
– Não quer dormir um pouco mais? – Nina falou enquanto trocava de roupa
– Ver você tirando a roupa assim está me dando vontade de voltar pra cama, mas não é pra dormir não!
Nina jogou a blusa do pijama em Beca e continuou vestindo o uniforme. A mais nova não se deu ao trabalho de trocar de roupa, já que não sairia de casa pelo resto do dia. Foi até a cozinha e colocou um pouco de água para ferver e começou a arrumar a mesa.
– Olha só…ela até caiu da cama hoje para fazer café para a namorada! Para o pai, nunca fez… – Diogo já estava pronto na porta da cozinha
– Quem diria que o senhor Diogo seria ciumento, não é mesmo? – Beca provocou enquanto colocava três xícaras na mesa
– Não sou ciumenta, apenas estou constatando fatos! – Diogo afastou uma cadeira e pegou um pedaço do pão
– Pai, obrigada por ter deixado a Nina ficar…me fez muito bem! – Beca falou enquanto colocava a garrafa de café na mesa e sentava ao lado do pai
– Você fez por merecer, mas não esquece do combinado de hoje! Estarei de olho nos seus estudos – Diogo falou enquanto se servia do café
– Bom dia, família! – Nina falou chegando e sentando no lugar que a estava esperando
– Bom dia, Nina! Ainda bem que você está aqui, porque só assim eu ganho café fresquinho a essa hora! – Diogo falou rindo e olhando para Beca
– Meu pai acordou carente e ciumento, Ni. Liga não… – Beca respondeu rindo
O café da manhã continuou no melhor clima possível. Diogo e Nina saíram juntos para a escola, mas o professor seguiu em seu carro e Nina foi de bicicleta. Por mais que todo mundo soubesse da relação que eles estavam tendo, não era bom para a imagem deles chegarem juntos logo de manhã. Diogo, mais do que ninguém, fugia de todo tipo de confusão, principalmente aquelas que envolviam sua filha.
Já na sala de aula, Nina não conseguia parar de pensar em um plano para expor Cami e Regina. Por ela, Joguí nem precisava ser colocado no bolo, sabia que elas tinham usado ele a raiva que ele tinha da Beca para ajudar em tudo, mas como sua namorada queria, ele também sofreria algum tipo de consequência. Ela fazia de tudo para continuar prestando atenção no que o professor falava, mas sua cabeça sempre a levava para longe dali. Ela começou a pensar mais nas coisas que aconteceram em sua vida e lembrou do quanto gostava de Cami e do quanto ela era sua amiga. Tentava entender em que ponto da vida ela tinha se tornado essa pessoa amarga e má.
Assim que o intervalo começou, Nina guardou todo seu material, fechou a mochila com cadeado, um novo hábito que ela tinha adquirido, e seguiu junto com seu celular para o pátio. Mal saiu da sala, mandou mensagem para Beca contando como havia sido a manhã e perguntando se ela estava bem. Beca ainda estava sem celular, mas como tinha acesso ao computador, conseguia responder algumas mensagens por ele. Não demorou para que ela lembrasse a Nina do quanto a amava e repetisse que estava completamente entediada de estar sozinha em casa. Nina mandou ela ir estudar e disse que iria conversar com as meninas sobre o time e sobre tudo que haviam descoberto. Elas, com certeza, iriam ajudar.
Assim que Nina chegou perto da quadra, viu suas amigas e companheiras sentadas no canto da arquibancada no lugar de sempre. De longe, viu Juca e Juliana lado a lado e Carla encostada na perna de Juca enquanto conversavam. Mesmo com a cabeça cheia, ela conseguia reparar que estava acontecendo algo entre Juca e Carla. Ela não comentava nada porque era muita coisa para ela lidar naquele momento, além do mais elas pareciam felizes e é só isso que importa.
– Ei, sumida! – Juliana pulou da arquibancada para abraçar Nina
– Estávamos preocupadas com você! Não respondeu nossas mensagens e sumiu! – Juca levantou a mão esperando Nina bater, como sempre faziam
– Como você está, flor? – Carla era tão fofa que dava vontade de apertar e colocar em um potinho
– Parece que faz uma eternidade desde que tudo aconteceu… – Nina sentou ao lado de Carla completando o espaço livre
– Eu liguei pra sua casa ontem! Sua mãe disse que você não estava… – Juliana falou
– Pois é, eu acabei desligando o celular, mas estava na casa da Beca – Nina falou com um riso meio sem graça
– Então quer dizer que vocês já conversaram? – Juca perguntou esperando a confirmação de que estava tudo bem
– E por esse sorriso bobo no seu rosto está tudo resolvido entre vocês, acertei? – Carla falou abraçando a amiga
– Está tudo bem sim! Nós nos vimos sábado e ontem eu dormi na casa dela…conversamos, nos acertamos e agora está tudo mais do que bem! – Nina se derretia sempre que o assunto era Beca
– E como ela está? – Juliana perguntou
– Com sede de vingança
– Por isso que eu amo a Beca – Juca falou abaixando o tom de voz
– Será que vale a pena? – Carla falou
– Bom, vocês ainda não sabem, mas a Regina é amiga da Cami de tempos. Ela enganou todo mundo, até a escola para entrar aqui e fazer tudo que fez. Ainda teve a ajuda de Joguí. Elas fizeram tudo o que fizeram para se vingar de mim ou da Beca, ainda não sabemos detalhes…
– Ou das duas – Juca complementou
– Nem sabia que existia gente capaz disso no mundo – Carla falou enquanto ganhava um cafuné da Juca
As quatro continuaram conversando enquanto pensavam em um plano de vingança. Chegaram a conclusão que o melhor seria expor o plano maquiavélico delas para que tudo fosse por água abaixo. Afinal de contas, quando soubessem que Regina e Cami estavam juntas desde o início, seria como garantir que tudo o que foi falado e mostrado sobre Beca também era parte do plano. Além do mais, Nina sabia que Cami não suportaria ser ridicularizada por todo o colégio.
A conversa entre as quatro amigas durou todo o recreio. Elas combinavam vários planos de vingança enquanto pensavam em uma forma de convencer Diogo a deixar Beca no time. Nina tinha contado a conversa que tivera com o professor na noite anterior e pediu para que as meninas não fizessem o mesmo. Elas queriam intervir para tentar convence-lo, mas Nina achou melhor não o pressionar mais para que o tiro não saísse pela culatra. Assim que o sinal tocou avisando o fim do recreio, elas levantaram juntas e caminharam para a escada principal. Juca passou a mão pelo ombro de Carla para caminharem juntas. Por mais que ninguém tivesse falado nada, estava ficando cada vez mais óbvio que estava rolando algo entre elas. Juliana e Nina se colocaram ao lado delas e caminharam juntas conversando sobre o treino da próxima sexta.
– Como está a cabeça, Nina? Muito pesado carregar os chifres? – a voz de Cami veio acompanhada de risos altos
– Oi, Cami, cadê sua amiga? A Regina? – Nina falou se controlando para não perder a razão
– Deve estar com a sua namorada, ou devo dizer ex namorada? – Cami falou debochando
– A Beca? Acho que a Regina não está com ela não…pelo menos durante toda essa noite que eu estive na cama dela, a Regina nem passou por lá
Nina sabia que Cami morreria de raiva ao saber que o plano todo não tinha dado certo.
– Além de corna, é trouxa? – Joguí estava no meio da roda de pessoas que se formava em volta delas e se meteu no assunto
– Tem certeza que você quer falar sobre ser corno e trouxa, Joguí? – Nina não estava para brincadeiras
A conversa acabou nesse momento. Logo um inspetor chegou dispersando a confusão. Nina ficou parada no mesmo lugar junto com suas amigas enquanto Cami arrastava suas puxa-sacos em direção a escada. Joguí já ia saindo quando passou perto de Nina e então ela falou baixo, para que só ele ouvisse:
– Não basta ter sido corno com a Beca, foi trouxa em cair no plano da Cami e da Regina? Deixa de ser otário!
A raiva cresceu no olhar de Joguí e por um momento Nina teve certeza que ela iria apanhar. Suas amigas se aproximaram dela e, talvez por isso, Joguí tenha desistido de partir para agressão física, além do mais, a frase de Nina bateu como uma pedra em seu estômago. Pela primeira vez ele entendeu quando as pessoas dizem que a verdade dói mais do que se pode imaginar, em alguns casos.

Mari Veiga

Autora, escritora, um pouco louca e uma mente hiperativa que acha que pode mudar o mundo com suas palavras.

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