Filme Americano – Cap 82

Filme Americano – Cap 82

Deixando o quarto escuro e o edredom embolado na cama, Beca correu para o lado de fora da casa. O pequeno quintal que ficava atrás da casa não tinha muita coisa. Apenas algumas flores que seu pai gostava de ir cuidar as vezes, uma pequena parte com gramado e uma cerca, não muito alta, que dava para uma rua de casas do outro lado. Nina havia pulado essa cerca e agora estava no quintal da casa de Beca.
– Você é maluca! – Beca falou, ainda sussurrando assim que avistou a menina em seu quintal. Sem falar nada ou pedir permissão, correu e jogou seu corpo contra o de Nina, que a segurou em um abraço não muito apertado.
Beca tinha muita coisa que queria falar para Nina, mas não houveram palavras suficientes e ela apenas enfiou o nariz no pescoço dela puxando todo o ar que conseguia para sentir o cheiro da pele de Nina misturado com um pouco de suor e com o cheiro que vinha do cabelo dela. Era como um perfume que ela nunca se cansaria de ter. Sentiu os braços de Nina a abraçando, mas ao mesmo tempo não tanto.
– Nós precisamos conversar – Nina falou enquanto ainda estavam abraçadas
– Me deixa ficar aqui só mais um pouco… – Beca pediu com a voz ainda mais baixa não se movendo
– Ei, Be, vamos conversar – Nina afastou Beca de seu abraço
As lágrimas se formaram imediatamente no olhar de Beca. Era difícil se sentir rejeitada pela pessoa que ela mais amava naquele momento. Tudo que ela queria era ouvir que estava tudo bem, beijar os lábios de Nina e sentir que tudo se resolveria contanto que elas estivessem juntas. Mas, pelo visto, Nina não estava tão disposta a deixar tudo pra trás, ela ainda não tinha perdoado Beca, o que era perfeitamente aceitável.
– Você veio aqui para terminar tudo comigo? – Beca falou não deixando a lágrima cair
– Se fosse para terminar simplesmente eu teria respondido as suas milhões de mensagens no facebook, Be – o tom quase irônico de Nina deixava Beca ainda mais nervosa
– Então o que você quer? – Beca perguntou transparecendo um misto de nervosismo com tranquilidade que só Nina seria capaz de reconhecer
– Senta aqui comigo – Nina esticou uma canga que trazia na mochila no gramado do quinta e sentou esperando Beca fazer o mesmo
Beca percebeu que as coisas aconteceriam no tempo de Nina e ela não poderia acelerar isso. Achou melhor aproveitar o momento que tinha ao seu lado e pelo que a própria Nina havia dito, ela não pretendia terminar com Beca. Talvez ela só quisesse ter certeza do que elas ainda sentiam uma pela outra.
– Eu senti sua falta esses dias – Beca falou depois que o silêncio acalmou seu coração
– Eu também senti a sua. Senti muito sua falta – Nina falou deixando que seu corpo encostasse no de Beca
– Você quer conversar comigo? – Beca estava começando a perceber que elas ainda tinham uma chance
– É sobre a Regina… – Nina parecia medir as palavras. Não queria ser obrigada a falar um eu te avisei.
– Ela é amiga da Cami e tudo não passou de um plano para nos atingir, certo? – Beca complementou a frase de Nina
– Como…desde quando…eu só descobri – Nina se assustou com a sinceridade de Beca
– Eu fui atrás de algum contato com a Regina para saber como ela tinha ficado depois daquele lance todo na sexta e acabei descobrindo o perfil verdadeiro dela no facebook, sob o nome de Reg. Vi as fotos e então percebi que ela e Cami tem uma relação de tempos. Você estava certa desde o início. Tem todo o direito de jogar isso na minha cara – Beca riu sem graça abaixando sua cabeça depois de admitir o que tanto a machucava
Nina olhava para sua menina sentada ao seu lado. Mesmo no escuro era possível ver seu olhar cabisbaixo e decepcionado. Ter descoberto que alguém estava te enganando é a pior sensação do mundo e Nina sabia bem disso. Beca não a ouviu e isso ainda a chateava mas ao ve-la tão vulnerável e triste, Nina não suportou. Virou seu corpo até ficar de frente para a namorada, com a mão direita pegou no queixo de Beca e o puxou para cima, podendo ver o reflexo de uma lágrima escorrendo pelo rosto dela e sendo iluminado pelos raios da lua. Sem falar nada, moveu seu corpo para frente até que seus lábios encontraram os de Beca. O beijo foi melhor do que ela havia sonhado. Desde que tudo começou a acontecer, ela havia sentido que poderia nunca mais sentir o gosto dos lábios de Beca e isso a aterrorizava de uma forma que ela não conseguia entender. Ali, naquele momento, ela teve certeza de que nunca amou ninguém como amava Beca.
Beca não esperava pelo beijo de Nina naquele momento. Seu peito doía ao perceber que ela havia traído, de certa forma, a própria namorada por causa de uma pessoa que só queria ve-la destruída. Ali, com os lábios grudados nos de Nina, mais lágrimas correram pelo seu rosto. Ao mesmo tempo que ela queria falar tudo que sentia para Nina, ela não poderia querer outra coisa senão aquele beijo que ela tanto havia sonhado. Beca ajeitou seu corpo para que ficasse de frente para a namorada, jogou seus braços pelo pescoço de Nina e aprofundou o beijo obrigando que a namorada abrisse a boca e as línguas finalmente se reencontrassem.
Nina soltou um gemido quando sua língua sentiu o gosto da boca de Beca e sentiu as lágrimas da namorada salgarem aquele momento. Sem abrir os olhos e sem desgrudar as bocas, Nina levou uma das mãos ao rosto de Beca e conseguiu secar as lágrimas que escorriam até que percebeu que não haviam mais lágrimas. Os rostos continuavam a se mover de um lado para o outro enquanto os lábios se molhavam na saliva uma da outra. Com a mão livre, Nina puxou a cintura de Beca, que encaixou suas pernas no corpo sentado de Nina. O calor do beijo que trocavam foi crescendo e aos poucos elas precisavam encontrar brechas para respirar.
Nina permanecia sentada, com as pernas esticadas enquanto Beca, sentada em seu colo e com as pernas encaixadas em sua cintura, brincava com o cabelo meio solto e meio preso de Nina. Os lábios não se desgrudavam mais e o calor entre elas parecia aumentar. Com a mão na cintura de Beca, Nina apertava o abdome liso da namorada por baixo da blusa, fazendo com que Beca gemesse contra o beijo de Nina toda vez que sentia uma pressão maior em seu corpo. Como uma forma de vingança, Beca puxava o cabelo de Nina que já não estava mais preso fazendo com que a menina sentisse a espinha arrepiar. Elas estavam começando a perder o controle da situação e estavam adorando.
– Eu te amo – Beca sussurrou enquanto Nina se dedicava a beijar seu pescoço
Ao ouvir a declaração Nina parou o que estava fazendo e afastou um pouco a cabeça procurando os olhos de Beca. Ainda sem responder e sem tirar os olhos dos olhos da namorada, Nina reuniu suas forças e se colocou de joelho segurando Beca com as duas mãos em sua bunda. Beca respirou fundo ao sentir seu corpo ser içado e não conseguiu desgrudar seus olhos dos lábios de Nina. Já de joelhos, a goleira do time foi aos poucos deitando o corpo de Beca na canga que cobria o gramado. Beca sentiu suas costas encostarem o chão enquanto Nina ainda estava com uma das mãos em suas costas e a outra em sua coxa, próximo a sua bunda.
– Você não faz ideia do quanto eu te amo – Nina se projetava por cima de Beca e fitava seus olhos, procurando enxergar sua alma
E o beijo que aconteceu depois foi algo como sair de seu corpo e experimentar uma sensação nova. Beca e Nina não estavam nesta dimensão. Dividiam algum lugar que era só delas. As línguas se tocando e os lábios se completando funcionavam como uma passagem para um mundo onde o amor delas era a única coisa que importava. A mão de Beca corria pela cintura de Nina e sentia a pele da namorada se arrepiar sob seus dedos. Nina, que se apoiava em suas mãos, sentia sua coxa encaixar entre as pernas de Beca e percebia a temperatura subir.
Aos poucos, Nina soltou o peso de seu corpo em cima do de Nina. Sentiu o seio, agora enrijecido, de Beca por cima da blusa e não resistiu por muito tempo, puxou a blusa de pijama que os cobria e os agraciou com sua língua quente, fazendo Beca gemer enquanto pressionava a cabeça de Nina ainda mais forte contra seu próprio corpo. O bico do seio de Beca dançava sendo levado pela língua de Nina e as pernas encaixadas faziam pressão deixando a parte íntima da goleira molhada. A lua e as estrelas pareciam se mover sob o céu azul escuro de forma a deixar as duas iluminadas apenas o suficiente para que as almas se enxergassem nos olhares. Não demorou para que a blusa de Nina acompanhasse a de Beca no gramado ao lado delas e os seios de Nina estivessem na boca de Beca.
O short que Beca usava para dormir era largo e ela não estava usando nada além dele. Nina não conseguiu impedir o riso safado de canto de boca quando passou um único dedo e experimentou a umidade crescente entre as pernas da namorada. Era um sinal do quanto elas sentiam falta do corpo uma da outra. Ela tinha certeza que quando Beca fizesse o mesmo nela a situação não seria diferente. Beca pressionou seus lábios no pescoço de Nina para gemer baixinho enquanto sentia os dedos da goleira a reconhecerem por dentro. Ela sentia falta da forma como era amada por ela. Ainda sentindo o movimento repetitivo dentro de si, Beca deixou que aquela sensação que esquentava seu corpo a dominasse e começou a se mover de forma que os dedos de Nina foram obrigados a acelerar. Já quase perto de explodir em líquido quente e gemidos sussurrados, Beca sentiu os dedos de Nina saírem de si e a outra parar todos os movimentos. Com um grunhido emitido na garganta, Beca arqueou o corpo procurando um encerramento para seu orgasmo. Encontrou o sorriso quente de Nina encarando as suas expressões.
A goleira levantou do gramado. Ela estava sem blusa e com o short jeans aberto, mas ainda vestido. De pé no gramado, Nina apreciava o corpo completamente nu de Beca e se divertia com a respiração inquieta dela após a maldade que havia acabado de fazer. Sendo iluminada apenas pela lua e pelas estrelas, Nina abriu o zíper do short que vestia, o levou até o pé e jogou ele junto com a blusa no gramado. A calcinha preta que usava foi retirada junto com o short e fez Beca sorrir ao ver a namorada completamente nua sendo iluminada pela luz da lua.
Assim que Nina fez menção a deitar-se novamente, Beca mandou que ela continuasse de pé exatamente onde estava. Sem tirar os olhos do corpo bem torneado da namorada, Beca se colocou de joelhos em frente a ela, com o queixo afastou as pernas de Nina, ainda mirando seus seios, agora acima dela e com um sorriso safado nos cantos dos lábios, encaixou sua boca entre as pernas de Nina e sugou o líquido quente que escorria dela. Fez um pouco mais de pressão e chupou quando sentiu a mão de Nina enroscar em seu cabelo e a pressionar contra o próprio corpo.
Com a língua dentro do corpo de Nina, Beca sentiu os músculos dela retraírem e a mão da goleira em seus cabelos a pressionarem ainda mais. Sentiu o aumento na quantidade de líquido, os espasmos no clitoris da namorada e o corpo, antes ereto, agora curvado tentando controlar as pernas bambas e o coração acelerado. Bebeu o que conseguiu até Nina a tirar dali puxando pelo cabelo. Viu quando a namorada sussurrou um safada e passou a língua nos lábios ainda sentindo o gosto recém adquirido em sua garganta. Deitou novamente na canga e esperou que Nina viesse acabar o que havia começado antes.
Se sentindo quente, Nina pegou a garrafa de água que trazia em sua bicicleta, bebeu um gole rápido e deixou que ela escorresse entre as pernas de Beca causando uma mudança de temperatura e fazendo com que a menina gemesse contra o próprio punho para que não chamasse atenção de possíveis transeuntes da rua. O corpo de Nina se esgueirou por cima de Beca até que os lábios da goleira estivessem grudados no lóbulo da orelha de Beca. A respiração funda, o ar quente em seu pescoço e a recém mudança de temperatura entre suas pernas fizeram Beca arquear a cintura em busca de um encerramento para aquele calor que nascia ali e tomava seu corpo inteiro. Você me deixou com muita sede. As palavras sussurradas por Nina foram respondidas com um gemido de Beca e seguidas de um movimento rápido da goleira e em poucos instantes sua língua bebia toda a água jogada na, já molhada, parte íntima de Beca. O gemido agora não foi tão silencioso e Nina não demorou muito para sentir os espasmos e a perna bamba de Beca. Faltava muito pouco para aquele orgasmo.
A lua deve ter sorrido ao lado das estrelas ao ver aqueles dois corpos nus, encaixados e abraçados em cima da canga. A dimensão que elas haviam descoberto era um novo mundo que prometia trazer ainda mais felicidades para as duas meninas que haviam acabado de descobrir o que era fazer amor.

Mari Veiga

Autora, escritora, um pouco louca e uma mente hiperativa que acha que pode mudar o mundo com suas palavras.

Comente! ;)