Filme americano – Cap 8

Na terça Beca e Nina usaram a quadra praticamente sozinhas, o que causou uma boa discussão entre elas e os meninos, mas eles foram obrigados a ficarem olhando da arquibancada quando relembraram a disputa de embaixadinhas e a derrota deles. Mesmo que todos soubessem que Joguí tinha perdido de propósito, não poderiam acusar sem provas e nem passar atestado de inconformados perante todo o colégio. Tiveram que assistir Beca e Nina chutando gol a gol e eventualmente fazendo toques na quadra.

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Na quarta foi diferente, os meninos não reclamaram e aproveitaram um canto do pátio, sem demarcação no chão para brincarem de toque e altinha. Na quadra principal, que agora era das meninas, Beca e Nina receberam uma companheira. Carla era da mesma séria de Nina, um ano mais velha que Beca, e passava super despercebida com sua timidez. Assim que as meninas chegaram com a bola na quadra ela pediu para chutar a gol junto com Beca. Nina era a goleira oficial. Mesmo não acreditando que ela teria algum potencial, Beca rolou a bola, e aí, Carla a levantou, preparou o corpo e soltou um foguete com os pés. A bola estourou no travessão e foi parar no outro gol. O barulho chamou a atenção de quase todo mundo do recreio. Agora o time tinha três pessoas.

– Ei, Beca. Me espera! – Joguí vinha correndo em direção a amiga no final do recreio
– Oi, Joguí. Não te vi, desculpe
– Arrumaram mais uma para o time, né? – ele falou apontando Carla com a cabeça
– Pois é. Estou animada. Espero que até sexta mais umas duas ou três apareçam
– Estou confiante que sim. Espero que a exclusividade da quadra ajude com isso
– Ei, obrigada de novo. Sei que está sendo difícil aturar seus amigos
– Ah, não se preocupe com eles. Vão superar rapidinho…na verdade, te chamei por estar pensando em outra coisa… – Joguí diminuiu o tom de voz e passou a mão nos cabelos transparecendo uma súbita timidez que Beca não conhecia
– Pode falar!

E quando Joguí ia começar a falar, Nina chegou por trás de Beca e pediu permissão para que pudesse levar a menina um minuto. Queria que elas conversassem com Carla. Joguí apenas sorriu e deixou que Beca fosse com Nina.

– É o seguinte. Por enquanto somos só nós três no time, mas até o fim dessa semana teremos seis pessoas – Nina falou para Carla enquanto Beca ouvia do lado
– Teremos? – Beca perguntou estranhando a promessa
– Teremos, Beca! Eu já conversei com você… – Nina falou pisando no pé de Beca disfarçadamente
– Ah sim. Teremos – Beca confirmou
– Topa? – Nina falou quase implorando a Carla. Seu sorriso de animação era ainda mais lindo e contagiante do que Beca lembrava
– Estou dentro – Carla falou e foi abraçada ao mesmo tempo por Nina e Beca

As três subiram as escadas de volta às aulas juntas. Queriam saber a posição de Carla, a quanto tempo ela jogava e o time que torcia. Perguntaram uma coisa atrás da outra e quase não deram tempo para a menina responder. Ainda no pátio, Joguí ficou olhando as meninas subirem e ficou pensando se teria coragem em algum outro momento para chamar Beca para sair. Decidiu deixar pra depois e talvez até seria melhor fazer isso fora do colégio.

Amanhã vão aparecer mais uma ou duas. Beca leu a mensagem que tinha recebido de Nina assim que entrou na sala. Só em ver o nome da menina na tela do celular já sentia um nervoso diferente, um arrepio na nuca e uma vontade de sorrir incontrolável. Você já está de bem comigo? respondeu com medo do que poderia receber em troca, mas precisava acabar com o clima ruim e saber como ela estava. Por enquanto sim, mas se for grossa comigo de novo, terá troco. Beca respondeu apenas com uma carinha feliz e foi prestar atenção na aula, agora um pouco mais tranquila por saber que Nina não estava com raiva dela.

Com a cabeça a mil depois de copiar o quadro inteiro de matéria, Beca se preparou para ir beber uma água assim que o sinal do fim da aula tocou. Depois de fechar o caderno e se preparar para levantar, sentiu seu celular vibrando mais uma vez. Achou que fosse Nina com suas previsões e foi correndo para o aparelho, mas era Joguí: vamos juntos para casa hoje? Te espero no portão!

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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