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Filme americano – Cap 77

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A noite havia sido terrível nas duas casas. Beca aproveitou a dificuldade em dormir para adiantar alguns exercícios, tanto fez que havia acabado tudo e ainda adiantado matéria da semana seguinte. No Colégio Santo Amaro, os professores eram instruídos a dar mais liberdade para os alunos estudarem e adiantarem a matéria. De qualquer forma, tudo seria passado na sala de aula, mas eles incentivavam aqueles que gostavam de se adiantar. Beca raramente fazia isso, um pouco por falta de tempo e um pouco por preguiça mesmo, mas naquele dia ela precisava ocupar cada minuto da sua vida.

Nina estava quase na mesma situação só que ela não conseguia nem pensar em livros e estudo, acabou passando a hora escutando e música e relembrando um de seus hobbies preferidos: video game. Ela ainda tinha um console antigo guardado em uma gaveta na sala e algumas fitas de jogos que ela costumava gostar de jogar. Ligou na televisão e ficou algum tempo se divertindo enquanto relembrava as noites viradas tentando passar de fase ou zerar o jogo.

As duas acabaram desistindo em algum momento e lá pelo meio da madrugada se jogaram em suas camas vazias e deixaram que o cansaço dominasse o corpo. Era estranho irem dormir sem se falar e as duas, em algum momento, pensaram em quebrar este silêncio enviando uma mensagem, mas ninguém quis passar por cima do orgulho e realmente fazer isso. Deixaram que o silêncio se aprofundasse ainda mais.

Já estava quente lá fora quando elas levantaram da cama. Beca ouviu seu pai de pé preparando o café da manhã e percebeu que já estava na hora de se arrumar. Ela tomou um banho rápido, colocou o uniforme e falou com Diogo que iria junto com ele naquela sexta. O pai sabia que ela não estava bem depois da briga com Nina e conhecia sua filha o suficiente para saber que ela iria se esconder na sala para não ter que lidar com a situação.

Diogo acertou e assim que chegaram no colégio, que ainda estava completamente vazio de alunos, Beca seguiu para sua sala e resolveu que ficaria ali até a hora da aula começar. Dessa forma, não teria que encarar Nina, Regina e nem as meninas do time, que com certeza perguntariam sobre o clima estranho entre o casal. Abaixou a cabeça e por pouco não dormiu, antes disso acontecer, puxou seu caderno e começou a escrever algumas frases soltas. Ela gostava de fazer isso quando estava muito confusa.

– Podemos conversa? – a voz de Nina na porta da sala tirou Beca de seu devaneio
– Como você sabia…meu pai, é claro – Beca adivinhou como Nina foi parar ali
– Eu encontrei com ele lá embaixo e perguntei, não foi culpa dele
– Tudo bem
– Posso sentar aí perto? – Nina estava na ponta da sala ainda
– Claro
– Eu até agora não entendi direito o que houve ontem… – Nina falou de cabeça baixa e claramente nervosa
– Acho que tivemos nossa primeira briga – Beca tentou quebrar o gelo
– Acho que precisamos mesmo é resolver algumas questões – Nina não estava pra brincadeira
– Você ainda está dando ataque de ciúmes com a Regina? – Beca resolveu entrar no mesmo nível
– Não estou com ciúmes dela e nem de ninguém, mas continuo sem confiar nela e muito menos no Joguí

Beca não respondeu mais. Ela entendia o que Nina queria dizer, mas não concordava. Estaria mentindo se dissesse que não se incomodava com aquela implicância que Nina tinha com Regina, entendia a desconfiança de Joguí, mas da Regina? Não fazia sentido…assim como não fazia sentido a vontade louca que ela estava de se tacar nos braços de Nina e beija-la até não poder mais. Como ela era linda com aquele jeito nervoso de mexer as mãos e roer as unhas. Beca estava pronta para entregar os pontos quando uma outra voz as surpreendeu na porta.

– Bequinha, você pode me ajudar com esse exercício? – era Regina e ela já estava sentada na cadeira em frente a menina – oi Nina, não te vi aí, tudo bem?

Nina não respondeu, apenas olhou para Beca esperando que ela dispensasse a menina e elas pudessem continuar a conversa que estavam tendo. Beca não sabia o que fazer. Regina estava ali, com os cabelos soltos e com um batom rosa bem leve, o perfume que usava era inebriante e o sorriso que ela mantinha no lábios era, no mínimo, hipnotizante. Beca sabia que precisava continuar a conversa com Nina, mais do que tudo, queria se acertar com ela, estava doida para relembrar o gosto de seu beijo, mas enquanto seus pensamentos se embaralhavam ainda mais, ela não respondeu nada e de canto de olho viu Nina levantar e sair da sala. Pela velocidade de seus passos, a irritação do dia anterior não era nada comparada a daquele momento e Beca apenas abaixou a cabeça tentando controlar as lágrimas que vinham sem pedir permissão.

– Desculpa, eu interrompi algo? – Regina perguntou como se tivesse acabado de perceber algo
– De forma alguma, Re! – Beca respondeu forçando um sorriso – depois eu termino de conversar com a Nina, agora me mostra a sua dúvida

Do lado de fora da sala, Cami e Joguí estavam estrategicamente e disfarçadamente posicionados ao lado da porta e ouviram quando Regina entrou atrapalhando a conversa, viram Nina sair chorando e continuaram ouvindo a conversa de Beca e Regina. O plano estava dando mais certo do que eles imaginavam.

Mari Veiga

Autora, escritora, um pouco louca e uma mente hiperativa que acha que pode mudar o mundo com suas palavras.

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