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Filme americano – Cap 75

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A semana voou e finalmente a sexta chegou. Depois do atraso de Beca para a aula na segunda de manhã, Diogo não deixou que ela e Nina dormissem juntas em nenhum outro dia da semana. Tiveram que se contentar com o namoro discreto no recreio e com os amassos que conseguiam dar quando ficavam até depois da aula no vestiário do campo. O único time que treinava fora do horário escolar era o delas na sexta, no resto da semana, o campo ficava fechado no período da tarde. Se não fosse, por aquelas duas, que se esgueiravam por trás da pequena arquibancada e entravam no vestiário feminino para ficarem se agarrando por lá.

– Se meu pai descobre que a gente faz isso, ele me mata! – Beca falou enquanto abotoava a calça jeans
– Como ele vai descobrir? Você vai contar que tem invadido o vestiário fechado para fazer sacanagem com a sua namorada? – Nina falou enquanto beijava o pescoço de Beca, a provocando
– Minha namorada é muito abusada isso sim! – Beca falou afastando seu corpo de Nina
– Você não estava achando ela abusada quando ela estava ajoelhada com a cabeça entre suas pernas…além do mais, ela é muito mais abusada que isso, mas você não facilita muito – Nina ficava impossível quando o assunto era sexo
– Abusada e safada essa minha namorada hein! Amor, eu já disse que não consigo fazer muita coisa aqui…praticamente em público – Beca riu com a frase direta de Nina e terminou de fechar a calça
– Um dia eu vou te comer gostoso aqui nesse vestiário – Nina sussurrou no ouvido de Beca deixando ela corada e ao mesmo tempo nervosa

As duas, mais uma vez, se esgueiraram pelos cantos do vestiário e saíram pelo portão da garagem da escola. Só funcionários e professores poderiam usar aquele estacionamento e como Beca era filha de Diogo, ninguém desconfiaria se vissem ela andando por ali, mesmo que eles não tivessem carro.

– Amanhã tem treino, Be! Estou muito feliz que você está de volta – Nina falou balançando sua mão grudada na de Beca
– Nem fala, Ni! Estava tão arrasada na semana passada! Engraçado que tanta coisa aconteceu em poucos dias… – Beca ficou pensativa
– Tanta coisa? Como o que por exemplo? – Nina perguntou curiosa
– Por exemplo, foi na sexta passada que eu conheci a Regina…e tanta coisa já aconteceu envolvendo ela
– Ah é. Foi por causa dela que você me deixou esperando um tempão depois do treino
– Ei, deixa de bobeira vai! Foi sem querer e eu já disse que não vou fazer isso de novo
– Eu acho muito bom mesmo, senhorita. Ainda mais se for por causa daquelazinha
– Não fala assim da menina, amor. Você nem a conhece direito!
– E você conhece, por acaso?
– Não…mas admito que ela me deixa curiosa…as vezes ela parece ser uma coisa que não é, outras, parece que está interpretando um personagem, mas em alguns momentos eu vejo uma enorme tristeza em seus olhos…como se ela não tivesse ninguém sabe?

Nina não responder. Não queria admitir o tamanho do ciúmes que estava sentindo naquele momento. Apesar de saber que Beca era dela e que o sentimento que compartilhavam era enorme, se tornava cada vez mais impossível ignorar aquela aproximação de Regina com Beca. Nina estava começando a sair de si.

– Sua amiguinha misteriosa é super amiga do se ex namorado, sabia? – Nina falou com a clara intenção de provocar a namorada
– Como assim? – Beca perguntou tentando fingir indiferença
– Naquele dia que vocês cercaram o Negão no recreio eu vi os dois conversando depois e no resto da semana eles estavam de papinhos e trocando bilhetes pelos corredores
– Será que o Joguí está dando em cima dela? Ele é um babaca mesmo! – Beca falou mais para si mesma do que para Nina ouvir
– Eu não sei o que está me deixando mais preocupada, você com ciúmes da Regina ou pensando no Joguí dar em cima de alguém – Nina explodiu

As duas estavam chegando próximo do ponto onde se separavam. Beca seguiria por mais uns quinze minutos até sua casa e Nina estava há duas quadras do seu condomínio. Era ali que elas se despediam, trocavam algumas declarações a mais se beijavam até que uma delas realmente virava de costas e não olhava mais para trás. Mas, nesse dia, um pouco antes de chegarem no local de sempre, foram obrigadas a parar para discutir.

– Você está com ciúmes da Regina? Ou você está muito preocupada porque o Joguí está dando em cima de outra? Porque você não consegue perceber que essas pessoas não te querem bem? Esquece eles um pouco! – Nina falava enquanto sua voz embargava de leve
– Nina, para de bobeira! O Joguí é um babaca e pode estar se aproveitando da menina! – Beca falou não entendendo o real motivo da briga
– Se aproveitando? Ela já é bem grandinha, Beca! Já pensou que ela pode estar se aproveitando do Joguí para armar algo contra você? Contra a gente?
– Deixa de bobeira, Nina. Porque alguém gostaria de fazer algo contra a gente?
– Eu não sei. Mas essa garota não é boa coisa, escuta o que eu estou te falando
– Você está paranóica. Qual o motivo para tanto ciúmes? Só porque não quis fazer sexo com você no vestiário?
– Você acha que é só com isso que eu me importo?

Nina e Beca não falaram mais nada. Nina já estava chorando e não tinha entendido como uma tarde super deliciosa com a sua namorada poderia ter terminado em uma briga dessas. As duas se mexeram, mas não saíram do lugar. Não havia mais o que falar, tudo que deveria e tudo que não deveria ser dito já havia sido colocado para fora.

– Eu vou pra casa…antes que a gente brigue mais – Beca foi a primeira a quebrar o silêncio
– Eu acho melhor mesmo… – Nina falou e sem dar muito espaço, virou de costas e seguiu em direção a sua casa

Dessa vez, ninguém olhou para trás.

Mari Veiga

Autora, escritora, um pouco louca e uma mente hiperativa que acha que pode mudar o mundo com suas palavras.

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