Filme americano – Cap 7

O horário do recreio mal tinha começado e Beca já estava suando frio. Nina tinha mandado um bilhete por seu pai para que elas se encontrassem na quadra principal. Ela tinha certeza que Nina tinha arrumado alguns amigos para dar uma surra nela. E ainda mandou o local de entrega através do seu próprio pai. Achou até um pouco abusado da parte dela usar o pai/professor para marcar uma briga. Enfim, caminhou solitária e cabisbaixa para o abate.

Realmente, Nina estava com uma roda de amigos e amigas no meio da quadra central. Avistou Beca de longe e sorriu assim que a viu. Será que ela era tão sádica a ponto de rir enquanto Beca andava para a briga?

– Chegou quem faltava! – Nina falou acenando para Beca

Assim que se aproximou, Beca sentiu que estavam todos muito felizes para baterem nela. E por um momento pensou que não necessariamente elas iriam brigar.

– Faltava pra que? – Beca falou já na roda
– Campeonato de embaixadinha – Nina falou surpreendendo Beca
– Ahn?
– Eu e você contra o João e algum outro do time que ele escolher
– Quem fizer mais? – Beca começou a gostar da ideia
– Exato. O vencedor domina a quadra por uma semana
– Mas aí voces vão jogar sozinhas? – o goleiro do time dos meninos falou se aproximando da roda
– Então quer dizer que você ja esta aceitando a derrota? – Beca era boa em brigar com meninos sobre futebol, toda sua infância foi assim.

Já que Joguí estava entre os envolvidos, algumas meninas se aproximaram. O time completo masculino e algumas outras meninas vieram assistir o embate final. O que iria mostrar quem realmente comandava no colégio.

– As regras são simples: cada jogador tem três tentativas, no final a maior soma, ganha. De acordo? – Nina falou se colocando ao lado de Beca e jogando a bola no chão.
– De acordo – Joguí falou puxando qualquer um dos meninos que jogava com ele

A gritaria promovida pelos meninos enquanto João fazia suas 18 embaixadinhas atraiu ainda mais gente. Mais meninas e mais meninos. Era vez de Nina. A morena não decepcionou e elevou para 20 a jogada. Beca estava animada. Era esse o plano que Nina tinha desde o início, mas precisava dela para colocar em prática. Era bonito de se ver aqueles cabelos pretos, amarrados em um rabo de cavalo balançar de um lado para o outro enquanto ela dominava a bola que quicava em seu pé. As coxas torneadas apareciam através da calça jeans e prendiam a atenção de Beca. Assim que Nina terminou, as duas se abraçaram e foram aplaudidas pela torcida feminina que aumentava gradativamente. Quem não gosta de um bom embate entre homens e mulheres?

Nina e Beca tinham terminado suas embaixadas e tinham somado 187 quiques. Era vez de Joguí encerrar a chance dos meninos. Eles estavam com 172 e precisavam de apenas mais 15 embaixadas para garantirem a vitória. Beca sabia que João iria conseguir, 15 para ele era super simples. Neste momento, o colégio inteiro já estava reunido no círculo central da quadra. Os quatro competidores eram isolados por um cordão humanos que os amigos e amigas mais próximas faziam para não os atrapalhar.

Joguí colocou a bola no chão para puxar com o pé e começar, antes olhou para Beca, que com um sorriso sacana balbuciou que ele não iria conseguir. Ela sabia que ele iria, mas tentou tirar sua concentração. Era a única chance que ela e Nina teriam de fazer o time feminino se tornar respeitável na escola. Mesmo que o time inteiro tivesse só elas duas.

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, a bola subiu demais e ele amorteceu no peito, 9, 10, 11, 12, ele viu novamente Beca secando seus movimentos. João nutria uma amizade além da conta por Beca. Ele não era mais criança e ela também não. Joguí não iria conseguir tirar o gosto da vitória de sua amiga, de sua menina. 13, 14, chão. Fingindo que tinha perdido o controle da bola, ele fez com que os meninos perdessem por uma embaixada.

Parecia final de campeonato, as meninas explodiram em gritos e comemorações. Nina abraçou Beca que pode sentir o cheiro do perfume dela. Lembrou de quando correram juntas na quadra e como o vento trazia este mesmo cheiro até ela. Puxou o ar ainda mais fundo a ponto de arrepiar um pouco o pescoço da amiga. Ou o que quer que ela seja. Nina se afastou um pouco sem graça e apenas riram uma para outra. Não trocaram palavra alguma.

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Do outro lado, os meninos encheram o saco de Joguí enquanto ele se desculpava e dizia que o problema era o sol que o tinha cegado. O deixaram lá, esquecido na quadra. Foi quando Beca se aproximou dele atraindo para si todos os olhares femininos do colégio:

– Obrigada – a menina falou bem baixinho
– Valeu pelo seu sorriso – Joguí deu um beijo no rosto de Beca e saiu andando atrás dos amigos

Naquela semana, a quadra seria delas, mesmo que Nina e Beca a ocupassem apenas para treinar passes e chutes ao gol. Seria uma boa forma de atrair novas meninas para o time.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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