Filme americano – Cap 6

O despertador de Beca berrou às 7h40 da manhã. Sem nem pestanejar, a menina apertou o botão, o desligou e pulou da cama. Ela já estava acordada há horas tentando pensar em um jeito de recrutar mais meninas para o time. Pensou em falar com algumas amigas, mas aí lembro que não tinha amigas. Começou a pensar se conhecia alguma menina da escola que jogasse futebol, mas só lembrou de Nina, e bom…essa já estava no time. Ou pelo menos deveria estar.

Trocou de roupa, colocou o uniforme, foi ao banheiro lavar o rosto e escovar dentes, encontrou com seu pai na cozinha, tomou uma xícara de café e saíram juntos para a escola. Tudo em um silêncio profundo, quebrado apenas por palavras monossilábicas soltas e aleatórias. Já no portão, Diogo não aguentou:

– Ei, filha. Comece pela Nina. Ela quer isso tanto quanto você.

Beca não respondeu, apenas sorriu, deu um tchau para o pai e seguiu para o pátio que já estava lotado e barulhento.

Como uma obra estranha do destino, Beca deu de cara com Nina assim que colocou os pés no enorme vazio que era aquele pátio. Era engraçado se você pensasse que depois de tantos anos elas nunca tinham se encontrado, mas logo hoje, que Beca estava fugindo, Nina era a primeira a encontrar com ela.

De cabeça baixa, a filha do professor seguiu para a sua sala e deixou a morena de cabelos compridos para trás. Não ia pedir desculpas de novo e não estava afim de levar patada logo cedo. Nina viu ela andando a passos largos e a seguiu em silêncio.

– Além de antipática na internet, você também vai me ignorar pessoalmente? – Nina falou assim que conseguiu alcançar o braço de Beca na porta da sala
– Olha, na boa. Eu já te pedi desculpas e não quero me estressar logo cedo, ok?
– Estressar? Deixa de ser idiota, menina! Eu só quero tentar ajudar a nós duas, viu como você é?

E Nina mais uma vez saiu andando deixando Beca com uma cara de quem não sabia o que estava acontecendo, para trás. A menina até pensou em ir atrás dela e pedir desculpas ou pelo menos tentar amenizar a situação, mas era tarde demais. O sinal tocou e ela precisava entrar. Sentou em seu lugar cativo e esperou que a aula começasse.

-POP-2

Lá pelo meio da aula, Mari, sua colega mais próxima, passou para Beca um daqueles bilhetinhos que rolam nas aulas: tá sabendo que o Joguí vai ajudar o time feminino?
Beca não era do tipo que curtia papelzinho pela sala, guardou a pergunta e esperou o intervalo para responder. E ele chegou sorrateiro, bem no meio de um exercício passado no quadro coroado pelo sinal que quase foi comemorado. Mesmo que não significasse muita coisa, já que dois minutos depois, o pai de Beca entrou para dar o tempo seguinte de aula.

– Ei, porque não em respondeu? – Mari cutucou a amiga antes que Diogo começasse
– Desculpe. Mas eu já sabia sim, ele me contou na sexta
– Sexta? Você saiu com ele?
– Nós jogamos futebol juntos a noite
– Ah é? – E assim, Mari voltou para seus devaneios relacionados a Joguí

Antes de começar a aula, Diogo devolveu um teste que tinha passado na semana anterior para os alunos. O último, como normal, era o de Beca. Não por ela sentar no canto da sala, mas também por ele não gostar que outras pessoas vissem a nota dela, achava que poderia gerar algum tipo de fofoca. Mas junto com a prova, Diogo entregou também um pequeno papel, que parecia justamente um daqueles bilhetinhos que trocavam em aula: Recreio. Quadra principal. Nina.

Direto, chato e grosso. Bem a cara daquela garota mesmo. Beca pensou em duas possibilidades: ou Nina iria arrumar umas amigas para dar uma lição nela ou finalmente iriam tentar algo em relação ao time de futebol. Guardou o bilhete e esperou que a aula terminasse. Iria descobrir em breve.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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