Filme Americano – Cap 109

Narrador
 
Da porta de casa, Beca e Nina acenavam enquanto Diogo entrava no carro do técnico Negão em direção ao feriado prolongado. Até segunda, a casa seria só delas e em seguida, emendariam no churrasco que combinaram com as amigas. Mas até lá, haviam dois dias que as duas poderiam curtir sozinhas matando todas as saudades ainda existentes e talvez já matando algumas saudades por antecipação. Elas nunca haviam ficado tanto sozinhas e juntas e seria ótimo para testarem a paciência de uma com a outra.
Assim que voltaram pra casa, Beca foi até a cozinha verificar o que havia na geladeira. Se bem conhecia seu pai ele havia deixado tudo que elas fossem precisar nos próximos dias só para que não terem que sair e comprar. Dito e feito, assim que a menina abriu a porta e sentiu o ar gelado refrescar seu corpo, avistou algumas comidas prontas congeladas e um pouco mais de opções do que normalmente havia. Ele até tinha feito estrogonofe e deixado pronto, caso elas quisessem apenas esquentar. Diogo era um super pai e Beca sabia disso.
No sofá da sala, Nina estava deitada e com o celular no ouvido. Após a conversa com os pais de que aceitaria a condição imposta do intercâmbio eles relaxaram bem mais quanto a presença da menina em casa e ela vinha se esforçando para não estragar o bom momento que estavam vivendo. Assim que pode, ligou para a mãe e contou que Diogo havia viajado de última hora e que por isso ficaria ali com Beca até segunda de manhã, quando seguiriam para casa e fariam o churrasco. Mesmo achando que o feriado estava “cheio de farra demais”, a mã de Nina não discutiu, afinal de contas, as notas da filha estavam boas e o combinado do intercâmbio já estava certo. Não havia motivos para ela dizer não.
– Sozinhas, enfim! – Beca estava esperando Nina desligar o celular para deitar seu corpo em cima do dela no sofá e beijar-lhe os lábios com vontade
– Estou tendo várias ideias para nossa solidão ser melhor aproveitada – Nina falou no rápido momento que buscavam ar
– Aposto que envolve nossas roupas jogadas por esta sala nesse exato momento – Beca sussurrou perto do ouvido de Nina enquanto distribuia beijos pelo pescoço da namorada
– Uau, você está ficando boa em ler pensamentos – Nina não esperou a resposta e assim que terminou de falar puxou a barra da camiseta de Beca para cima, arremessando no chão logo que ela estava solta
Beca mexeu seu corpo e encaixou as pernas de forma que sua coxa, definida pelo esporte que praticavam, fizesse pressão entre as pernas de Nina a fazendo gemer baixinho. A mais nova sorriu sabendo que havia acertado o ponto certo da namorada e que dali pra frente ela estaria no comando. Nina, percebendo que havia perdido o controle do próprio corpo, preferiu deixar que sua menina a levasse até os céus como só ela era capaz. Ela tirou a própria blusa e deixou que Beca descesse sua boca até encontrar os seios desnudos e enrijecidos e devora-los com vontade. O gemido agora já não era mais sussurrado.
Ao sentir o corpo de Nina pressionar ainda mais contra o seu em busca de um contato mais forte, Beca sabia que sua namorada estava molhada o suficiente. Abandonou os seios marcados da goleira e se arrastou, distribuindo beijos e chupões no caminho até chegar a barra do pequeno short que ela usava. Ela sabia que não havia nada por baixo dele e só para provocar, desceu a mão até o meio das coxas e afastando o short um pouco para o lado só para sentir o líquido quente melar seus dedos. O sorriso malicioso veio junto com a certeza de que Nina era sua, completamente sua.
– Amor, você está se desfazendo aqui embaixo… – Beca provocou enquanto passava seus dedos o mais levemente possível apenas para maltratar um pouco mais
– Isso é…culpa…sua – Nina respondeu enquanto tentava respirar. Seus olhos já estavam fechados e seu quadril se movia em direção aos dedos de Beca que pareciam tão próximos e ao mesmo tempo, tão distantes
– Me desculpe, meu amor, eu não queria ter te deixado assim – Beca respondeu e o sorriso malicioso nos lábios podia ser percebido no tom da sua voz.
– Não…tem problema…agora só precisa terminar… – Nina falou abrindo os olhos e deixando que as órbitas se encontrassem.
Beca estava perigosamente próxima ao centro de prazer de Nina enquanto ela estava deitada no sofá da sala da casa. Sem responder e sem desgrudar os olhos, Beca moveu seu corpo apenas o suficiente para que conseguisse tirar o short que ainda vestia Nina. Assim que a peça de roupa foi parar no chão, Beca ficou de joelhos no sofá tendo a visão, um pouco mais de cima, de sua namorada inteiramente nua logo abaixo dela.
– Tira seu short também – Nina pediu sentando e beijando os seios de Beca que estavam em sua direção
– Vou tirar, mas só porque eu quero – Beca empurrou Nina de volta que caiu de costas no sofá com a língua entre os dentes deixando seus olhos escurecerem de tesão
Beca ficou de pé ao lado do sofá. Tirou o short lentamente enquanto os olhos de Nina acompanhavam o movimento. A língua percorria o lábio insistentemente como se procurasse o gosto daquilo que estavam vendo no ar. Beca sentiu seu coração pulsar entre as pernas ao perceber o olhar faminto de sua namorada sobre si, mas ela que estava no comando agora e as coisas seriam como ela quisesse. E ela sabia muito bem o que queria.
– Abra as pernas – Beca falou autoritária e ela viu a respiração de Nina mudar conforme ela fazia o que fora mandado
Sem hesitar, Beca abriu as pernas de Nina um pouco mais, se colocou entre elas e lambeu toda a extensão quente e molhada da namorada. Fora apenas uma lambida com a pressão suficiente para fazer o corpo de Nina tremer por inteiro. Os gemidos já não eram mais tão baixos e os olhos agora reviravam em suas órbitas transparecendo todo o tesão que estavam. Nina estava se preparando para que Beca continuasse, mas a outra lambida não veio. Ela então abriu os olhos e mirou na direção de suas pernas só para dar de cara com um sorriso escrotamente malicioso esperando que as órbitas se encontrassem. E dessa forma, com os olhos grudados, Beca lhe forneceu mais uma lambida, com a pressão certa para fazer o clitóris da menina pulsar e seu líquido escorrer molhando o sofá. Em algum lugar da mente delas, agradecerem por ele ser de couro e não manchar.
– Puta merda… – Nina sussurrou assim que Beca retirou a língua mais uma vez de seu ponto de prazer
Sentindo que estava enlouquecendo a namorada, Beca começou a querer tortura-la ainda mais, mas não podia negar que ela própria estava enlouquecendo. Ela podia sentir suas coxas já molhadas e sabia que se continuasse naquela maldade por muito tempo acabaria gozando enquanto se esfregava no sofá e isso seria muito injusto com ela. Então, ela resolveu dividir a maldade. Levantou sob um olhar de súplica de Nina.
De pé, foi até onde a cabeça de Nina estava
– Sobe o corpo e deita a cabeça no braço do sofá – Beca respondeu e a namorada obedeceu deixando sua cabeça um pouco mais alta
Com a elasticidade que anos de futebol permitiram, Beca levantou uma das pernas e conseguiu encaixar seu corpo de forma que os lábios de Nina estavam, a poucos centímetros de sua boceta já molhada.
– Lambe – o tom de ordem ainda permanecia
Sem responder, Nina olhou com vontade para aquela cena e gemeu baixinho só pela situação. Ela precisou levantar a cabeça um pouco do sofá, tensionando o abdômen. Ainda bem que elas estavam mais do que aptas a testar todos os limites do corpo delas. Da mesma forma que Beca fez, Nina apenas pressionou a língua e passou uma única vez por toda a extensão melada da namorada. Aquele gosto e aquele cheiro que só Beca tinha fizeram Nina gemer e lamber os lábios.
– De novo – Beca falou tentando manter a autoridade, mas claramente se perdendo no tesão
Nina sorriu sabendo que a namorada estava fazendo o possível para não perder o controle, mas ela sabia que não iria durar muito e por ela, esse controle iria para longe naquele exato momento. Ao olhar para o rosto da namorada, Nina viu que ela permanecia com os olhos fechados e com a boca entreaberta enquanto tentava procurar o ar para encher seus pulmões. Sorrindo maliciosamente, Nina levantou a cabeça novamente e ao invés de apenas passar a língua pela extensão quente de Beca, ela foi direto em sua entrada e enfiou a língua o máximo que conseguia. O gemido que veio em seguida lhe deixava claro que ela estava virando aquele jogo.
Beca fraquejou. Sua perna que estava apoiada no chão bambeou ao sentir a língua de Nina a invadindo. Ela estava perdendo o controle e estava perdendo rápido, do jeito que seu corpo estava ela gozaria rapidamente se Nina se aproximasse dela e ela não queria se entregar daquela forma. Sem pensar, ela pegou o cabelo de Nina e a puxou para baixo de novo. A goleira estava com os lábios brilhando e os sugava para continuar sentindo o gosto da namorada que ainda permanecia por ali.
– Nada disso…quem vai te comer sou eu! – Beca falou no ouvido de Nina, agora já com as duas pernas no chão e o corpo sustentado
– Então me come logo porque depois eu vou te foder inteira! – Nina respondeu com a voz embargada e as palavras fizeram mais efeito em Beca do que ela gostaria de admitir
A mais nova então voltou a sua posição original e com os olhos fixos nos de Nina, mais uma vez lambeu com pressão toda a extensão completamente molhada de Nina. Os gemidos não paravam mais. Só a respiração de Beca perto de sua boceta faziam Nina gemer e o orgasmo estava ainda mais próximo. Ela podia sentir o tremor em suas pernas e o suor brotando em sua testa. Ela queria xingar e mandar Beca acelerar aquilo, mas também não queria dar o braço a torcer. Deixou que Beca a maltratasse. Se fosse para morrer de tesão, ela não faria questão de gozar tão rápido.
Sem avisar ou sem trocar olhares, Beca sugou o clitóris de Nina. A goleira sentiu seu quadril arquear forçando ainda mais contra a boca da namorada que agora lambia e chupava sem parar. O líquido quente que antes manchava o sofá agora invadia a boca de Beca e a fazia querer mais e mais. Nina não aguentou e levou sua mão até o cabelo da namorada para controlar a velocidade e a pressão do movimento que ela fazia. Beca não se importou e continuou a passear sua língua por toda a extensão. Deixou que Nina controlasse a velocidade com a mão em seu cabelo e com o movimento dos quadris fazendo com que metade do rosto de Beca se molhasse com aquele líquido quente e gostoso que saía de sua namorada.
– Be, eu…vou… – Nina tentava falar, mas o ar se tornava rarefeito a cada movimento da língua de Beca
Sem responder, Beca segurou Nina pela lateral do quadril e puxou seu corpo ainda mais contra ela. Sentiu seus dentes agarrando o clitóris de Beca e ouviu a namorada gemer alto. Sentiu um puxão ainda maior em seu cabelo e ela sabia que Nina estava próxima. Sem se intimidade, desceu a língua até sua entrada e lhe penetrou daquela forma que Nina havia feito com ela a poucos minutos atrás. Mais uma vez, Nina gemeu alto e apertou os cabelos de Beca em sua mão. Sabendo que, talvez, esse seria seu último movimento, Beca tirou a língua da entrada de Nina e brincou em torno de seu clitóris já inchado. Ela estava certa, havia sido seu último movimento. O puxão no cabelo aproximou ainda mais os corpos, os gemidos se tornaram longos e intensos e o gosto de Nina invadia a boca de Beca como se fosse o caminho mais óbvio a percorrer. Era possível sentir o coração de Nina pulsar na língua de Beca, ainda grudada em seu clitóris.
O corpo da goleira começou a desfalecer e o puxão no cabelo se soltou. As pernas tremiam contra a cabeça de Beca e ela sabia que estava começando a incomodar a namorada naquela posição. A sensibilidade excessiva do local a fez se afastar por mais que o gosto estivesse ainda delicioso. Beca arrastou seu corpo por cima de Nina e devorou seus lábios para si compartilhando o gosto de sexo que lhe invadia a boca. Nina deixou que a namorada tomasse sua língua para ela, mas rapidamente afastou seu rosto, ainda sorrindo.
– Respirar…preciso… – Nina estava de olhos fechados ainda e com o rosto vermelho
– Não morre não…ainda quero fazer isso de novo com você – Beca falou bem baixinho enquanto passava a mão lentamente pelo rosto corado da namorada
– Onde você aprendeu tudo isso? – Nina falou ainda de olhos fechados
– Digamos que eu estou decidida a fazer você sentir bastante saudades de mim… – Beca falou sorrindo e pela primeira vez encarou o olhar de Nina em si
– Sabe…eu acho que essa é uma ótima ideia! – Nina já sorria maliciosamente com o lábio inferior pressionado entre os dentes
Beca abaixou sua cabeça devagar até os lábios se encontrarem. Desta vez, Nina não precisava mais respirar e deixou que o que restava do seu gosto na boca de Beca fosse dividido com ela. Não demorou para que os corpos se encaixassem novamente e o calor voltasse a inundar aqueles corpos.
– Levanta – Nina afastou o beijo rapidamente
Beca obedeceu sabendo que não iria se arrepender do que vinha em seguida e levantou. Já de pé, viu Nina se sentar no sofá e com uma mão chamar Beca que rapidamente encaixou suas pernas ao lado das de Nina, sentando de frente em seu colo.
– Você é uma delícia, sabia? – Nina falou enquanto se dedicava em lamber e chupar os bicos dos seios de Beca, que estavam em sua direção
– Sou é? – Beca sussurrou
– Uhum! – Nina apenas confirma com um som que poderia ser confundido entre um gemido e uma confirmação
Sem falar nada, Nina puxou o corpo de Beca um pouco para cima só para encaixar seus dedos embaixo. Sem cerimônias ou pedidos, enfiou dois dedos que deslizaram para dentro da menina. O gemido de Beca poderia ser ouvido por toda a casa, ela tinha certeza. Os lábios nos seios de Beca permaneceram enquanto o rebolado em cima dos dedos de Nina continuavam. O líquido da menina melava os dedos de Nina a fazendo gemer só em sentir sua namorada rebolando em seu colo daquela forma. Talvez ela comprasse um consolo só para repetir aquela posição com as duas mãos livres. O pensamento lhe fez sorrir contra o seio da namorada e em uma rebolada em que Beca subiu o corpo, ela retirou os dois dedos fazendo a mais nova gemer de frustração ao sentir um vazio dentro dela.
– Fica de pé aqui – Nina falou e na mesma hora Beca levantou ainda com as pernas ao lado do corpo de Nina
Nina sentou em cima dos próprios calcanhares ganhando alguns centímetros pra cima e então seu rosto ficou exatamente onde ela queria. De pé em cima do sofá, e com as pernas abertas, Beca tinha Nina no meio de seu corpo e com o rosto enfiado entre suas pernas. Com medo da namorada cair, Nina segurou Beca pela bunda pressionando uma mão em cada nádega e trazendo seu corpo um pouco mais pra frente deixando o espaço entre sua boca e a boceta molhada dela mínimo. Enfiou a língua em sua entrada rapidamente e com um movimento repetitivo fez Beca gemer alto.
Os gemidos eram incompreensíveis e a voz de Beca ia perdendo força a cada chupada que Nina dava. As pernas bambas começaram a fraquejar e o corpo de Beca era amparado pelas mãos firmes de Nina que a traziam ainda mais para sua boca. Não demorou para que a mais velha sentisse o órgão molhado de Beca pulsar. Ela sabia que ela estava próxima do orgasmo e apenas para prolongar um pouco mais, deu uma lambida com pressão de uma ponta a outra recolhendo todo o líquido quente que escorria por ela. Sem controle algum e com vontade de acabar a tortura, Beca forçou sua boceta contra a boca de Nina rebolando em seu rosto. O controle já havia a abandonado neste momento. Sem conseguir negar aquele desespero, Nina apenas deixou que Beca se satisfizesse em sua boca, colocou a língua pra fora e deixou que a namorada controlasse a velocidade. A verdade é que era delicioso assistir ao corpo de Beca em cima do seu rebolando daquela forma enquanto sua língua roçava de forma desconexa e forte entre as pernas da namorada. Nina gemeu junto com Beca ao sentir aquele mar quente invadindo sua garganta. Ela estava gozando em sua boca e gemia alto enquanto sentia suas forças se esvaírem.
Não tendo mais forças para suportar o próprio corpo, Beca deixou que suas pernas dobrassem e caiu no colo de Nina que já esperava o corpo da namorada e a amparou com as mãos que estavam em sua bunda. O sorriso fraco de Beca denunciava que o orgasmo havia sido mais cansativo e exaustivo do que ela imaginara.
– Você…acabou…comigo – Beca falou enquanto jogava os braços no pescoço de Nina e suspirava em seu pescoço
– Eu sei! Essa era a intenção – Nina suspirava fundo, mas tinha mais fôlego que a namorada
– Preciso de um banho, preciso de água e preciso comer… – Beca falou já olhando nos olhos da namorada e com as testas coladas – nessa ordem… – complementou sorrindo
– Vamos, vou te dar banho! – Nina desceu do sofá com Beca em seu colo e assim foram até debaixo do chuveiro.
A água morna descia pelas costas de Beca enquanto ela ainda permanecia com as pernas envolta da cintura de Nina. Ela sabia que devia descer dali porque não era tão leve assim, mas não queria desgrudar do corpo dela por nada. Apenas deixou que a água continuasse escorrendo e que sua namorada a fizesse um carinho leve nas costas. Talvez ela poderia até mesmo cochilar ali.
— / —
As duas meninas estavam no balcão da cozinha preparando o que iriam comer. Elas haviam perdido completamente a noção do tempo e já era noite lá fora. Após o banho demorado cheio de beijos e carinhos, elas precisavam urgentemente comer alguma coisa. O esforço que haviam feito mais cedo tinha sido demais e elas precisavam repor as energias se quisessem continuar aproveitando a casa só delas. Acabaram decidindo por fazer uma pizza com a massa pronta que Diogo comprou na última vez que tinha ido ao supermercado.
– Temos queijo, temos presunto e temos tomate – Beca falou olhando pra geladeira
– Ué, temos estrogonofe, não temos? – Nina perguntou enquanto tirava a massa da embalagem
– Você quer fazer pizza de estrogonofe? – Beca olhou incrédula pra namorada
– Porque não? Pizza é bom, estrogonofe também, não tem como errar! – por um momento Beca esperou Nina falar que estava brincando mas então se deu conta que o raciocínio da namorada fazia sentido. Pegou a travessa com a comida que Diogo havia deixado e levou para a pia junto com o queijo, presunto e tomate
No final das contas, elas fizeram três pizzas, sendo uma de estrogonofe e as outras duas de queijo com presunto e tomate. As três rodelas estavam no forno quente e elas conversavam na mesa da cozinha esperando a comida ficar pronta.
– Então quer dizer que você já está se despedindo de mim? – Nina externou um pensamento que lhe acompanhava desde mais cedo
– Como assim? – Beca parecia não lembrar do que havia falado e fez a namorada rir sem graça
– Na hora do sexo…você disse que estava decidida a me fazer sentir bastante saudade de você, é por causa da viagem né… – Nina constatou ainda sem olhar pra Beca
– Não deixa de ser verdade, mas não quer dizer que eu esteja pensando nisso o tempo todo… – Beca respirou fundo sem Nina ver, não queria transparecer que pensava nisso a todo momento
– Então você está tranquila com tudo isso? – Beca perguntou finalmente a encarando e procurando extrair daquele olhar toda e qualquer emoção que conseguisse
Beca não respondeu e não sustentou o olhar da namorada. Riu sem graça porque sabia que na hora que abrisse a boca iria começar a chorar. Era lógico que ela não estava tranquila com a situação, mas ela também não queria piorar tudo para Nina. Queria se mostrar forte demais, mas seu corpo não obedecia sua vontade e antes que ela fosse capaz de segurar, uma lágrima caiu na mesa logo abaixo dela.
Ainda sem levantar a cabeça e procurando respirar fundo, Beca sentiu as lágrimas continuarem a descer e tudo que ela queria era que um buraco se abrisse no chão para que Nina não a visse daquela forma. Droga, porque eu tenho que ser tão sentimental? Ela praguejava sozinha em sua mente. Estava tentando pensar em lugares felizes para que o choro parasse, mas todos os seus lugares felizes incluíam Nina e então ela lembrava da viagem e as lágrimas apenas se multiplicavam.
Foi quando um soluço involuntário quebrou o silêncio da cozinha que Beca sentiu os braços de Nina a apertando contra si e só então ela colocou para fora todo o choro que ainda existia dentro dela. Pela primeira vez, ela se permitiu chorar pela ida da namorada. Estava se fazendo de forte em frente a ela, mas pro dentro estava se quebrando aos poucos. Ela não poderia deixar que ela fosse embora daquela forma. Ela não ia conseguir resistir ao mundo real por seis meses sem sua mulher ao lado.
– Chora, por favor, chora muito porque guardar isso faz mal demais! – Nina sussurrou com a voz embargada e as duas se abraçaram em meio ao pranto.
Passaram um tempo sem falar nada, apenas abraçadas e soluçando eventualmente. Aos poucos, foram respirando fundo e o choro pareceu ser controlado.
– Amor… – Beca falou puxando a cabeça que ainda estava no ombro de Nina e enxugando as lágrimas
– o que foi, criança? – Nina respondeu também enxugando suas lágrimas e ajoelhando ao lado da cadeira de Beca
– Acho que a pizza tá pronta… – Beca falou olhando para o forno o que fez Nina olhar junto e perceber um principio de fumaça saindo.
As duas correram rindo até lá e por pouco não queimaram todo o jantar. Talvez elas precisassem chorar juntas um pouco para desafogar o coração.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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