Experimentando o amor lá fora

Sim, eu estava de férias. Trabalhei muito durante este ano e acreditei que merecia férias, pelo menos um pouco. Por isso (e por outros motivos), o site tem estado tão parado. Mas fiquei feliz em ver que muitas pessoas sentiram falta e mandaram email, mensagens e outras demonstrações de carinho. Toda a equipe ficou feliz.

Durante minhas férias viajei uma semana para Buenos Aires com a minha outra metade. Sim, mozão. Para quem ainda não sabe, estamos juntas há 4 anos e temos uma vida bem tranquila enquanto casal. Nossas famílias aceitam, respeitam e nos permitem continuar vivendo esse amor lindo e fofo. Pode deixar que posto fotos quando casarmos.

Bom, em toda viagem, principalmente quando vamos só nós duas todos os amigos, familiares e conhecidos ficam preocupados. Sem hipocrisia, eu entendo eles. O que mais vemos são manifestações de intolerância mundo à fora e como somos nós duas sozinhas, as pessoas acabam achando que estamos vulneráveis. E de certa forma, estamos. Não que isso mude a nossa forma de agir.

Foram sete dias em um país diferente, com um idioma diferente e com costumes diferentes. Não sabíamos muito bem o que esperar e nem como as pessoas poderiam reagir a nós duas, mas o engraçado é que, por algum motivo, eu me senti mais à vontade de abraçar e beijar minha namorada na rua, do que sinto em casa. Peraí, onde está o erro?

Onde as coisas saíram do trilho para que eu me sinta mais a vontade com a pessoa que eu amo longe da minha casa? Quando eu a abraço um pouco mais apertado por aqui sempre fico olhando de canto de olho para as esquinas para não ser pegar de surpresa caso algo aconteça. Quando vamos ao cinema, esperamos as luzes se apagarem por completo para dar um beijo, afinal de contas, nunca se sabe quem está nas cadeiras atrás de nós. Onde o Brasil se tornou um país tão intolerante e tão absurdo para os próprios brasileiros? Qual foi o momento que eu precisei pensar duas vezes antes de brincar com a minha namorada na rua com medo de apanhar?

Onde foi o momento que passamos a nos sentir mais segura em outro país? Qual será o momento que isso vai começar a mudar por aqui?

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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