Entrevista exclusiva com As Bofinhas

bofinhas.pngQuem nunca ouvir falar nAs Bofinhas? A dupla sertaneja formada por Duda e Aline, lésbicas assumidas e dois talentos da música brasileira.

Não gosta de sertanejo? Tudo bem. Essa dupla significa muito mais. É a quebra de paradigmas de uma sociedade que demora a enxergar o mundo como ele é. Elas mostram Brasil à fora o que elas são de verdade. Lésbicas, ‘machinhos’, sertanejas, cantoras e muito talentosas.

Com vocês, Duda e Aline, As Bofinhas

 

 

 

1 – Como surgiu a dupla?
Duda – Bom, a dupla é uma ideia minha. A princípio, eu queria fazer “A Bofinha”, mas acho que daria mais peso se fosse “As Bofinhas”.
Mas antes vamos voltar no tempo, mas precisamente em novembro de 2012. Conheci no ano passado a Aline, e criamos um grande vínculo de amizade, apenas amizade. Diante da situação, resolvi chamá-la para uma brincadeira no facebook. Já tinha conversado com ela sobre montar uma banda, e sair Brasil afora cantando sertanejo.
Diante da situação, resolvi colocar um banner no facebook, com nossos rostos, e falando sobre sermos a primeira dupla gls do Brasil. Nossa… Não demorou muito, e o telefone começou a tocar, porque colocamos o número como se fosse um banner de vendas de shows mesmo. Foram 41 ligações no dia que o banner apareceu no ar, cheguei a tirar o chip do celular.
Aline – Quando a Duda me falou da repercussão, já era tarde para voltar atrás, as pessoas queriam uma fã page, música, perguntavam onde poderiam baixar, enfim. Mas baixar como? Não tínhamos nada, era apenas um projeto de música.

2 – Vocês já cantavam antes de formar As Bofinhas?
Duda – Eu tinha um projeto infantil chamado “Gata Marrentinha”.
Aline – Eu sempre gostei de cantar e cantava na igreja evangélica.

3 – Como vocês decidiram pelo sertanejo?
As duas – Sertanejo sempre foi nosso interesse. Duda tem uma tendência a gostar de sertanejo, e de trabalhar com projeto de música infantil. Eu Aline, gosto de música sertaneja porque sempre vive entre ela. Sou do interior de SP (Araraquara) e na minha cidade é o que povo ouve.

4 – Como foi sair do armário para vocês?
Duda – Não foi ruim, estava muito quente… kkkkk.
Bom, eu sabia o que eu era, e o que eu gostava desde cedo. Graças a Deus não tive problemas em casa, já que meus pais sempre me apoiaram. Na verdade eu acho que eles já sabiam.
Quando eu contei por volta dos 17 anos de idade, acredito que não foi nenhuma surpresa, até pelo fato de sermos “machinhos” na relação. Quando você é uma lésbica passiva, você mantém uma aparência mais feminina, não que isso engane ou desengane alguém, mas você não cria suspeitas. Agora quando você é ativa na relação, as pessoas batem os olhos em você e já sabem o que você gosta.
Aline – Na verdade fui denunciada (risos) por um mudo. Ele contou para minha mãe que eu gostava de mulher. Como? Não sei ao certo, mas ele fez umas mímicas que minha mãe entendeu e juntou as peças. Pelo fato de ser de família evangélica isso pegou um pouco, mas no fundo meus pais entenderam e acabaram me respeitando. Hoje todos na minha família me respeitam.

5 – Vocês já sofreram algum tipo de preconceito ou situação embaraçosa?
Duda – Sim, como falei pelo fato de sermos masculinizadas, isso acaba gerando preconceito. Em ônibus, já vi homem olhar para mim, e dizer que eu preciso de um macho grande para virar mulher, outros ficam dando risada, e até mulher hetero olha para a gente com cara de nojo. Isso não muda nada, continuo do mesmo jeito, firme com meus interesses. Preconceito todas nós sofremos, e isso não pode ser motivo para abaixar a cabeça.
Aline – Já sofri preconceito na faculdade. Na rua uma ou outra pessoa me encara, com ar de interrogação, às vezes confundem se sou um homem mais afeminado, ou uma mulher mais masculina, mas no geral fica apenas nos olhares. Alguns fazem comentários baixinhos, mas fico na minha. Respeito todas as pessoas, e sigo minha trajetória de vida, sem me importar muito com o que eles estão falando a meu respeito.

6 – Fale sobre a música “Saindo do armário”.
Duda – A música de composição do Fabinho Fogassa é na verdade uma canção que serve para dar um aporte, àquelas pessoas que querem sair do armário. Não que seja obrigado, mas se quiser estamos aqui para ajudá-las. Desde o inicio da dupla, foi uma escolha nossa, fazer música com letras e melodias de fácil memorização.
Aline – Nada melhor do que enfrentar o preconceito através da música. Não que as outras não seja, mas “Saindo do armário” é nossa filha caçula, e estamos muito felizes com o andamento de tudo. Estamos através da música, conseguindo dar voz a uma luta sem fim, contra o preconceito.

7 – Deixem um recado para as meninas Brasil à fora que veêm em vocês um exemplo entre o meio LGBT.
Duda – Gostaria de dizer para você que está lendo nossa entrevista, que siga seu caminho sem deixar que ninguém interfira nas suas escolhas e vontades. Nunca, em hipótese alguma, deixe de fazer algo só porque o outro não quer. Seja você mesmo, e não case com um homem se você não é hetero. Seja feliz!
Aline – Queria dizer para nossas fãs que estamos juntas, mas queria dizer também que não faça algo só porque é bonito. Se assumir lésbica não quer dizer se assumir para o mundo. O importante é ser feliz, e para isso você precisa estar bem consigo mesmo, e se aceitar diante da sua situação. As adversidades da vida vão tentar te derrubar, mas você deverá ser forte, para suportar os obstáculos.
Duda – Viva na verdade consigo mesmo e serás livre.
Aline – A forma mais elegante de combater o preconceito é através da música.

Queremos agradecer a visita do Grupo HPM, muito obrigada pelo carinho conosco. Estamos felizes com tudo o que vem acontecendo, e fiquem ligadas no nosso site asbofinhas.com.br, para acompanhar nossa agenda de shows.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Este post tem um comentário

  1. Assisti a entrevista da dupla no programa da Gabi….. Gostei da sinceridade delas, são pessoas corajosas. Aprendi muito com elas e, entendi que o ser humano deve perseguir este objetivo – ser feliz. Sucesso, meninas ou meninos, como queiram!

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