Nathalie Vassallo: a carioca que conquistou Nova York

“Eu queria um monte de coisa: ver o mundo, ouvir jazz nas ruas do Soho, conhecer os artistas de rua, os bacanas do Village, colecionar experiências e epifanias, estudar, virar escritora e conhecer a Jennifer Aniston. É, eu era fã.” E foi assim, que em 2008, Nathalie Vassalo pegou suas malas e se mandou para Nova York. Aquela bela cidade que nunca dorme e ilumina os sonhos de tantas outras meninas pelo mundo à fora. Essa carioca foi lá e fez.

Antes de contar sobre ela, vou contar como eu a conheci. Estava um dia desses lendo as notícias na internet quando me deparei com um link com o seguinte título: “como não reagir quando uma pessoa sai do armário em gifs”. Eu já comecei a rir com o título e mantive aquele sorriso no rosto até o final do post. Quando vi a autora estava escrito assim: Pesquisadora, queer e publicitária. Foi quase uma paixão a primeira vista (brincadeira, tá gente?). Fui atrás dela, chamei para conversar no twitter, trocamos DMs e emails e então fiz uma pequena e rápida entrevista com essa carioca que foi lá fora conquistar o mundo, além de ser fofa, simpática e super acessível com azamigues brasileiras!

A Nathalie levantou um dia da cadeira e foi atrás dos sonhos dela. Não tem medo de enfrentar o diferente e faz o que der na telha, inclusive tentar tocar violão, como toda boa sapatão que se preze, mas não deu muito certo. A menina é boa pra cacete nas fotos e com as palavras. Mas se você pensa que é só isso, tem muito mais. Ela passou por situações nem um pouco agradáveis com a família devido a sua sexualidade e, ao invés de voltar para o armário, quebrou a porta de vez. E foi onde encontrou um muro ainda maior: a hipocrisia do “eu aceito mas agora esconde” é o que mais dói em uma pessoa que se vê obrigada – por amigos e familiares – a esconder do mundo aquilo que realmente é. “Essa história de dizer “eu aceito, mas eu acho que você devia esconder porque as pessoas lá fora vão julgar” te alimenta com muita vergonha, uma espécie de desonra – e isso dói demais”

Vivendo lá fora, a diferença é ainda mais gritante. O Brasil ficou em choque quando a Daniela Mercury postou fotos com sua esposa, a Malu Verçosa, mas ninguém mais se importa com as milhões de namoradas que os jogadores de futebol tem ou com o novo namorado da Preta Gil. “O maior problema do Brasil não é só o fato de estar ruim – é o nem saber o quão ruim está…(Estar) fora do armário é agir da mesma forma que seus amigos heterossexuais agem.”

Mas nem tudo está perdido. Nathalie também concorda que o fato do judiciário regular o casamento homoafetivo e garantir os direitos previdenciários é um grande passo para o Brasil começar a pensar em uma sociedade realmente igualitária, mas que acaba esbarrando na eterna mania da política brasileira não separar o Estado da religião. A bancada evangélica – e o poder que ela tem – é um atraso e uma pedra no sapato do nosso desenvolvimento humanitário. Os avanços existem, mas ainda não são nem metade do que deve ser feito, afinal de contas, a homofobia ainda não é crime. “permitir que uma religião cite as regras de uma inteira sociedade é injusto demais. No final das contas, a religião – ou o poder que ela tem – ainda atrapalha muito a conquista dos direitos na esfera governamental”

Foto: Tim Colose
Foto: Tim Colose

Quando o assunto ficou mais leve, perguntei sobre o beijo entre Félix e Niko e foi aí que a Nathalie me surpreendeu ainda mais. “A gente teve sexo selvagem com Presença de Anita há cinquenta anos – éramos crianças; você lembra? Já está mais que na hora de uns amassos gays em novela. Quero ver pintar um vuco-vuco.” Não faz todo o sentido do mundo? Nós aguardamos, como se fosse uma final de copa do mundo, que dois homens que mantinham um casamento com filhos, amor, respeito e carinho dessem um beijo, que cá entre nós, nem língua teve, e há vários anos atrás a Globo já mostrava cenas fortíssimas de sexo entre Zé Mayer e Mel Lisboa. “Tenho que ver Mel Lisboa encenando um anal com o José Mayer mas é pra ficar chocada com o beijo na boca de dois caras lindíssimos.” E eu ainda acrescento, nós convivemos, na mesma novela, com cenas fortíssimas de violência, crueldade e maldade sem fim com direito a esfaqueamento, envenenamento, enterro da própria e tia e até tentativa de assassinato de uma criança e o beijo era o grande problema? O quão hipócrita é esta situação?

A Nathalie é, acima de tudo, uma entusiasta do ser humano pensante. E foi aí que eu me identifiquei ao máximo com ela. Sempre disse aqui no Grupo uma coisa: eu quero mudar o mundo. Mesmo que seja o mundo de alguém. E o mundo só se muda quando as pessoas começam a pensar, quando as pessoas se permitem mudar a forma de pensar, se permitem conhecer o outro, abri a mente para o próximo e principalmente, abrir o coração para o próximo.

Uma dica? Se inspirem na Nathalie, o mundo precisa de mais pessoas que querem mudar a forma de pensar do mundo. É só assim que o mundo gira, muda e se torna um lugar melhor para nós e para os que ainda vem pela frente.

“Uma de minhas mais longas cruzadas gira em torno da defesa do intelectualismo – não no sentido piegas e pretensioso. Eu acredito que analisar e entender o mundo – outros humanos e nós mesmos – é a melhor forma de ser pessoa. Preconceito, afinal, vem de ignorância.” 

Quer ver a entrevista completíssima dela? Clica aqui ó

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@NVassallo7
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Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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