Capítulo 7 – Montanha Russa

Capítulo 7 – Montanha Russa

Haviam se passado longos dez dias, depois que Amy abrira a caixa que revelava o motivo pelo sumiço de Isabel. Longos dez dias desde que Dani finalmente resolveu dar uma chance ao seu coração e permitir que a caçula dos Collins lhe levasse ao tão sonhado primeiro encontro. É engraçado como as vezes, a dádiva do tempo pode parecer cruel. Quando queremos que ele passe depressa, pode passar devagar, tão devagar, que aquilo que ansiamos tanto que aconteça parece algo inalcançável. Por outro lado, quando queremos que o tempo dure, ele parece correr como nunca antes.

Era assim que as irmãs Collins se sentiam naquela tarde de sábado. A ansiedade as consumia, porém de uma forma oposta. Ana, pela expectativa de finalmente ter um momento com Dani, nunca teve a sensação de ter esperado tanto por algo. Perdera a conta, inclusive, de quantas noites dormiu mal, fantasiando sobre o encontro e se perguntando se aquilo tudo era real. Amy, por outro lado, queria nunca ter aberto aquela caixa, para que esse dia não chegasse. Se ela pudesse teria congelado o tempo por puro receio do que estaria por vir. Sentimos tão parecidos, e ao mesmo tão distintos. Um era suave, o outro nem tanto. Um remetia a chegada de algo novo e bom. O outro, o desconhecido.

Ana, àquela altura, nem podia mais lembrar-se de quantas blusas havia colocado. Sua cama estava tomada por um emaranhado de roupas de todos os tipos e cores e ainda assim, todas pareciam insuficientes para lhe tornar atraente o bastante para sua executiva. Na verdade, ela nem sabia se queria parecer atraente, ela só queria que a Dani a olhasse como uma mulher e nada mais. Bufou, irritada, esbravejando um palavrão depois de arrancar outra blusa de si.

– Já aviso que as minhas roupas estão fora de cogitação! Se vai sair com a minha melhor amiga, terá que dar adeus ao meu closet mocinha. Ela conhece todo meu vestuário então trate de escolher uma blusa ou vai pelada logo de uma vez. Amy brincou com a irmã, tentando distrair seus pensamentos do compromisso que tinha com Isabel em uma hora. Por mais que tivesse seus próprios problemas, saiba o quanto aquela noite era especial pra sua irmãzinha.

– Você não está ajudando idiota…. A caçula bufou, irritada.

– Ei, calma, pirralha! Você fica ótima com todas essas blusas e sabe disso. Qual o problema, afinal?

– Ah eu sei lá. Parece que nada está bom o bastante… Acho que só estou pirando. Saco!

– Ei… olha pra mim ruivinha emburrada. Amy pediu a caçula fazendo voz de criança, e mesmo revirando os olhos, pela primeira vez viu a mais nova esboçar um sorriso, enquanto a encarava – Acredite, Dani já está impressionada o suficiente por você, ou esse momento não estaria acontecendo.

– E se ela me achar infantil demais? Menina demais? Ou desarrumada demais? Arrumada demais?

– Ana… Que isso! Relaxa. A mais velha acabou rindo, segurando a irmã pelos ombros. Você tem que ser você, ok? Não tente ser ninguém mais. Haja naturalmente, vista o que te deixar mais confortável já que está nitidamente nervosa. O amor é verdade acima de tudo.

– Argghhhh! Eu odeio quando você fica madura e melosa assim sabia? É tão irritante! Ana abraçou a irmã, que riu da contrariedade do protesto, e elas ficaram assim, abraçadas e em silêncio por um tempo. Amy acariciou os cabelos ruivos enquanto sentia o aperto das mãos dela  em suas costas. Aos poucos, sentiu o coração da mais nova bater mais lento, e os músculos de seu corpo relaxarem contra ela. Amy sorriu singelamente, lembrando de quando a pequena tinha pesadelos, e ela a abraçava dessa mesma forma até que ela finalmente se acalmava.  Beijou-a delicadamente na testa assim que encerraram o abraço, orgulhando-se de que havia conseguido. Sua pequena criança agora era uma mulher, que estava finalmente apaixonada pela primeira vez na vida.

– Vai dar tudo certo ok? Eu sei que sim! Agora se apressa. Se você se atrasar vai estragar tudo.

– Eu sei… aquela lá é pontual ao extremo. Se eu me atrasar é capaz dela me deixar plantada na rua.
– Não duvide disso. Elas riram e Amy fez menção de sair, mas Ana a pegou pelo braço fazendo-a se virar.

– Eu sei que não é a hora pra falar disso, mas eu sinto que você não está bem nesses dias. Eu posso ver nos seus olhos Amy, porque te conheço até mais que a mim. Nós prometemos não ter mais segredos uma para a outra, certo? Então, quando estiver pronta para falar eu estou aqui para te ouvir. Só por favor, não carregue o mundo nas costas. Divide comigo seja lá o que for que estiver acontecendo.

A mais velha suspirou, sem tentar negar que algo acontecia. Deus sabe, a força que Amy fez para não contar a irmã tudo que descobrira. Não podia, no entanto. Não agora que ela estava prestes a finalmente ter sua chance com Dani.

– Ok. Prometo que em breve te conto tudo. Ana assentiu, beijando a bochecha da irmã com carinho.

– Eu te amo coisa chata!

– Eu também te amo, pirralhinha apaixonada.

– Ah, sai do que meu quarto! Inferno!

A mais velha gargalhou, jogando um beijo no ar e antes de fechar a porta olhou mais uma vez para Ana.

– Boa sorte! Não faça nada que eu não faria e quando voltar me poupe dos detalhes sórdidos.

E antes que uma das blusas do emaranhado acertasse a face de Amy, a porta se fechara, enquanto ambas riam. Se havia uma coisa boa no tempo, era desfrutar dele com quem amávamos. E aquelas irmãs, não trocariam suas memórias por nada e nem por ninguém. Era um amor genuíno, só delas, do modo delas… e que o tempo, por mais cruel que as vezes parecesse, apenas fortalecia.

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O ranger da moto, forte e imponente, fez a executiva dar um sobressalto da cadeira. Olhou para o relógio e ainda faltavam cinco minutos para o horário combinado. Caminhou até a entrada da sala, afastando levemente a cortina branca da janela para ver quem havia chegado. Na verdade, ela sabia muito quem era, e sua ansiedade jamais a deixaria esperar no sofá até que a campainha soasse. Seus olhos pareciam congelados na cena que presenciara. Ana Collins parecia uma pintura moderna. Os cabelos ruivos longos e acesos, contrastavam indubitavelmente com a pela branca e leitosa, e os olhos incrivelmente azuis. As pequenas sardas clarinhas pelo rosto e corpo, eram como pingos de tinta salpicados em um quadro. O toque sutil que tornava a obra única em harmonia e beleza. Era singular. Sua beleza era singular como sua personalidade. O coração de Dani parecia querer sair do peito enquanto à espiava discretamente. A ruiva, desligou sua BMW R1200 vermelha e preta e ao retirar o capacete, desfez o coque com os dedos, de modo que seus cabelos caíram como cascata por seus ombros e costas, enquanto ela balançava a cabeça para afastar os fios do rosto e ajeitava a franja levemente olhando seu reflexo no retrovisor da moto.

A executiva mordeu os lábios, prendendo o riso enquanto pensava no quão clichê tudo aquilo era. Clichê e incrivelmente bom. Sentiu-se uma adolescente diante do primeiro amor. A mesma sensação de sufocamento, coração acelerado e nervosismo lhe tomaram de assalto. Como poderia imaginar que um dia, nessa altura da vida, estaria sentindo-se novamente algo assim e logo por ela? Viu Ana respirar fundo e finalmente descer da moto. Afastou-se da janela para não ser vista e procurou acalmar seu coração descontrolado. Segundos depois, ouviu a campainha tocar. Girou a maçaneta da porta, e subiu os olhos para finalmente olhar para Ana de perto.

A ruiva sorriu abertamente, não conseguindo conter tamanha felicidade que a consumiu, quando constatou que finalmente os dez torturantes dias haviam passado. Ela estava oficialmente em um encontro com seu crush supremo. Seu sorriso se alargou ainda mais, quando viu o leve rosar nas bochechas de Dani enquanto ela sorria de volta. Toda aquela tensão entre elas parecia ter finalmente desaparecido. Era um novo começo, que ela pretendia não desperdiçar.

Olharam-se, sobre a sensação de que o tempo havia parado de repente. Os sorrisos se mantiveram ali, e os olhos azuis de Ana, não conseguiram deixar de encarar os lábios de Dani, pintados em um tom suave de rosa com brilhos. Os cabelos dela, estavam meio presos, mas as ondas castanhas caiam sobre seus ombros. A executiva vestia um jeans claro, blusa azul marinho cigana, deixando seus ombros à mostra e nos pés tinha uma sapatilha branca e dourada. Simples, como Ana amava ver. Seu perfume exalava no ar, e sem que se desse conta, respirou mais profundamente para senti-lo penetrar seus pulmões.

Os olhos de Dani também percorreram Ana. Algo nela sentiu-se ainda mais atraída. O jeans preto e rasgado nos joelhos, a blusa branca com listas pretas do New York Yankees tinham o número 23 no peito, que era o dia de seu aniversário. Nos pés, um tênis branco e preto refletiam exatamente o estilo despojado de sua menina mulher. A garota descontraída que via beisebol na TV enquanto comia pipoca e xingava o juiz, foi a lembrança que ascendeu em Dani naquele momento. Havia visto aquela cena tantas vezes, e ainda assim, agora tudo parecia ser novo e assustador.

– Uau! Você está… linda! Ana disse em tom ameno e encantado.

– Obrigada. Você também. Dani confessou, mantendo seus olhos no dela.

A caçula apertou as mãos no bolso traseiro da calça, pedindo ajuda para todos os deuses, para que não empurrasse ela porta a dentro enquanto tomava sua boca com gana. Não podia fazer daquele momento mais um de desejo carnal entre elas, embora sentisse as faíscas chamuscando pelo ar. Precisava conter-se, mostrar a Dani um outro lado dela. Tinha que ser diferente dessa vez.

–  Então – pigarreou nervosa – pronta? A ruiva apontou a moto com um sorriso maroto, e Dani se deu conta de que havia outro capacete preso no banco traseiro. Como poderia ter reparado antes, diante da cena de Ana soltado o capacete?

– O quê?! Nós vamos de moto?

– Sim, ué! Ana riu, achando graça da pergunta.

– Ana, não acha melhor irmos de carro? Mais seguro, com cinto de segurança, air bag…. A ruiva não pode deixar de rir.

– Ei, eu tenho habilitação e piloto muito bem, ok?

– Não duvido, mas…

– Sem mais! Você prometeu que deixaria eu guiar nosso primeiro encontro, então, a July vai junto.

– July?

– Sim. Ela trouxe até um capacete pra você novinho em folha!

– Jura? Você deu um nome a sua moto? Dani riu.

– Claro! Ela é minha companheira de longa data, não posso chamá-la de moto apenas. Onde está sua humanidade senhora empresária?

A executiva balançou a cabeça rindo, enquanto fechava a porta com a chave.

– Ok, você venceu. Mas, por favor, ande devagar!

– Tudo bem, você que manda. Mas seu fosse você, deixaria eu acelerar de vez em quando. A sensação é ótima, vai por mim.

Elas caminharam até a moto e Ana estendeu o capacete branco e vinho para Dani. Ela colocou-o, mas ficou enrolada com a fivela, fazendo a ruiva dar um risinho encantado. – Posso? Ana perguntou, apontando para a fivela e a executiva assentiu. Ela então aproximou-se, ajustando com cuidado o capacete aberto em seu rosto e puxando a tira com cuidado até que ficasse bem preso. Com a proximidade dos rostos, seus olhos desceram para os lábios de Dani vendo quando ela os mordeu devagar. Ana encarou aquele movimento, sentindo seu corpo ferver enquanto sentia o ar mais pesado, e novamente buscou forças para conter o impulso de beijá-la. Haviam se comprometido a começar do zero, e definitivamente isso não englobava beijos roubados cinco minutos depois de chegar para buscá-la.

– Prontinho! Sussurrou, afastando-se de Dani enquanto colocava seu próprio capacete e montava na moto. – Vem, pode subir! Dani assentiu, montando no banco traseiro enquanto ouvia o barulho do motor rangendo. – Você pode segurar no pegador lateral, ou em mim ok? O que te deixar mais confortável.

Dani optou pelo pegador lateral, mas assim que Ana deu a primeira acelerada e o vento cortou seu corpo com força, ela sentiu que voaria daquela moto há qualquer momento. Em reflexo, suas mãos soltaram do pegador e envolveram-se na cintura da ruiva, que riu por dentro do capacete. A estratégia de acelerar com força havia dado certo afinal. Ela não queria jogar tão sujo, mas já que não pode beijá-la, ao menos teria suas mãos macias sobre sua cintura  por alguns minutos.

– Tubo bem? Ana perguntou virando levemente o rosto para o lado enquanto desviava de um carro ou outro pela estrada.

– Sim, só nervosa, mas bem.

– Se concentre na paisagem ok? Vamos passar pela orla de Ipanema agora. Olhe para o mar e esqueça por um momento que está na moto. Isso ajuda a relaxar e se sentir confiante.

Dani não protestou, pelo contrário, achou muito fofa a preocupação da ruiva com ela. Seus olhos viraram-se para a praia enquanto o cheiro de maresia se fazia presente. Era fim de tarde e no horizonte, o sol começava a declinar. Aos poucos, aquela paisagem, o cheiro do perfume de Ana, o conforto que sentia em abraça-la na garupa, trouxeram uma sensação de paz e segurança. Algo que há tempo ela não sentia. Esqueceu o nervosismo por estar andando de moto. Se quer pensou na velocidade ou no risco. Aproveitou o momento, como há tempos não fazia. Sem que percebesse, seu corpo acomodou-se ainda mais e quando deu por si, repousou o queijo no ombro de Ana enquanto olhava o mar. A ruiva, virou levemente o rosto e sorriu abertamente. Estava tudo correndo como imaginou até agora. E seu coração parecia finalmente em paz.

***********************************

– Caramba! Este lugar é incrível.

Dani exclamou quando entraram no Old School Rock Bar. O lugar era enorme. Tinha uma pista de boliche à esquerda. No centro uma enorme mesa de sinuca. Uma junk box perto das mesas de bancos acolchoados. Do outro lado apenas com máquinas de pinball, e espaço para tiro ao alvo. No local onde ficavam as mesas, as paredes eram preenchidas com fotos em preto e branco de bandas antigas do Rock Nacional e Internacional. O bar era enorme e ao seu lado, tinha um mini palco onde bandas de todos os estilos tocavam ao vivo e uma pista de dança logo à frente. O letreiro em neon, anunciava que as 19h uma banda chamada “Vespas do Asfalto” cantaria os melhores hits do Rock Nacional.

– Eu descobri esse bar durante a faculdade e é incrível. Sei que você gosta de Rock, então torci que não conhecesse ainda. Ana disse mais próximo do ouvido de Dani, já que estavam perto da Junk Box.

A executiva, virou para ela, e seus olhos brilhavam encantados. Não apenas pelo lugar incrível, mas por perceber que dar uma chance para que se conhecessem melhor talvez tivesse sido sua melhor decisão em anos. Parecia cada vez mais claro, para ambas, que aquilo que conheciam uma da outra, pelo fato de Dani ser a melhor amiga de Amy, não queria dizer muita coisa. Havia muito mais nelas a oferecer, a desvendar.

– Eu adorei Ana, obrigada por me trazer. Dani disse com um sorriso sincero.

– Bom, como você viu o lugar é enorme e temos muitas opções. E essa banda também é ótima. Você vai adorar.

– O nome é bem ousado. Dani riu.

– Acredite, o som é ainda mais. Rock in roll puro bebê. A executiva gargalhou enquanto ainda procura escanear o lugar com os olhos, se sentindo incrivelmente bem. Não sabia se porque adorava lugares assim, com esse estilo de música, ou se porque estava ali com Ana. Talvez fosse as duas coisas.

– Então, que tal uma partida de boliche? Eu aposto que vai perder. A ruiva brincou, e mordeu o lábio quando Dani virou-se para ela, com uma sobrancelha erguida em virtude da provocação.

– Quer dizer que você acha que eu só tenho habilidade para ler contratos e fazer propaganda? Você está tão errada!

– Estou?

– Definitivamente.

– Certo, então, vamos tornar isso divertido. Se eu ganhar, tenho direito a escolher um prêmio. Se você ganhar, pode escolher.

– E de que tipo de brinde estamos falando?

– Não sei. Talvez uma bebida, um jantar, um stripe tease… Ana disse levantando as duas sobrancelhas enquanto mencionava a última opção. Dani a acertou com um tapa no ombro, mas logo riu.

– Isso é desleal. Você deve jogar muito bem.

– Bom, eu costumo fazer strike até de olhos fechados, mas prometo pegar leve. Com medo do desafio senhorita Moralles? Ana se aproximou, sussurrando a última frase com um tom travesso.

– Não sou de ter medo. Ok, desafio aceito.

Elas apertaram as mãos e caminharam até a pista de boliche. Ana apresentou a pulseira na recepção para registrar o valor da hora. Receberam os sapatos e digitaram seus nomes no tablet, para que refletisse no painel eletrônico.

– Pronta?

– Eu nasci pronta, bebê. Dani piscou sedutoramente para Ana, que ficou paralisada enquanto sua executiva caminhava até a pista e lançava a bola roxa com força e precisão. Os olhos azuis da caçula acompanharam os movimentos, e ela se sentiu intrigada quando viu que Dani parecia familiarizada demais com o jogo. O modo como pegou a bola e encaixou nos dedos do jeito certo, a posição corporal certeira e precisão com que fez o arremesso. Sua boca abriu em surpresa quando a bola acertou o centro da pilha de pinos, derrubando todos.

– Strike! Uhuullll! Dani levantou os braços comemorando e virando para Ana, com um olhar totalmente travesso.

– Você….

– Eu o que?

– Me enganou! Sabe jogar muito bem! Eu não acredito nisso…

– Ué, achou que eu tiraria as roupas assim tão fácil? Dani aproximou-se da ruiva, entregando-lhe uma bola preta. Sua boca aproximou-se do ouvido dela e delicadamente, ela colocou uma mecha ruiva atrás de sua orelha. Ana fechou os olhos em reflexo, sentindo-se embriagada por aquele perfume. – Pois você que lute!

A executiva roçou o nariz suavemente em sua bochecha, e segundos depois afastou-se, mandando um beijo no ar enquanto uma Ana estática não conseguia fechar a boca.

– Isso é sujo, isso é muito sujo!

– O que? Dani riu, debochada.

– Está tentando me distrair, mas não vai funcionar ok? Eu ia pegar leve, mas agora é questão de honra. A executiva deu de ombros, ainda sorrindo, enquanto Ana a olhou desafiadora e caminhou para pista. Lançou a bola. Estava triunfante com o strike anunciado, mas no último instante a bola deu uma leve caída para direita e derrubou quase todas, mas uma manteve-se de pé. Dani comemorou, jogando em seguida, e fazendo outro strike.

Elas jogaram por cerca de 40 minutos, e no final, a executiva levou a melhor. Ana ainda estava xingando os dois malditos pinos que balançaram, mas não caíram. Dani tinha nove pontos na frente, então precisava de um strike para virar o jogo. No fim, acabou perdendo por um ponto.

– Mas que pinos filhos de uma p…. Não terminou de xingar, porque a gargalhada de Dani soou no ar. A ruiva virou-se para ela, com um olhar fulminante, enquanto seu crush supremo, parecia ter ouvido a piada mais engraçada do mundo todo. – Ei, isso não tem graça!

– Tem sim!

– Não tem não! Ana aproximou-se protestando.

– “Eu ia pegar leve, mas agora é questão de honra”. A executiva a imitou, rindo novamente. Ana mal podia acreditar no atrevimento daquela menina. E, o pior, é que estava sendo alvo de gozação e nem assim conseguia a achar menos linda. Dani estava tão leve, descontraída, como nunca ela tinha visto antes. No trabalho se mostrava sempre tão séria ou provocante, e ela não podia imaginar que por trás de toda aquela pose tinha alguém tão divertido.

– Pode rir a vontade, mas essa noite ainda não acabou.

– E no que pretende me vencer ainda hein?

Ana aproximou-se ainda mais, apoiando ambos os braços no balcão onde as bolas ficavam e no qual Dani estava escorada. A executiva ficou presa entre ela e o objeto, e de repente parou de rir, quando viu o rosto cheio de sardas rosadas e os lindos olhos azuis tão próximo dos seus.

– Bom, é como dizem… Sempre tem a sinuca, o tiro ao alvo e as rodadas de pinball. A voz meio rouca da ruiva, falou bem perto do ouvido de Dani.

– Ainda assim, você perdeu a aposta. E eu estou em vantagem…

– Talvez. Ana beijou-a na bochecha delicadamente e Dani fechou os olhos sentindo o coração acelerar como louco. – Vem, vamos beber alguma coisa, a banda já deve começar a cantar. Ana estendeu a mão, e Dani olhou o gesto, não conseguindo fazer nada além de segurar a mão dela e sentir o coração quase saltar pela boca, quando os dedos longos e magros de Ana entrelaçaram-se aos seus puxando-a em direção as mesas.

**********

Quando a banda Vespas do Asfalto começou a tocar, o bar já estava cheio e animado. Haviam pessoas jogando boliche, outras sinuca e pinball. Algumas sentadas ao bar, outras pelas mesas e um grupo dançava no palco músicas de Rock Nacional dançante. Ana e Dani conversando distraidamente em uma mesa no canto, enquanto comiam um petisco e bebiam. Ana estava tomando refrigerante, porque ainda tinha uma moto para guiar. Dani optou por uma pina colada, drink que ela mais gostava.

– Então quer dizer, que você colou em uma prova no colégio? Quem diria hein? Ana riu, da história que a morena estava contando sobre como foi para detenção e Amy a resgatou.

– Eu não consegui estudar aquela noite e era a prova final então, tentei colar, mas nunca fui muito boa com essas coisas. Você sabe, nerds não tem certas habilidades….

– Não mesmo. Ana riu. Mas, essa história eu não conheço. Como foi que minha irritante irmã te resgatou?

– Bem, ela… Dani riu sozinha, já bem mais a vontade após o drink.

– Ela?

– Nada demais, só chegou na sala e mostrou os peitos para o professor enquanto falava umas besteiras e eu bem, pulei pela janela.

E lá estava Ana, com o boca aberta novamente! Ela havia perdido as contas do quanto aquela noite estava surpreendendo.

– Não mesmo! Ela exclamou estarrecida.

– Sim! Eu não sabia se ria, se saia pela janela ou se rezava para não cair feito no chão.

– Puta que pariu! Não acredito! Ana gargalhou e Dani acabou a acompanhando. Elas riram por um tempo, até que a ruiva conseguiu respirar e continuar a conversa.

– E ela ficou em detenção?

– Que nada! O professor ficou tão petrificado que nem teve tempo de pensar. Ela saiu correndo quando viu que eu tinha saído e me encontrou do lado de fora. A gente caiu na grama perto da arvore e eu lembro que ficamos rindo a tarde toda da cara dele.

– Uau! Estou chocada!

– Nós tivemos nossas travessuras! Dani disse nostálgica. Mas e você, já mostrou os peitos para algum professor? Dani subiu a sobrancelha brincalhona.

– Bom, não. Professor não, mas uma vez eu perdi uma aposta na faculdade e tive que mostrar os peitos para um caminhoneiro na estrada. Ele quase bateu, coitado.

– Sério? Dani riu.

– Sim, foi divertido confesso.

– Você costuma perder apostas, pelo que vejo. A executiva a encarou, com um olhar mais sério e aos olhos de Ana super sexy.

– Nem todas. Mas algumas não me importo em perder.

– E porque não?

– Porque bem, vale a pena se me trouxe um momento especial, com alguém especial.

Os dedos de Ana alisaram delicadamente a mão de Dani que estava sobre a taça e os olhos castanhos não podiam desviar dos azuis. Estavam conectadas e incrivelmente atraídas como polos opostos.

– Ei, você aceita ir em mais um lugar comigo, antes que eu te leve para casa? Dani apenas assentiu, engolindo seco. – Certo, eu vou pagar a conta e já volto.

– Não, espera, deixa eu dividir com você…

– Olha juro que não tenho essas frescuras, mas só hoje, deixa por minha conta ok? Na próxima prometo que aceito a divisão. Dani assentiu, rendida diante do sorriso tão gentil de sua garota. Ficou observando-a enquanto ia até o caixa ao lado do bar e estendia o braço para que a caixa passasse o leitor de código de barras. Seu sorriso, no entanto, se fechou ao passo que viu uma mulher encostada no bar praticamente devorando Ana com os olhos. Ela apontou a ruiva para as amigas, e riram travessas enquanto claramente as mulheres incentivavam a amiga a chegar na garota.

Dani virou o restante do drink de uma vez, pegou sua bolsa e vou em direção ao caixa, mas antes que chegasse a tal mulher já havia se aproximado e sussurrado alguma coisa no ouvido dela. Dani parou no meio do local, estática observando a cena. Seu coração acelerou e seu rosto esquentou, porque se sentiu com raiva e incomodada por aquela mulher ter tido tamanho atrevimento. Mas como não poderia ter tido afinal? Elas passaram a noite toda flertando, mas sequer haviam se beijado. Então, certamente, as megeras achavam que eram só amigas.

Sem saber da onde tirou forças, Dani acelerou o passo e viu quando Ana dispensou a mulher e apontou para a direção onde estavam sentadas como se estivesse dizendo que estava acompanhada. Aproximou-se e enlaçou a cintura de Ana de lado, surpreendendo a mais nova que logo após o susto, abriu um sorriso para ela e envolveu seus ombros com um dos braços, puxando-a para mais perto. A executiva sequer levou em consideração a mulher a sua frente, apenas deixou-se fazer motivada pelo álcool e pelo ciúme uma das coisas que queria ter feito a noite toda. Encostou seu nariz no pescoço da ruiva, e depositou um beijo cálido no local. Ana arrepiou-se dos cabelos até os pés e em reflexo apertou os ombros da executiva.

– Vamos meu bem? Dani sussurrou, olhando apenas para Ana e ignorando a mulher a sua frente, como se ela simplesmente não estivesse ali. A loira desconhecida, fechou a cara e virou as costas, deixando-as.

– Uau! Obrigada por isso! Eu juro que a estava dispensando, mas ela ficou duvidando que….

Dani a segurou pelo queixo, virando seu rosto para ela e colocando o dedo em seus lábios.

– Esquece. Vamos?

Ana assentiu, em silêncio e entrelaçou novamente suas mãos na dela saindo do local. Estava cada vez mais difícil não beijá-la, tomá-la, devorá-la.

Subiram na moto e dessa vez Dani sequer tentou segurar na lateral. Abraçou a cintura de Ana e encostou seu queixo em seu ombro. Foram assim, até novamente a orla de Ipanema. Ana parou em um posto específico e convidou Dani para ir até a areia. Elas tiraram os sapatos, deixando no bagageiro da moto e caminharam pela areia. Só naquele momento Dani reparou que sua garota tinha uma bolsa nas mãos. Ela abriu tirando de la uma canga que forrou para que se sentassem. Quando o fizeram, Dani cruzou os braços sentindo frio pelo vento gelado. Sua blusa cigana era bem fresca e não ajudava muito nessas horas.

Então, foi surpreendida novamente aquela noite. Ana tirou outra canga da bolsa e cobriu delicadamente seus ombros.

– Você pensou em tudo, não é? A executiva sorriu gentilmente, com os olhos brilhando em encantamento. Há quanto tempo não era tratada daquela forma? Há quanto tempo não se sentia especial dessa forma?

– Bem, só um pouco. Eu tive dez longos e torturantes dias até esse momento, então bem, digamos que o tempo estava a meu favor, nesse sentido. Ana brincou, rindo, mas seu riso aos poucos foi morrendo, diante do olhar penetrante de Dani.

– Obrigada Ana. Por essa noite.

– Não foi nada demais, eu só…

– Foi sim. Foi especial para mim. Fazia muito tempo que eu não saia com alguém e bem, mesmo antes, nunca foi desse jeito. Você me fez sentir realmente especial, então obrigada.

– Mas você é. Você é especial para mim.

Os olhos de Ana mantiveram-se em Dani e naquele instante, não tinham mais como resistir aquela força que as atraia uma para outra. Não tinham e não queriam mais resistir. Ana virou-se ligeiramente e sua mão acomodou-se no rosto da morena. Seu coração acelerou quando os olhos castanhos como dois favo de Mel se fecharam sob o seu toque. Em seguida, Dani abriu-os novamente e suspirou.

– Beije-me, senhorita Collins.

Os olhos de Ana caíram para seus lábios e no movimento seguinte sua boca tomou finalmente a boca de Dani. Era tão macio, tão incrivelmente bom que ela não podia explicar. O selinho molhado e lento se desfez, e elas se olharam uma última vez. Não durou muito, até que Dani entrelaçasse os dedos nos cabelos ruivos, puxando-a para um novo beijo. Dessa vez, as línguas dançaram necessitadas do calor e da paixão que fervia delas. Ana puxou o corpo da executiva com força e quando Dani deu por si já estava sentada em seu colo, de lado, com ambas as mãos enfiadas entre os fios ruivos, enquanto sua cintura era apertada com força e sua boca devorada. Seu corpo fervia como nunca antes. Seu centro doía com um desejo incontrolável, mas ao mesmo tempo aquele beijo era muito mais que tesão. Era paixão. Ela sabia que sim, e que não podia mais negar. Não podia mais lutar e que se dane o mundo, ela nem tentaria.

Ana suspirou, sentindo todo o corpo pulsar por aquela garota. Já teve muitas em sua cama, mas nenhuma chegou perto de fazê-la se sentir daquela forma. Como se aquela boca fosse a única no mundo, como se aquele cheiro fosse o aroma mais perfumado do universo, como se o corpo dela fosse o mais incrivelmente perfeito. As mãos dela penetraram a blusa azul e seus dedos longos apertaram suas costas e cintura. Dani desfez o beijo, para respirar, e fechou os olhos ainda com mais força ao sentir a língua quente de Ana percorrer seu pescoço, dando beijos molhados até o seu ombro esquerdo. Ela beijou delicadamente a testa dela e Ana sorriu, antes de puxá-la para um abraço. Ficaram ali, conectadas, como se suas vidas estivessem mudando para sempre. Como se tivessem cruzado uma linha, que as levaria até um mundo desconhecido.

Trocaram beijos e mais beijos pela praia até que o frio ficou muito grande e resolveram ir embora. Ana levou Dani até a entrada de sua casa, e elas foram caminhando até a porta da sala de mãos dadas. A chave virou, e a porta abriu. A executiva, virou-se para sua garota, com os lábios ainda rosados e levemente inchados dos inúmeros beijos trocados.

– Acho que posso dizer que esse foi o melhor primeiro encontro que eu já tive…. A caçula disse e a Dani a encarou com a sobrancelha levemente elevada.

– E você teve tantos primeiros encontros assim?

– Alguns. Mas depois dessa noite, acho que o padrão ficou sabe, alto demais para comparações.

Dani sorriu e suas bochechas rosaram. Ela adorava esse jeito galanteador de Ana e geralmente lidava bem com ele quanto estava em sua pose executiva, mas não naquela noite. Estava vulnerável.

– Bem, para mim também foi uma noite incrível.

Ana aproximou-se pegando-a pela cintura, e beijando-a novamente. A sensação é que poderia fazer isso para sempre. As línguas novamente se roçaram, em perfeita harmonia, mas dessa vez em um beijo doce e cheio de significado. Quando romperam, alguns selinhos foram trocados e Ana encostou a testa na dela suspirando forte.

– Deus sabe o quanto estou fazendo força para não entrar com você porta adentro beijar todo seu corpo…. Ana sussurrou, e Dani apertou os ombros dela como se dissesse que também se sentia assim. – Mas, não quero que você pense ou sinta que isso tudo é passageiro, ou coisa de uma noite só. Então, será diferente. Diferente para mim, do que estou habituada, e para você. Você é uma mulher incrível e estou simplesmente em queda livre por você…

Dani a beijou delicadamente nos lábios.

– Se serve de consolo, eu também estou lutando comigo mesma para não te puxar pela camisa.

– Então é melhor eu ir, porque se fizer isso, vai ser difícil cumprir minha promessa de ir devagar.

Ana a beijou de novo, e se separaram.

– Boa noite, senhorita executiva.

Dani riu, balançando a cabeça.

– Boa noite, Ana.

Ana caminhou até a moto, e Dani ficou olhando em silêncio enquanto ela subia na moto.

– Vai com cuidado. Me avisa quando chegar? Ana sorriu, sem acreditar que elas estavam inclusive se falando por mensagem, incansavelmente como duas adolescentes.

– Sim, aviso sim.

– Ok, boa noite. Dani mandou um beijo no ar e se virou para entrar quando ouviu a ruiva chamá-la novamente.

– Ei, você não me disse qual será minha prenda, já que perdi o jogo.

Dani a olhou travessa, e antes de entrar e fechar a porta, disse com uma voz incrivelmente sedutora.

– Em outra noite, quem sabe, eu te diga.

E piscando, deixou a ruiva ali, com a boca aberta pela milésima vez.

– Ah, mulher, ainda me caso com você! E que nem Amy e Carlão me ouçam dizer isso.

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05 horas antes

Amy estava nervosa. Suas mãos estavam entrelaçadas a mão de sua loira, enquanto elas percorriam o longo corredor do prédio da Polícia Federal no Centro da Cidade. Anunciaram-se na recepção e logo um oficial as conduziu até a sala de investigação. A morena suspirou, olhando mais uma vez para Isabel, que beijou-a delicadamente nos lábios, como se quisesse acalmá-la. Por um momento, Amy sentiu-se mais segura, sabendo que não estava sozinha e que sua amada estava ali, com ela até o fim.

A porta se abriu e Graciela deu passagem para que as amigas entrassem. Ao seu lado, um homem de cabelos negros e barba por fazer, parecia alguém de gabarito na PF.

– Amy, Isabel, este é o Detetive de Operações Especiais, Martins. O homem altivo estendeu a mão, cumprimentando as mulheres.

– Sentem-se por favor.

Elas sentaram, e Martins pegou a caixa que a dias atrás Isabel havia mostrado para Amy. Ele tirou de lá uma pasta e abriu na frente das mulheres. Espalhou as fotos pela enorme mesa de madeira enquanto Amy e Isabel observavam tudo.

Então, o coração de Amy disparou quando viu que alguns documentos eram do FBI.

– Graci, o que é isso? Quem são essas pessoas e o que está acontecendo? Porque estamos em uma sala de investigação com um Detetive de Operações Especiais?

– Amy, preciso que você se mantenha calma e me escute com atenção tudo bem? Graciela proferiu.

– Como vou me manter calma?

– Nós analisamos o conteúdo da caixa, e bem, não ficamos surpresos. Isso tudo já era de nosso conhecimento há algum tempo, mas não podíamos fazer alarde disso. Não esperávamos que Isabel tivesse sido envolvida de alguma forma. Ficamos muito focados em você, mas foram mais espertos. Quanto à isso, peço perdão Amy.

– Que merda você está falando? Já sabiam de quê? Porque focados em mim?

– Você tem sido espionada Senhorita Collins. Dessa fez, foi Martins quem falou, chamando a atenção das mulheres para si. – Na verdade, vocês estão. Você, sua irmã e bem Isabel, porque nitidamente fica claro que estão juntas. Nós montamos toda a estratégia para que estivessem aqui sem levantar suspeitas. A agente Rodriguez se ofereceu para o caso, porque disse que não permitiria que mais ninguém te acompanhasse e treinasse.

Amy pareceu em choque. As aulas de tiro, luta e defesa pessoal que estava tendo há meses eram parte de um plano da Polícia Federal e do FBI?

– Você me enganou todo esse tempo? Amy levantou, batendo a mão na mesa e Isabel segurou a mão da namorada, pedindo que se acalmasse.

– Rodriguez, é melhor você abrir a merda da boca e me dizer o que diabos está acontecendo!

E então, a agente Rodriguez apontou uma foto à mesa.

– Ramiro Fernandez. Ele é o homem quem está vigiando você.

– E quem diabos é esse cara e o que eu tenho haver com ele pelo amor de Deus?

– Ele é um bandido procurado no México e que fugiu pra os Estados Unidos. Estamos tentando reunir provas para achá-lo e prendê-lo. E bem, achamos que ele pode ser…

– Quem Graciela? Quem esse cara é?

– Achamos que pode ser…. o verdadeiro pai da Ana.

 

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Ei Amybetes! E aí como estão?

Bem, só posso pedir perdão pela enorme hiato que a história vem tendo. Não era o que eu queria, mas a vida mudou muito, e não tenho encontrado tempo para escrever. Queria ter postado, antes, aproveitando o isolamento, mas sou da área da saúde, então imagina como tudo está uma loucura. 

Enfim, espero que ainda tenham vontade de acompanhar a história e que o capítulo traga um pouco de amor nesse momento. Até por isso, resolvi fazer outro capítulo de Dana, antes de entrar de fato, no tear de Amybel. 

Cuidem-se! E cuidem de quem ama!

Esse capítulo é para vocês! Obrigada pelo carinho.

Voltarei tão logo puder!

brucosta

Escritora de romances e fanfics. 30 anos, Carioca. Poemas publicados: 'Cerúleo' e 'Viva Assim' nas Antalogias, ambos da Editora Litteris, ano de 2015. Como me achar: Tumblr: brucosta03.tumblr.com Twitter: @writerbru E-mail: brunarafaelacosta@gmail.com Wattpad: @brucosta03

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