Cap 29 – O dia seguinte

Cap√≠tulo completo! ūüėČ

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Deitou sua cabeça perto da de Beta e deixou o sono dominar ela. Estava com seu amor ali perto, nada mais podia dar errado, pelo menos não até o dia amanhecer, e era o suficiente para o momento. Dormiram em uma paz, que só amor permite você alcançar.

O sol já ia alto quando Beta acordou enjoada e com uma dor de cabeça que parecia que o mundo todo estava ali dentro gritando. Correu para o banheiro, precisava colocar pra fora a vodka que a incomodava tanto. Não demorou muito para Tati estar segurando seu cabelo enquanto ela se desfazia de metade do que tinha dentro do seu estomago. Mesmo que tivesse vomitado a noite, parecia que tinha mais no dia seguinte. Passou rápido o enjoo e o sol já estava queimando lá fora quando as duas voltaram pra cama.

“Voc√™ precisa ir, e n√£o vai poder ser pela porta da frente” – Tati falou baixo enquanto abra√ßava sua namorada bem apertado.
“Eu sei, vou sair pela janela e vou correndo pra casa, n√£o deixo ningu√©m me ver.” – Beta sabia que a situacao ia ficar muito dificil, soltou os bra√ßos de Tati que estavam em sua cintura, colocou as duas m√£os no seu rosto, como se quem quisesse focar a vis√£o dela, olhou bem fundo em seus olhos e falou sorrindo:
“N√£o importa o que v√° acontecer daqui pra frente, eu vou estar com voc√™, e estou muito orgulhosa da sua coragem. Eu te amo muito, e estarei por aqui, sempre!”

Foi o que precisava para Tati lembrar de tudo e encher os olhos de água. Enfiou a cabeça no pescoço de Beta e deixou uma lágrima escorrer, pelo menos ela estava ali. Ficaram mais algum tempo abraçadas e então Beta a beijou mais uma vez e foi em direção janela. Tati viu sua namorada descendo pela parede de sua casa até pular para o chão, mandou um beijo de longe e viu Beta correr para o lado oposto, atravessando seu jardim. Parecia Romeu e Julieta, só que o Romeu dela não podia morrer.

Olhou o relógio antes de entrar em casa. Ia dar 7:00 e com certeza ninguém estava de pé. Beta entrou em casa tranquilamente, ainda com aquele gosto ruim de ressaca na boca e com a cabeça doendo, estava triste, sem vontade de fazer nada e doida por sua cama. Subiu para o quarto, abriu a porta e se jogou em cima de tudo que estava ali. Chorou um pouco mais. Estava com medo de perder sua menina. Não saberia viver sem ela e não queria nem tentar.

–/–

Deixou as lagrimas correrem ate que o sono a dominou e a faz apagar novamente. Do outro lado da pequena cidade, Tati tinha acabado de sair da janela, parecia ainda esperar que sua namorada voltasse para resgatar ela daquele castelo que parecia cada vez mais querer aprision√°-la. Desistiu quando pelas suas contas Beta ja estava chegando em casa. Voltou para cama.

Assim que se aconchegou entre seus cobertores ouviu sua mae sair do quarto e vir andando em direção ao seu. Virou para o lado e fingiu estar dormindo quando ela abriu a porta, nao estava com paciência para discussão logo cedo e preferiu continuar no seu quarto. D. Ana abriu a porta olhou para sua filha ali deitada como um anjo e respirou fundo, fechou a porta e voltou para sua rotina. Tati nao se mexeu, ainda mais que achou uma blusa perdida de Beta no meio das colchas, ela estava com uma blusa tipo casaco quando chegou na noite anterior, e no meio da noite deve ter tirado e acabou esquecendo! Tati gostou, ficou se afogando nos cheiros que a blusa tinha. Por um pequeno instante, parecia que Beta estava ali do lado dela, ela chorou de novo. Estava com saudades já.

Ja passava das 11 da manha, quando Tati resolveu arriscar o mundo lá fora, saiu do quarto, ate porque estava com fome ja. Desceu as escadas bem devagar, nao queria chamar atenção para si. Chegou na cozinha sem encontrar ninguém. Estava feliz da vida sozinha pegando seu cafe com leite quando ouviu passos. Pensou ser de sua mae e começou a ficar meio tensa. Por sorte era Seu Paulo que estava no escritório e veio ver se era ela que estava na cozinha.

“Dormiu bem Tatinha?”
“Um pouco pai, foi meio dif√≠cil a noite n√©?!”
“Para todos nos! Mas o importante √© descansar!”
“Cade ela?”
“Foi na igreja rezar, disse que voltaria para o almoco”

O silencio ficou no ar enquanto os dois sentavam a mesa para Tati comer alguma coisa. Seu Paulo poderia conviver com o silencio de uma maneira ate irritante. Mas Tati precisava falar certas coisas e resolveu arriscar.

“Pai, voce tambem ta com raiva de mim?”

A voz saiu baixinha, com um pouco de medo e meio tremida.

“Eu estaria com raiva de voce se voce estivesse vivendo uma vida que nao te faz feliz.”

Seu Paulo olhou para a filha e sorriu. Ela estava precisando daquele apoio.

“√Č, feliz eu estou…”

Tati pensou em voz alta lembrando de Beta e de tudo que ja viveram.

“Ser√° que minha mae deixa a Dani vir aqui hoje?”

Tati precisava conversar com alguém e precisava de um abraço apertado e de alguém que a entendesse.

“Bom, voce sabe que a Beta vir aqui, vai ficar meio dif√≠cil, mas a Dani pode sim.”
“Pai, voce sabe que eu vou continuar com a Beta nao sabe?”
“Eu sei minha filha! E pode deixar que sempre que eu puder, vou te ajudar, ta bom?”

Tati teve uma certeza nesse fim de semana, tinha o pai mais perfeito do mundo e ate hoje nao tinha se dado conta! Ele era perfeito!

Abra√ßou seu velho mesmo com ele sentado, sussurrou um “Te amo” bem sincero ainda abra√ßada a ele e tomou o rumo do quarto para ligar para Dani, armou um plano na sua cabeca para que o trio se unisse novamente. Precisava do trip√© unido para que seu cora√ß√£o parasse de doer tanto.

Desiree

Sapat√£o convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em c√Ęncer.

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