Cap 28 – Na Calada da Noite

cap 28

“Eu precisava te ver!” – Beta abraçou Tati com todo o peso do seu corpo bebado. E na mesma hora a luz do corredor acendeu. Era D. Ana, Tati sabia reconhecer o passo e estava vindo na direção do seu quarto. Ela não podia ver Beta ali, senão ia dar tudo errado. O corredor era pequeno, D. Ana já estava ali pertinho e Beta com o corpo largado não ajudava também, ela não era super leve! D. Ana parou na porta da filha e colocou a mão na maçaneta.

Tati não sabia o que fazer com aquela louca, bebada e jogada em cima dela. Se sua mãe visse Beta ali iria fazer um escandalo, tinha certeza e aí mesmo é que nada mais iria ser igual e ela nunca iria aceitar o relacionamento. Tati começou a rezar baixo enquanto colocava Beta debaixo do grande cobertor que tinha na cama. Foi tudo calculado. Na hora que Tati se enfiou embaixo do cobertor escondendo o corpo pequeno de Beta, foi a hora que D. Ana entrou no quarto. Tati rezava para Beta não se mexer e nem falar nada, D. Ana ficou poucos segundos olhando a filha dormir, meio que velando pelo seu sono, relembrando tudo que tinha acontecido, fechou a porta e fez o caminho novamente na direção do seu quarto. Apagou a luz do corredor e fechou a porta do quarto. E aí, o coração de Tati conseguiu bater um pouco mais tranquilo. Beta nem se mexeu.

Tati puxou o edredon e sacudiu Beta bem irritada.

“O que você tá fazendo aqui? Você tá louca?” – Tati sussurava gritando. Beta se mexeu e conseguiu aos poucos ficar de pé, estava realmente, muito bebada.

“Eu precisava te ver, estava com saudades e queria saber como voce ver.” – Até as frases não faziam sentido.

Tati não resistiu ao ato romantico, shakesperiano, abraçou sua namorada forte e a beijou de leve, mesmo parecendo que estava beijando uma garrafa de vodka pura. Puxou Beta para o banheiro, colocou sua cabeça na pia e ligou a água, queria que sua namorada voltasse a ser um pouco mais sóbrea, daquele jeito não iriam conversar nunca.

“Porque você bebeu tanto?” – Tati perguntou retoricamente, até porque sabia que Beta não iria conseguir responder. Deixou pra lá, continuou enchendo a cabeça dela de água para ver se resolvia algo.

“Eu não tinha nada pra fazer, e você não estava lá, aí bebi. Simples assim.” – Tati riu da resposta de Beta, as palavras saíam lentas e meio enroladas, mas eram fofas!

Beta era uma visão que Tati não cansaria nunca de admirar, mesmo ela quase dormindo em cima da pia de tão bêbada. Tinha se apaixonado de uma maneira que nunca saberia explicar por aquela menina meio louca e tão linda. A ponto de nada mais fazer sentido quando ela está longe, a ponto de bater de frente com o mundo para ficarem juntas se fosse preciso, a ponto de brigar com sua mãe para fazer dar certo. O melhor era ter a noção de que Beta sentia o mesmo por ela, não sabia se no mesmo nível, mas sabia que ela sentia o mesmo, e isso bastava, isso dava vontade de fazer dar certo, isso dava vontade de lutar por elas.

Tati estava viajando em planos, lembranças e momentos quando sentiu seu short sendo puxado pra baixo. Era Beta em uma fracassada tentativa de iniciar um sexo com sua namorada ali mesmo, só que a tontura do alcool nao permitiu que fosse a frente. Tati riu, Beta também e as duas se abraçaram, ou melhor, Tati segurou Beta em seus braços. Voltaram pra cama.

“Desculpa, eu to meio bebada” – Beta sussurrou pertinho do rosto de Tati quando deitou ao seu lado.

“Tudo bem, nao vou brigar com você!” – Tati abraçou a namorada e riu do “meio bebada”

“Você tá bem?”

“Agora eu to. Voce me faz bem.” – Tati respondeu com um principio de lágrimas nos olhos, só de pensar em perder Beta, já dava vontade de chorar.

“Você me faz muito mais do que bem! Você tem sido o motivo dos meus risos, da minha felicidade, da minha vontade. Eu te amo de uma maneira que nunca amei ninguém e dependo de você como nunca dependi de ninguém e na verdade nem sei como isso veio a acontecer, só que de um dia pro outro eu passei a te amar loucamente. E sinto vontade de você todos os dias, minutos e segundos da minha vida.”

Tati nunca tinha falado tudo isso para Beta e conforme as palavras foram saindo, as lágrimas foram correndo pelo rosto dela e quando recuperou o ar após falar tudo de uma vez só olhou para aquele pequeno corpo que tanto amava, deitada no seu corpo e viu os olhos dela fechados em paz, o sono a tinha dominado. Tati não sabia se Beta tinha ouvido alguma coisa, mas sabia que ela tinha recebido a mensagem, de alguma maneira.

Deitou sua cabeça perto da de Beta e deixou o sono dominar ela. Estava com seu amor ali perto, nada mais podia dar errado, pelo menos não até o dia amanhecer, e era o suficiente para o momento.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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