Cap 27 – Nada mais será igual

cap 27“Nao quero mais essa garota com voce! Ouviu? Já disse que nao!” – foram as ultimas palavras que Tati ouviu da mae antes de entrar no quarto.

O travesseiro não seria o suficiente para suportar todas as lágrimas de Tati, mas era a única coisa que ela tinha para poder se afogar. Ouviu ao longe seu pai engrossando a voz e mandando D. Ana se acalmar, mas não identificou as palavras que foram ditas. Só chorava e ao longe escutava o riso e a voz de Beta, não sabia mais viver sem ela e nem queria aprender. Chorou mais.

Beta e Dani estavam juntas na casa de Beta bebendo, precisavam afogar as mágoas estavam tensas, ainda mais sem notícias de Tati. Foi quando o celular de Dani apitou. Era uma mensagem de Tati, simples, rápida e auto explicativa. “Foi horrível, não sei o que fazer! Manda um beijo pra Beta, assim que puder falo com ela!”

Dani mostrou a mensagem para Beta que na mesma hora deixou uma lágrima escorrer. Dani correu para o seu lado e a abraçou bem apertado, não aguentava vendo as duas pessoas que mais amava no mundo sofrendo, ainda mais desse jeito, ainda mais não podendo estar com elas do jeito que queria. Chorou junto com Dani, era só o que podia fazer no momento.

D. Ana e Seu Paulo já tinham acalmado as vozes, agora só se ouvia o soluço de choro da mãe de Tati. Com o rosto vermelho de tanto chorar a menina desceu do quarto devagar para saber como estavam as coisas, precisava falar com sua mãe, mas com calma, sem gritaria e sem escândalos dessa vez. Chegou na sala e viu sua mãe sentada no sofá e o seu pai de pé em frente a ela com um copo d’água na mão. Seu Paulo foi o primeiro a ver sua filha encostada ali no canto esperando alguém falar algo, a chamou com a mão e quando ela chegou perto, puxou-a para um abraço, foi quando D. Ana viu então sua menina. Desabou a chorar mais ainda.

“Porque você está fazendo isso comigo? Onde eu errei?” – D. Ana falou entre lágrimas levando Tati a chorar de novo também.

“Não é assim mãe, não é uma coisa tão grande assim, é só um gosto um pouco diferente” – Tati ajoelhou para olhar para sua mãe, nos olhos dela. As duas estavam chorando muito.

“Como voce pode dizer isso? Isso é pecado e é errado! Eu não sei o que fazer!” – D. Ana começou a elevar a voz novamente e foi quando Seu Paulo interviu com um pequeno gesto com as mãos pedindo a ela para conversar com calma. Ela se sentou novamente olhando para Tati.

“Mãe, isso é amor, só isso” – Essa frase parece que dói no peito de D. Ana e o choro se torna mais intenso.

“Olha, eu não posso proibir de você ver essa menina, mas quero dizer que não quero mais ela aqui em casa nem você na casa dela. Se isso vai acontecer não vai ser com o meu apoio.” – D. Ana falou isso sem elevar a voz, pausadamente e com uma enorme firmeza e isso foi o que mais doeu em Tati que sem forças se levantou e antes de começar a subir novamente as escadas apenas disse.

“Eu sinto muito que você pense assim mãe, isso só vai me afastar de você, nada mais” – E assim Tati subiu, tinha muito a chorar ainda.

Trancada no quarto, com lágrimas escorrendo de leve, Tati ligou para Beta. Precisava ouvir sua voz, precisava dela, era tudo que fazia ela se acalmar, era tudo que ela precisava naquele momento.

O celular chamou várias vezes e quando Tati já ia desistir Beta atendeu com a voz meio enrolada.

“Meu amor! Minha…minha…” – Antes de terminar a frase Beta caiu no choro, pela voz Tati percebeu que ela estava completamente bebada, mas pelo barulho estava em casa o que deixou Tati mais tranquila.

“Oi meu amor! Como você tá?” – Tati tentou segurar as lágrimas para não fazer Beta chorar mais ainda.

“Eu to bem, eu acho, eu nao sei, mas e voce?” – Beta não queria falar dela, queria saber como estava sua criança.

“Vou ficar bem, vai ficar tudo bem tá? Só liguei para dizer que te amo muito e que isso não vai mudar nunca. E por favor, se cuida tá? Para de beber que você já tá doidona!” – Era a primeira risada que as duas davam desde a hora que saíram do colégio.

“Tá bom! Só terminar essa garrafa e paro tá? Juro juro!” – As duas riram mais um pouco, se declararam mais uma vez e então desligaram, Tati não queria dar a chance de piorar a situação em casa hoje.

As horas passaram, Tati apagou de tanto chorar, estava exausta. Beta continou para mais uma garrafa, como estava em casa, considerou que seria perdoada. Lá pelas 2 da manhã Tati acordou sentindo uma pessoa no seu quarto, deu um pulo da cama, era Beta. Completamente tonta e com o joelho machucado, conseguido na subida meio louca e impossível até o quarto de Tati.

“Eu precisava te ver!” – Beta abraçou Tati com todo o peso do seu corpo bebado. E na mesma hora a luz do corredor acendeu, era D. Ana, Tati sabia reconhecer o passo e estava vindo na direção do seu quarto. Ela não podia ver Beta ali, senão ia dar tudo errado. O corredor era pequeno, D. Ana já estava ali pertinho e Beta com o corpo largado não ajudava também, ela não era super leve! D. Ana parou na porta da filha e colocou a mão na maçaneta.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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