Cap 23 – Seria a hora da verdade?

Gabriel olhou pra trás para confirmar que não estavam vendo, tirou um cigarro daqueles de menta do bolso, acendeu e deu uma tragada para Tati. E ficaram ali fora conversando sobre a vida deles como se fossem melhores amigos desde sempre. O engraçado é que se conheciam há poquíssimas horas, mas já sabiam seus segredos mais escondidos, o que os caracterizava como melhores amigos, certo?

O jantar, finalmente estava acabando e os dois se despediram e seguiram com suas famílias. Nunca mais iriam se ver, mas nunca mais iriam se esquecer. D. Ana foi o caminho todo dentro do carro ressaltando as qualidades de Gabriel, o que na verdade fazia Tati dar risadas internas já que ela tinha conhecido um outro Gabriel, igualmente legal, mas com outras características na verdade. Era um outro Gabriel.

Chegaram em casa super cansados, Tati tentou ir acelerando o passo na frente, estava doida para se trancar no quarto e ligar para Beta, quem sabe ate mesmo dar um jeito de se verem essa noite. Mas isso tudo ficou pelo caminho quando sua mae a chamou para ir para a cozinha com ela e com o pai. Era sempre assim, quando sua mae queria falar algo de muito importante, e envolver toda a familia na discussão, chamava para bater papo na cozinha e sempre fazia algum chá ou cafe – depende da hora do dia – para embalar o assunto. E Tati estava com muito sono para aquela enrolacão familiar. Já entrou na cozinha irritada.

Chá de camomila. Pelo menos era o preferido de Tati e do seu pai. E o Sr. Paulo era bem parecido com o chá. Quieto e na dele, tinha boca e nao falava, ate porque casado com D. Ana falar era uma luta todos os dias. Sentaram os três na mesa da cozinha tomando o chá, e como sempre, D. Ana falando sem parar. O engraçado é que deva para perceber na voz dela um indicio de nervosismo, de tensão. Mas ninguém sabia exatamente o porque, na verdade demoraram a perceber o nervosismo. Só ficou claro quando ela quase derrubou a xícara antes de sentar na mesa.

“O que foi Ana? Parece nervosa!” – Seu Paulo raramente falava, mas percebeu que precisava intervir.

“Estou um pouco nervosa, mas é porque precisamos conversar. Nós dois e a Tatiana” – Chamou pelo nome inteiro, vinha problema por aí!

“O que eu fiz agora?” – Tati foi logo se defendendo! Era mais prudente.

“Na verdade é o que vem fazendo…você tem passado muito tempo com a sua nova amiga, a Beta” – D. Ana não fez cerimonias e foi direto ao ponto, queria esclarecer tudo, e de preferencia antes do chá esfriar.

Tati ficou branca. Não esperava que sua mãe fosse tão direta assim e na verdade nem sabia que ela estava tão incomodada com a situação, ainda mais depois de sexta!

“E qual o problema dela passar um tempo com as amigas? Melhor do que estar por aí com quem não sabemos quem é!” – Seu Paulo mal abria a boca, mas quando resolvia falar era o cara mais foda do momento!

“Eu não vejo problemas dela passar um tempo com as amigas, mas o que ela faz nesse tempo!” – D. Ana não iria desistir, queria a verdade e Tati já estava tão cansada de tudo que ia contar mesmo e seja o que Deus quiser, mas antes de puxar o ar para começar a falar, seu pai interrompeu.

“Se ela estiver feliz, e se não estiver fazendo nada de errado e nem for presa, eu não me importo. Melhor ela vivendo.” – Tati quase chorou, mas preferiu rir e lançar um olhar de agradecimento ao pai.

D. Ana desistiu, levantou e foi terminar o chá vendo TV enquanto pai e filha ficavam na cozinha mesmo.

“Obrigada pai! Mesmo!” – Tati falou baixinho, mas com toda a sinceridade do mundo.

“Não precisa agradecer, falei a verdade. Mas quero te pedir uma coisa.”

“Pode falar, o que o Sr quiser!”

“Comece a considerar a possibilidade de contar a verdade para sua mãe!”

“Como assim? Que verdade?”

“Que você e a Beta não são só amigas!”

Tati congelou, ficou branca, verde, amarela, rosa, azul, todas as cores possíveis. Quase deixou o chá cair da caneca e quase caiu da cadeira. Ficou uns 30 segundos em choque olhando para o seu pai que apenas sorriu, levantou, colocou a caneca na pia, deu um beijo de boa noite na testa de Tati e subiu para o quarto.

Mas como assim o seu pai já sabia? E como assim ele estava super tranquilo com isso tudo? Na hora pensou no seu irmão! Só pode ter sido ele! Recobrou os sentidos e subiu para o seu quarto, ainda em choque. Precisava conversar com Beta.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.