Cap 21 – Para encerrar a semana

As duas se surpreenderam com aquele convite inesperado. Mas pela boa convivencia, e por tudo que sentia por sua linda Tita, Beta resolveu aceitar e ir pra casa de Tati, mesmo tendo medo da mãe dela. Definitivamente, essa sexta não seria igual as outras.

Em silencio com os pensamentos a mil, as duas foram andando para casa de Tati. Ainda no gramado em frente ao colégio, Beta avisou sua mae, que ficou bem preocupada, afinal de contas, sabia do que podia acontecer quando uma mae era contra esse tipo “de comportamento”, mas logicamente nao falou nada e apenas disse pra filha se comportar, coisa de mae.

As coisas ainda ficariam mais estranhas, como por exemplo, elas chegarem e o cheiro de batata frita invadir o corpo delas. O almoco era arroz, strogonoff de carne e batata frita. A preferida de Tati. Assim que sentaram a mesa sem entender muita coisa o cheiro daquela comida que acabou de ser feita as lembrou da fome que ainda restava da larica da noite passada. Devoraram uns dois pratos cada uma. Estava uma delicia. Enquanto se deliciavam, a mae de Tati ficou sentada com elas e batendo papo, perguntando da noite passada, da aula e das coisas do dia a dia. Das duas. Algo estava estranho, isso era certo.

Comeram, brincaram, riram mas o sono as dominava. Precisavam dormir. A cama de Tati era daquelas de viuvo, nem de solteiro, nem de casal e pra evitar problemas, Beta sempre dormia em um colchão extra que tinha na casa. Ou pelo menos, fingia dormir nele. Dessa vez, quando Tati perguntou a mae onde estava o colchão o mundo girou errado e algo aconteceu.

“Filha, a Beta pode deitar na sua cama, voces duas nao cabem nela?” – Isso nao podia estar acontecendo, e Beta começou a achar que ainda estava sob o efeito da maconha e estava ouvindo coisas!

“Tem certeza mae?” – Tati achou melhor perguntar para nao correr o risco de ser uma pegadinha.

“Lógico! Uma cochilada a tarde nao vai fazer mal a ninguém nao é?” – Aí estava uma parte da explicação, era pouco tempo e pelo sono que estavam, iam realmente, dormir. Nao havia muitos riscos.

Enfim, foram deitar. Beta foi no banheiro no quarto de Tati antes e na hora de voltar para a cama foi surpreendida com sua pequena linda na porta do banheiro pulando em seu colo e a jogando de volta para a pia. Beta fechou a porta enquanto beijava Tati e curtiram alguns poucos minutos de muitos beijos, mãos e respirações ofegantes. Nem o sono tirava o fogo delas pelo visto. Nao podiam ir além do que foram. Afinal de contas, D. Ana tinha recomendado Tati a ficarem de portas abertas, e quando ela recomendava, era uma ordem. Mais ou menos assim. Agora sim, deitaram. Ainda conversaram um pouco mais, riram e aproveitaram o edredon para brincar com as mãos, mas durou pouco, o sono dominou as duas e elas apagaram.

Já passava das 5 da tarde, quando D. Ana surgiu na porta acordando as duas. Para sorte das meninas, estava uma em cada canto da cama, o que evitou suspeitas da mãe de Tati. A hora tinha passado sem que elas percebessem, e mesmo acordando tanto tempo depois, ainda estavam com sono. D. Ana depois que as deixou acordadas avisou a Tati que iriam sair para jantar com um casal de amigos mais tarde. Aquele dia estava estranho demais. Os pais de Tati não tinham amigos, muito menos do tipo que saiam para jantar, mas ok, não iriamos estragar o fim daquela semana. Enquanto D. Ana arrumava lá embaixo, Tati e Beta ainda curtiram um pouco mais a cama, trocaram declaracoes apaixonadas e beijos quentes. E prometeram se ver, com calma, no fim de semana. Beta achou melhor ir embora antes que D. Ana aparecesse de novo na porta.

Tati deixou Beta na porta e deu um beijo no rosto de sua menina, daqueles bem longos e molhados enquanto sua mãe estava na cozinha. Gritou a mãe e disse que ia subir, e saiu correndo pelas escadas, ainda em tempo de ouvir a mãe dizendo que iam sair por volta de 19:30. E já eram 18:00. No caso, Tati tinha até umas 18:30 para enrolar bastante antes de começar a se arrumar. Resolveu então fazer uma coisa que não fazia há anos. Desenhar. Tati era uma artista e estava tão feliz, que nao pensou em nada mais a fazer a não ser descontar sua alegria toda em uma folha de papel em branco. Rabiscos e som alto deixam o dia mais feliz. Três meninas deitadas na areia da praia. Parecia uma obra de arte de alguém famoso, estava lindo.

Ainda com o som bem alto, Tati tomou banho, se vestiu bem bonita, estava feliz e teve vontade de se arrumar toda. Desceu as escadas, encontrou com a mãe e com o pai e seguiram para o restaurante. Estava tudo perfeito demais para ser verdade. Assim que entraram e falaram o nome da amiga de sua mãe, o garçom mostrou uma mesa com um casal e um filho, devia ter a idade de Tati. E antes mesmo de chegarem a mesa, D. Ana sussurrou no ouvido da filha:

“Olha como o filho deles é bonitinho! Está solteiro o menino!” – Tati já desconfiava que o comportamento da mãe durante o dia não iria ser de graça. Descobriu o preço.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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