Cap 20 – Ressaca

Nesse momento Dani voltou e se jogou em cima das duas e as tres caíram na gargalhada enquanto iniciavam a segunda missão da madrugada. A próxima garrafa de vodka. Beberam até quase o dia amanhacer, fumaram o segundo baseado, estavam muito loucas quando o sol começou a nascer. Dani começou a dar indícios de que iria chorar – reação normal sempre que ela bebia e fumava – quando Beta e Tati começaram a brincar e correr e jogar areia em cima dela para que não tivessem que aturar a choradeira logo hoje, depois de uma noite tão boa. O sol veio com tudo. O calor também.

Beta e Tati estavam de pé, espantando o sono, vendo o sol nascer e fazendo com que Dani não chorasse. Sem falar nada, apenas se olhando, tiraram a roupa, ficaram de soutien e calcinha, no caso de Beta de cueca, ela adorava aqueles shortinhos que a deixavam livre. Jogaram as roupas de qualquer jeito na areia, e saíram correndo, rindo e gritando em direção ao mar. Estavam precisando lavar a alma. Dani não resistiu e em poucos minutos estavam as três dentro do mar deixando que as ondas lavassem o corpo delas. As roupas na areia jogadas representavam um pouco da alma delas, meio que jogadas, esperando o sol nascer sem se preocupar com o que podia acontecer.

Já eram 6 e pouca, estavam sentadas na areia ainda sem roupa, uma ao lado da outra vendo as ondas baterem. Dani na ponta, Beta com o braço por trás de Tati a puxando pra mais perto e em silêncio. Deixando o sol secar seus corpos, deixaram os pensamentos rodarem sem parar, as almas leves e os corações puros. Eram apenas, 3 adolescentes descobrindo isso tudo que chamam de vida. Ficaram ainda mais um tempo ali em silencio, deixando os minutos passarem lentamente até o celular de uma das três despertar as 7:00. Era hora de voltar para a vida, e como ainda é sexta. É dia de aula e elas teriam que lutar contra o sono para chegarem em casa no almoço e desmaiarem na cama.

Três criaturas lindas e leves andando pelas ruas, de chinelo com cabelos molhados, um pouco de maconha ainda na mente e muita vodka no estomago. Ah sim, e fome. Pararam no seu Zé na esquina do colégio e compraram um pedaço de bolo de chocolate cada uma e um copo de suco. Larica tinha dessas coisas. Enfim, foram pra aula. Se destacavam das outras alunas, afinal os cabelos estavam molhados e com sal, os pés um pouco sujos de areia, e os rostos bem cansados. Além daquele cheiro de vodka de quem passou a noite toda na cia dela. Mas também por um sorriso mais sincero e profundo.

Aulas vem e vão e o recreio só serviu para elas cochilarem na mesa do pátio com o sol em suas costas. As aulas do fim da sexta pareciam ainda mais lentas e o sono começava a ganhar a disputa em cada uma das meninas. E quando estavam quase cedendo e dormindo na mesa mesmo, o sinal da liberdade tocou e o sono foi embora, pelo menos por enquanto. As tres na escada na frente do colegio não tinham muitas forças nem para falar. Dani era a mais acabada, o que já era normal e deixou as duas amigas pra trás e foi andando pra casa, até porque morava um pouquinho mais longe do que elas. Beta chamou Tati para curtir o sono (e outras coisas) da tarde com ela, na casa dela. Mas Tati achou que não poderia, sua mãe iria implicar. Resolveu tentar e ligou para a mãe.

Sempre que ligava para a mãe se afastava, pois volta e meia precisava inventar algumas pequenas mentiras, o que não era o caso. Depois da visita do seu irmão estava, ao máximo, tentando colocar em prática a política da verdade. E por muitas vezes, estava funcionando. E dessa vez, além da política da verdade, estava com muito sono para pensar em mentiras facilitadoras. E aí é que as coisas ficaram estranhas naquela sexta.

“Então Tá, minha mãe disse pra gente ir almoçar lá em casa e passar a tarde lá, pode ser?” – As duas se surpreenderam com aquele convite inesperado. Mas pela boa convivencia, e por tudo que sentia por sua linda Tita, Beta resolveu aceitar e ir pra casa de Tati, mesmo tendo medo da mãe dela. Definitivamente, essa sexta não seria igual as outras.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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