Cap 18 – Até a mãe já sabe

A professora ja ia começar e Tati e Beta precisavam lutar contra o sono que as dominavam naquela manha. Mas um sono nunca foi tao bom.

A manha na escola foi difícil! O sono muitas vezes fazia os olhos de Beta e Tati fecharem sozinhos. Mas todas as vezes que lembravam o porque do sono, as coisas pareciam muito melhores.

No intervalo sentaram juntas na mesinha de sempre um pouco mais escondida para discutir a situação. Dani, com sua normal falta de delicadeza perguntou as duas tudo que queria saber, desde posições ate se usaram algum brinquedinho a mais. Tati morreu de vergonha mas ja estava acostumada com a amiga entao encarou numa boa.

Finalmente o ultimo tempo acabou! Na porta do colégio Beta chamou Tati para ir com ela pra casa, queria sua menina 24h por dia por perto, mas Tati ja tinha prometido a Dani que ia pra casa dela passar a tarde e aproveitar para contar melhor os detalhes e se desculpar por nao ter contado. Combinaram de ir a praia a noite, o trio, como sempre. Beta entendeu e achou ate melhor, poderia dormir um pouco a tarde. Se despediram e foram, cada uma para um canto, mas nunca tão felizes.

Beta chegou em casa e deu de cara com seu prato preferido, strogonoff de carne com arroz a piamontese, nada a ver, ela sabe, mas acha delicioso! E sabia que aquilo tinha uma razão, sua mae queria conversar, e ela ja ate imaginava o assunto!

Deixou a mochila, deu um beijo no rosto da mae e sentou pra comer, do lado da mae que ja estava sentada a esperando. Beta gostava da relação que tinha com a mae, ambas se respeitavam ao extremo, mesmo que nao concordassem sempre.

“Tati dormiu aqui essa noite?” – a mae de Beta nunca fez questão de ser prolixa.
“Pois é, chegou tarde, mas dormiu sim” – Beta nunca foi de mentir, ainda mais depois que seus pais ficaram sabendo de tudo.
“Filha, voce sabe que eu só quero sua felicidade, mas por favor, tome cuidado, estamos em uma cidade pequena, do tipo onde todo mundo comenta tudo. E eu nao quero ver voce se machucando de novo” – enrolacao nao era o forte da família, mas era melhor assim. Pratos limpos.
“Mae, nao se preocupa, estou dando um passo de cada vez, igual bebe. Mas pra voce saber, eu estou muito feliz, voce nao faz idéia” – Beta tinha um sorriso no olhar que nem sua mae nao tinha visto ainda.
“Eu estou vendo! Gosto da Tati, ela é uma menina muito especial” – sua mae era uma fofa.

Terminaram o almoço falando delas um pouco, fazia tempo que nao tinham um momento mae e filha como aquele, foi bom demais. Beta ajudou a tirar a mesa e voou pra sua cama, o sono a dominava.

Do outro lado da cidade, Tati estava sendo interrogado por Dani. Mesmo com vergonha respondia todos os mínimos detalhes!
“Qual foi a melhor posição?”
“Uhmmmm, o 69 e eu em cima dela!”
“Muito barulho?”
“Nos controlamos, ate porque nao podíamos acordar os pais dela!”
“Quem fez oral primeiro?”
“Ela, mas eu fiz logo depois também!”
“Oral é bom?”
“É maravilhoso!!!!”
“Doeu?”
A pergunta que Tati estava evitando!
“Doeu um pouco no inicio, mas a Beta nao sabe!”
“Entao quer dizer que a Beta nao sabe que ela tirou sua virgindade?”
“Nao! Nao tive coragem de contar”
“Mas porque? Tenho certeza que ela ia gostar de saber!”
“Fiquei com medo de parecer criança, ela é super vivida!”
“Deixa de bobeira e conta pra ela mais tarde, senão eu conto!”
Tati sabia que Dani era capaz de contar, entao começou a se preparar para a conversa!

Depois do extenso interrogatório, das risadas e das brincadeira, Tati quis tirar um cochilo enquanto Dani ajudava a mae com o jantar.

Passava das 8 da noite, as três meninas que nao se desgrudavam andavam juntas pela principal, e única, rua da cidade em direção a praia. Duas garrafas de vodka, suco, energético e dois baseados para curtirem a noite! Era quinta feira e elas mereciam!

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Este post tem 2 comentários

  1. Denise Leite Orailes

    Adoro suas historias!
    É sempre bom ver que tem alguem bom escrevendo historias mais proximas a realidade!
    Sou “velha na área” então já pude ver que não é um bixo de sete cabeças!
    Comecei a namorar uma menina com 15 anos, hoje com 22 posso dizer que é muito bom! Minha historia com a Lu se equipara muito com essa e com a que você posta no Parada! Até porque ela estudava comigo! Assim como a Tati e a Beta e já trabalhei em loja e já vivi um sonho como a Carol.
    Parabéns novamente pelo trabalho!
    Trabalho em uma revista em São Paulo que esta querendo uma coluna Gay! Quem sabe você não é a proxima a vir pra cá! rs (mão crie expectativas, mas vamos ver ne)
    Espero que seus textos passem a impressão certa, você tem uma musa inspiradora, aquela que te da vontade de escrever, que te da vontade de sorrir e de ser feliz com alguém, mesmo que, com todas as dificuldades e problemas do mundo a fora!

    Abs D’Leitora.

    1. Denise, fiquei muito feliz com as suas palavras!! De verdade!!
      Escrevo há um tempo, mas sobre a temática gay, desde quando eu me assumi de verdade, que foi com uns 18 pra 19 anos.
      Sempre brinco com as minhas amigas que as historias delas um dia irão fazer parte das minhas historias. Gosto de escrever imaginando a cena acontecer. Não sou muito fã de tantas fantasias. Prefiro a realidade! rsrsrs!!

      Sua opinião me deixou muito feliz e vou até ter um bom dia agora! 😉
      Espero que continue gostando e continue visitando!

      Beijos! Mari!

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