Cap 10 – A realidade bate a porta

Mandou uma mensagem pras duas e combinaram de matar o primeiro tempo de aula, juntas. Iam se encontrar na parte detrás do colégio, a escada onde tudo tinha começado. Tati foi andando com passos acelerados, queria colocar tudo para fora que estava tirando a sua respiração. Conhecia sua mãe e sabia que aquela leve indireta de manhã tinha muitos significados por trás, e além do mais ela não tinha dormido metade da noite, ficou rondando pela casa e ela só fazia isso quando estava muito preocupada com alguma coisa. Ela sabia que as coisas iam começar a dar errado e isso a apavorava.

Chegando no quarteirão onde ficava a escola, viu a bicicleta de Beta parada na porta junto com todas as outras, era fácil reconhecer, era a única cheia de adesivos de bandas desconhecidas que só ela adorava. Já no gramado artificial, Tati acelerou ainda mais o passo, e de longe viu Beta sentada na escada, com uma carinha de preocupada e de repente parou. Ficou de longe olhando para aquela menina, que parecia ser tão marrenta, mas que ela sabia, era a pessoa mais fofa do mundo. Ela estava com a calça jeans de sempre meio surrada e rasgada, o all star vermelho que já não era mais vermelho e uma camiseta bem justa que deixava uma parte da sua barriga de fora. Tati ficou parada olhando pra ela, ficou relembrando como era bom o beijo com ela, o abraço, o carinho, o cheiro, o calor do corpo…ficou lembrando como o coração dela nunca tinha acelerado do jeito que acelerava com ela. Voltou a realidade aos poucos e começou a andar novamente em direção a ela. Agora devagar, aproveitando aquela cena que estava fazendo tanto bem!

Quando chegou mais perto Beta a viu e sorriu, muito feliz enquanto ela se aproximava, aquele sorriso foi o que fez Tati ter certeza de que ia lutar para viver aquela aventura, mesmo sem saber onde tudo aquilo ia dar. As duas se abraçaram apertado e Beta disse bem baixinho perto do ouvido de Tati:

“Já estava com saudades”

Tati riu e respondeu:

“Senti sua falta essa noite”

E as declarações poderiam continuar por muito tempo enquanto estavam abraçadas, se não fosse Dani chegando logo depois e já cortando o romantismo:

“Vocês podem deixar para continuar quando eu não estiver por perto? Fico com ciúmes assim!”

As duas rindo abraçaram Dani e as três por pouco não caíram no gramado.

Ficaram rindo por alguns segundos, e aí Tati interrompeu o momento e lembro o motivo pelo qual tinha convocado aquela reunião de emergência. Escolheram uma mesa do pátio bem afastada, onde tinham certeza que ninguém iria ouvi-las. Tati sentou do lado de Beta, bem grudadinha para sentir sua perna encostando na dela e Dani sentou de frente para as duas. Tati contou da noite insônia da mãe e da estranha recomendação durante a manhã e disse para as amigas (ou o que quer que fossem) que sabia o motivo dessa desconfiança toda.

Beta fechou a cara, sabia como era aquilo, chegou, por alguns segundos, a ter dúvida se estava disposta a encarar aquela loucura toda, e aí viu de canto de olho Tati sorrindo por alguma besteira qualquer que Dani tinha falado e aí viu ali, naquele sorriso, que valeria a pena.

Depois de quase 2 horas de conversa (acabou que mataram duas aulas) muitos risos, momentos tensos, combinações e planos, ficaram decididas que Tati e Beta iriam se afastar, pelo menos na teoria. Para todos os efeitos Tati estaria sempre com Dani, que já estaria preparada para acobertar sempre que necessário. Mas a verdade é que Tati e Beta teriam raríssimos momentos juntas e as duas prometeram, ali, naquela união sagrada de amizade que fariam de tudo para passar por isso sem machucar ninguém, e saíriam dali, melhores do que agora. Elas iriam tentar, iriam fazer de tudo pra dar certo.

Beta resolveu não se chatear desde então, mas sabia que aquilo não acabaria bem. Já tinha vivido antes e viveria de novo. Será que Tati aguentaria? Será que valeria a pena? Será que tudo isso não ia acabar com a coisa mais bonita que já tinha tido na vida? A amizade que elas três mantinham!

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.