Buracos – Cap 9 – Um lugar para começar

Nossa como você é um pé no saco e metida à sabichona. Deixa ela deitar no seu colo, e se puder mesmo com tanta proximidade faça um cafuné. Deixa ela te sufocar com um abraço afável que faça lembrar o gosto bom da segurança e do bem estar. Deixa ela te falar bobagens enquanto discretamente tenta tocar na sua mão. Sei que não gosta da invasão, mas esse tipo faz mais do que bem. Ela pode te fazer lembrar a doce infância com algumas balas de caramelo, te fazer sorrir só de se melar com sorvete, te causar medo e arrepios com histórias bobas de terror e te fazer voar que nem uma pipa saltitante no céu. Sei lá, talvez, quem sabe, um dia ela não faça você esquecer essa ideia absurda de se esconder do mundo e de fingir que o sol não apareceu mais.

Deixa ela te consolar quando não aguentar. Deixa ela te oferecer lenço de papel para seus olhos com água do mar, e manda se lascar essa complexidade de não querer se envolver, e a chama para chorar junto. Aposto que ela irá fazer isso e se puder também fará um coelho sair da cartola só pra te arrancar um sorriso. Você é tão tola que não percebe o quanto seus olhos dizem. Não adianta esconder, e mesmo que passe várias camadas de maquiagem eles continuarão distantes e perdidos. Parece que eles travam uma batalha com um fantasma ou sombra, um medo incontestável vive neles. Sem contar que esse quê misterioso que intriga qualquer um, faz com que todos que tentem sejam puxados. Pare de se culpar, de se privar do que te fez cair e se machucar. Não deixa de remar. Continua.

Eu sei que tem sido pesado e complicado, e que é fácil falar quando não está sentindo. Mas eu fico a observar você vestindo essa armadura pesada e levantando a espada pra se proteger, a inventar desculpas que está muito ocupada pra não dar satisfação da vida e a recuar toda vez que alguém chega a ultrapassar o limite. Um cuidado meticuloso para o seu coração não se estilhaçar. Um cuidado com os poucos pedaços que sobraram dos quais conseguiu juntar com tanta coragem e firmeza. Eu sei que a queda foi dura, e que te machucou um tantão assim. Mas deixa ela entrar. Deixa ela cuidar de você. Deixa ela tentar preparar um jantar romântico ou até mesmo um discurso sem gaguejar.

Quando quiser se movimentar junto com o mundo vá se balançar na rede com ela. Talvez ela te mostre o tamanho da diversidade na palma da mão, a forma como o vento dança com as nuvens e o calor que o sol transmite. Deixa ela te mostrar que até mesmo tendo um coração de leão podemos chorar que nem bebês, voar como borboletas no estômago, e a cada dia se renovar. Não é garantia de ser um mar de rosas, pois a vida tem esse lance de altos e baixos. Mas fica o aviso de que se for cair ela estará lá, que ao levantar terá alguém para te acompanhar e caso venha se machucar ela tem merthiolate. Talvez esse seja o melhor jeito de derrubar a sua cidadela. Talvez isso supra um pouco para o muito que precisa. Não vá embora sem deixar o endereço ou sequer telefone. Das várias opções que tem, quem sabe, um dia isso se torne um começo, depois vire dois ou três passos a fim de se tornar no final a sua única direção. Talvez, quem sabe, um dia.

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Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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