Buracos – Cap 1

(Para a enorme felicidade dessa autora aqui temos mais uma colaboradora no HPM. Uma das leitoras mais antigas resolveu mostrar seu dom para o mundo. Maiara Menezes para vocês.)

Era uma sexta-feira quando a vi. Estava indo ao banco resolver pendências quando notei um rosto conhecido na cafeteria. Pude perceber ao longo dos passos que ela estava radiante. Como sempre esteve. Ela estava com aquela saia rodada que havia ganhado de presente, a qual acentuava suas formas. Ficava ainda mais charmosa. Era além do normal a beleza que possuía.

Conforme eu caminhava tive flashs da gente. Lembrei-me de quando saíamos para os lugares. Era impossível não notá-la. Os olhares eram todos dela. Até o meu. Sentia certos ciúmes. Apesar de negar com os pés juntos que não. Ela sorria das cenas. Achava engraçado me ver confusa, tentando negar algo que estava escancarado no meu rosto. E logo depois me beijava. Como uma maneira de reafirmar o que sentia.

Da comida que “inventei” em comemoração a um ano de namoro. No final, foi melhor pedir comida chinesa, pois a tentativa não havia dado certo. Ela sempre teve um gosto excêntrico e exótico por comida. Até mesmo antes de conhecê-la. Era de provar todas as guloseimas. Exceto aquelas que a deixavam com alergia e nem isso a impedia. Era um cabeção. Bati inúmeras vezes no hospital devido a sua constante teimosa.

Do nosso “filho”, Chuchu. Um cachorro, tipo o Marley. Só que da raça West Highland White Terrier. Ok. Era pior, estou sendo modesta com aquele Taz mania. Acabei dando o bichinho pra a minha sogra. Pra ter uma companhia e não se ocupar tanto com a nossa vida. A velha era escrota, mas no fundo gente boa. Todo santo dia ligava para reclamar do Chuchu e dizer que o ama. Espero que ele esteja dando trabalho até hoje.

Sorri ao lembrar disso. E quando notei estava a admirando através do vidro da cafeteria. Só saí do transe quando ela acenou e falou meu nome. Ela tinha um jeito único de pronunciar meu nome. Era quase um flerte. Um jogo de sedução. Foi assim que a bandida me jogou na parede. Que safada!

Notei ao vê-la se aproximando que o banco ficaria para a próxima. Cumprimentei com um leve sorriso. E ela gentilmente me chamou para acompanhá-la no café. Como uma grande observadora que sou, reparei que o seu café era diferente do que geralmente pedia. Por um minuto pensei que não a conhecia. E rapidamente concluí que é completamente normal depois do término as pessoas fazerem outras coisas para esquecer alguém que amava. É. Realmente as coisas mudam com o tempo.

O término foi duro. Tanto pra mim quanto pra ela. As brigas ficaram mais constantes e piores. Cada uma vivia no seu mundinho. Não existia mais diálogo. Tudo foi se distanciando. Tivemos várias idas e vindas e nunca ficava igual. Até hoje culpo a rotina, as estrelas, o mundo e principalmente a vizinha, aquela coroa encrenqueira e reclamadeira.

Entre um papo e outro, ela contava alegremente da nova vida, o emprego, o bairro que morava e as viagens. Nunca a vi tão feliz. Nem mesmo quando estávamos juntas. Isso me encheu de alegria. Vontades. E deixou saudades.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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