Brincadeiras do destino – Cap 63

Brincadeiras do destino – Cap 63

Andreia parou o carro e o desligou. Antes de abrirem as portas, D. Celia se aproximou das duas antes de sair do carro e falou:

– Filha, acho que seria bom você sair e falar com seu pai.
– Eu vou falar com ele, mãe – Andreia respondeu
– Vai lá, amor. Eu te espero aqui – Carol falou
– Não. Você vem também! – D. Celia afirmou antes de se arrastar até a porta
– Vem, criança. Confia em mim – Andreia falou sentindo o medo nos olhos de Carol e então abriu a porta também.

O pai de Andreia estava mais acabado do que ela lembrava e isso a fez doer no coração. D. Celia já estava ao lado dele e segurava sua mão. Andréia viu que ele estava tremendo, parecia nervoso. Seu coração disparou e por alguns instantes ela se sentiu uma criança com medo do que o pai pensaria ao saber que ela quebrou algo em casa. Travou e só andou alguns segundos depois.

– Bença, pai – disse se aproximando do velho
– Deus te abençoe, filha – seu pai falou enquanto procurava ar para os pulmões.
– Como o senhor está?
– Velho.
– Pare de bobeira, marido – D. Celia brigou com o marido
– Mas a sua saúde está boa, pai? – Andreia perguntou enquanto Carol se aproximava dela devagar
– Vou viver mais alguns anos… – o pai respondeu demonstrando um certo incomodo
– Pai, deixa eu te apresentar a Carol…
– Oi. – ele respondeu curto e grosso
– Pai, não sei se a mãe já te contou… – Andreia tentou iniciar o assunto
– Sua mãe não fala muito de você pra mim não…
– É que eu e a Carol…nós… – Andreia tentou continuar mesmo sabendo que sua mãe já havia contado
– É que nós vamos casar, pai… – finalmente falou tudo
– Num sei como. Mas você já é maior de idade e sabe o que faz da vida. – se despediu educadamente de Carol e seguiu para dentro dizendo que esperava D. Celia para fazer o café para ele lanchar. Ele sempre deixava o café forte demais ou fraco demais.

Carol pegou na mão de Andreia que pediu uma desculpa sussurrada. As feições da mulher mudaram e o olhar da criança que se sentia abandonada e deixada de lado apareceu. Carol nunca tinha visto aquela Andreia e preferia até continuar sem ver.

– Minha filha. Dê um tempo ao seu pai. Ele é turrão e teimoso – D. Celia pegou o rosto de Andreia nas mãos e a fez sorrir com o carinho.
– Ele tem todo o tempo do mundo, mãe. Só espero que não seja tarde demais…
– Nós precisamos ir, mãe. Tenho trabalho a fazer – Andreia falou enquanto segurava nas mãos da mãe
– Obrigada pelo dia maravilhoso, filhas – D. Celia fez um carinho no rosto das duas, ficou olhando elas entrarem no carro e seguiu para dentro de casa.

Já fora da rua da casa dos pais, Andreia seguia em silêncio, apenas tamborilando música nenhuma no volante. Carol já estava incomodada com tamanho silêncio.

– Amor… – Carol puxou o assunto
– Uhm
– Você quer conversar?
– Sobre?
– Sobre o que aconteceu agora pouco…
– Mas o que aconteceu? – Andreia já estava em seu modo automático deixando todo e qualquer sentimento escondido
– Seu pai, amor…não faça isso
– Tem nada não, amor. Ele é assim e sempre vai ser. Ponto.

Carol percebeu que não era o momento certo de conversar e preferiu só ligar o rádio. Eventualmente trocavam alguns comentários sobre músicas e notícias que a rádio transmitia. Andreia mantinha os olhos na estrada, mas a cabeça estava longe.

Já em casa, Carol pegou seu computador, sentou no sofá e foi pesquisar sobre algumas ideias que estavam tendo para o casamento. O principal problema agora era o local, que ainda não haviam decidido. Andreia sentou em seu computador e se dedicou às finalizações do projeto de Suzana. A apresentação era no dia seguinte e o seu plano não poderia dar errado. Era sua única chance.

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