Brincadeiras do destino – Cap 59

– Não gostei de nada disso. Quem é o responsável pelo projeto? – Suzana perguntou após olhar todos os desenhos preparados pela equipe de Andréia.
– Nós temos uma equipe inteira disponível para o seu projeto, dona Suzana – o chefe de Andréia tomou a frente da discussão após perceber o clima tenso entre as duas
– Você que chefia esta equipe?
– Não, senhora. Sou eu que chefio, dona Suzana – Andréia interrompeu antes que seu chefe fosse atingido pela raiva e vingança daquela mulher louca
– Só podia… – Suzana sussurrou e todos fingiram não ouvir
– Nós podemos apresentar uma nova perspectiva para a senhora
– Imagino que possam, porque daqui, não aproveito nada.
– A senhora poderia nos ajudar com a linha de conceito pensada? – o chefe de Andréia estava começando a ficar realmente incomodado com as grosserias daquela louca
– Me desculpe, mas eu os contratei para fazer isso. Se for para eu dar ideias, não preciso desta empresa
– Desculpe, dona Suzana. Não foi esta a intenção
– Semana que vem. Mesmo horário e mesmo local quero ver os novos projetos – E com esta frase, Suzana pegou sua bolsa e celular e saiu porta à fora sem dizer mais nenhuma palavra

Andréia deitou em cima de seus braços na mesa e se controlou para não chorar na frente de seu chefe. Enquanto isso, ele recolhia e analisava novamente os desenhos apresentados, estavam todos ótimos. Ele tinha confiança total no trabalho de Andréia, sabia que ela era uma das melhores de sua empresa. Sentiu uma pena enorme do ocorrido, sentou ao lado dela na enorme mesa, colocou a mão em suas costas como sinal de amizade e disse para ela na voz mais paternal que conseguiu:

– Eu sei que você vai conseguir. Mas pensa nisso só na segunda. Agora vai pra casa, dá um beijo na sua noiva e adianta os planejamentos do casamento.

A simples menção ao casamento fez Andréia sorrir sem graça e agradecer o apoio do chefe. Recolheu seus projetos tão mal falados e foi em direção ao elevador de saída. Quando chegaram no térreo, ela se despediu do chefe, agradeceu o apoio e antes de ir em direção ao carro, mandou uma mensagem para Carol a chamando para comerem algo juntas no shopping. Ela precisava contar esta novidade.

No carro, deixou algumas lágrimas correrem pelo rosto. Era um misto de tristeza e raiva por estar nas mãos daquela safada e dessa vez não poder fazer nada. Ela sabia que tudo isso tinha sido planejado por Suzana. Um cliente que aparece do nada, pede um projeto gigante e marca reunião em um sábado só pode estar querendo fuder com a vida das pessoas. Sem nem perceber, chegou ao shopping onde Carol trabalhava.

Já na porta da loja, mas sem entrar, fez um pequeno aceno para a noiva e sentou no banco que ficava em frente à vitrine esperando ela terminar a venda que estava fazendo.

– Que saudades da minha noiva – Carol abraçou e deu um rápido selinho em Andreia e logo percebeu o desânimo dela
– Podemos tomar um café rápido?
– Podemos sim. O que houve?
– Tenho uma surpresa para você…

Carol não entendeu muita coisa, mas deu a mão para a namorada e seguiram juntas para uma cafeteria que ficava ali perto.

– A tal cliente louca é a Suzana

Carol quase engasgou com o café quente que começava a tomar

– Suzana? A minha Suzana?
– Ela é sua agora, por acaso? – Andréia foi um pouco mais grossa do que pretendia
– Não. Desculpa. Não foi isso que eu quis dizer… – Carol tentava, em vão, se desculpar pelo que tinha falado
– Relaxa. Eu que estou estressada mesmo.

Andréia contou todos os detalhes da reunião para Carol e quando estava chegando perto do final, não aguentou e derramou algumas lágrimas que estavam presas desde o início.

– Ei, amor. Não chora! Por favor.
– Ela te ama tanto assim?
-Não..ela não me ama, mas ela te odeia…

A conclusão de Carol fez as duas rirem, o que ajudou a deixar Andréia um pouco mais calma. A verdade é que não poderiam demorar muito ali. Carol então deu a solução para o sábado não ser jogado no lixo.

– Olha. Vai pra casa, toma um banho de banheira, dorme um pouco, escuta música e me espera.
– Promete que não demora?
– Prometo, amor!

Andréia foi com Carol até a porta da loja, deu um abraço apertado em sua menina e seguiu para o carro. Iria obedecer as ordens que tinha recebido da noiva. Estava rezando para que isso funcionasse.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.