Brincadeiras do destino – Cap 56

Andreia não conseguiu nem abrir a porta. Olhou e reolhou através do olho mágico para ter certeza do que via. Carol, que já estava nervosa, quase teve um colapso nervoso. Na mesma hora imaginou que era seu Damião que tinha vindo junto com a D. Célia, mas nenhuma das duas poderia realmente imaginar aquela surpresa.

– Ei. Olha pra mim. Vai dar tudo certo, tá? Abre aquela porta e confia em mim – Carol tranquilizou Andreia, que respirou fundo e caminhou de volta até a porta.

Girou a maçaneta de olhos fechados, secretamente estava pedindo à força superior um pouco de calma e sabedoria para não fazer nada errado. D. Célia esticou a cabeça e foi a primeira a sorrir para a filha que tanto sentia falta. Quando Andreia terminou de girar a porta, revelou a tal surpresa para Carol:

– Então quer dizer que temos que planejar o casamento da minha irmãzinha?

Era Adriana, irmã mais velha de Andréia, médica, super bem-sucedida e solteira por opção. Elas eram muito amigas, até Andréia assumir sua sexualidade e as coisas saírem do controle. Ela sempre sentia falta de quando viravam a noite conversando sobre namoradinhos, sonhos e futuro.

– Minha filha, a Drica estava chegando em casa quando eu estava saindo e ela insistiu em vir junto. Desculpe. – D. Célia sabia que tinha assustado Andreia ao trazer Adriana assim, do nada.
– Não se preocupa, mãe. Não tem problema algum! Vamos, entrem.

As duas caminharam até a sala e ambas deram um abraço apertado em Andréia enquanto passavam por ela.

– Mãe, Drika, essa é a Carol de quem eu já falei…
– A mamãe me contou que tinha uma mulher que estava fazendo a minha irmã preferida muito feliz, imagino que seja você. – Adriana falou enquanto se aproximava de Carol para dar dois beijinhos nela
– Espero que não tenha outra que ela comente por aí… – Carol tentou fazer uma piada para descontrair o ambiente. Deu certo, todas riram.
– Bem vinda à família, minha querida e obrigada por fazer tão bem à minha astronauta – D. Célia falou enquanto segurava as mãos de Carol e depois a abraçou. A menina quase chorou de emoção.
– Mãe, não precisa me chamar de astronauta assim na frente de todo mundo, né? – Andreia falou já da cozinha meio sem graça.

O clima foi ficando mais leve, principalmente depois que o vinho foi servido para todas, menos para D. Célia que ficou no suco. Adriana era outra pessoa. Mais leve, mais amiga e interessada em saber todos os sentimentos sobre a irmã mais nova que tinha crescido tanto.

– Déia, não quer colocar aquelas empadinhas no forno para a gente? – Carol falou enquanto interrompia um rápido assunto com D. Célia.
– Lógico. Drika, me ajuda?

As duas irmãs foram para a cozinha e deixaram a mãe conversando com Carol na mesa. D. Célia estava doida para conhecer todos os detalhes daquela menina que agora seria como uma filha emprestada para ela. Além do mais, ela queria ter certeza de que era a mulher perfeita para sua astronauta querida.

– Irmã, ela é uma fofa! Mas bem novinha, hein! – Drika falou assim que chegaram perto do forno
– Eu sei, Drika. Até demorei a me entregar por isso, mas foi irresistível…
– Você está feliz, não está?
– Muito. Muito mesmo. Como nunca fui…
– Eu senti sua falta, sabia? – Drika falou com uma voz lenta e baixa
– Eu também. Precisei muito de você em alguns momentos… – Andréia falou sem conseguir olhar nos olhos da irmã.
– Desculpa estar tão longe. Depois da Aninha, eu quis muito me aproximar, mas não sabia como….
– Que Aninha? Nunca namorei ninguém com esse nome não! – Andreia falou em um tom mais leve para descontrair o ambiente.
– Eu sei, sua boba. Aninha foi minha paciente. Ela era da mesma idade que você e tinha acabado de casar com uma outra mulher. Cuidei dela uns três ou quatro meses direto. Me apaguei a ela e à esposa dela e aí, um dia, tudo complicou e ela faleceu sem que eu pudesse fazer nada. A esposa dela me contou que a família dela não apoiava o casamento e por isso só ficaram sabendo da doença dela uma semana antes dela morrer. Enfim, chorei umas duas noites seguidas pensando em você…. – Drika estava com lágrimas nos olhos e respirou fundo para o choro não sair do controle.

Andréia não teve a mesma força de vontade e deixou que o choro viesse. Abraçou a irmã que estava apoiada na pia da cozinha e prometeram que não se afastariam mais. Andréia aproveitou e convidou a irmã para ser madrinha dela no casamento. Drika aceitou na hora e as duas voltaram para a mesa para se juntarem a Carol e a D. Célia que já tinham evoluído o assunto para vestidos, flores e local para o casamento.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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