Brincadeiras do destino – Cap 51

Andreia passou a noite pensando em tudo que a tinha afastado de sua mãe. É aquele tipo de coisa que você não entende muito bem, só sabe que aconteceu e pronto. Uma mulher forte, que criou mais de uma filha e enfrentou o mundo todo por elas. O tipo de mulher que Andreia queria ser para os filhos dela.

Em um outro ponto da cidade, D. Celia preferiu não contar ao marido sobre o almoço com a filha. Damião era muito magoado com a distância criada de sua filha. Eles acompanhavam de longe tudo que podia sobre a vida dela. Algumas amigas antigas passavam notícias, endereço e telefone e volta e meia, D. Celia pedia ao filho da vizinha para procurar o nome dela na internet para saber se tinha alguma novidade. Da última vez, achou a página dela em uma rede social e viu fotos dela tão feliz que até se emocionou. Coração de mãe sobrevive de sorriso de filho.

– Filha? Nosso almoço está confirmado, não está?
– Está sim, mãe! Sem dúvida.

Andréia estava arrumando a sala de casa enquanto preparava uma comida simples para sua mãe.

– Te encontro no trabalho?
– Não, D. Celia, hoje você é minha convidada aqui em casa. Pode anotar o endereço?

D. Celia ficou surpresa e ao mesmo tempo feliz demais com a notícia. Ela só foi duas vezes ao apartamento da filha, quando foi comprado e quando Diana foi embora e Andréia quase morreu de depressão. Agora voltaria em uma situação mais amigável, pelo que parecia.

– Estarei aí por volta de 13h, filha.
– Até lá, mãe!

Andreia rodava de um lado para o outro procurando esconder qualquer defeito, bagunça ou porta retrato torto na mesa. Precisava que sua mãe visse tudo da forma mais perfeita possível. Iria contar sobre Carol, o casamento, os planos e talvez perguntar sobre seu pai e sua família.

Andreia sentia uma falta imensa de todos, mas com os anos aprendeu a soterrar todos esse sentimentos em um canto de seu coração duro. Era mais fácil desta forma do que se permitir a dor de não tê-los por perto. Em alguns dias, quando via um pai com a filha na rua ou quando algum amigo do trabalho saía para almoçar com a mãe ela sentia uma pontada no peito, como se algo quisesse explodir de um momento para outro. Nunca deixou que isso viesse à tona.

Todo o assunto do casamento, a família de Carol, os sonhos e os planos fizeram esta ferida do passado voltar a arder. Andreia sempre sentiu falta de um colo de mãe, de um esporro de pai ou de um almoço de domingo com toda a família. Lembrou de quando começou a beber e seu pai comprava cerveja para eles assistirem a rodada do futebol de domingo à tarde. Era uma coisa só deles que ela nunca mais fez com ninguém. Inclusive, parou de gostar de futebol porque sempre a lembrava de seu pai.

Aos poucos, Andreia se afastou de tudo que pudesse lembrá-la daquelas pessoas. Manteve um tesouro de mágoa, dor, saudade e um pouco de arrependimento guardado em seu peito. Mas pela primeira vez estava pronta para deixar que isso tomasse um rumo um pouco mais feliz. Estava de braços, portas e coração aberto neste almoço. Seria o primeiro passo de uma nova vida.

Olhou no relógio depois de ver a casa intacta, já eram 12h30 e sua mãe chegaria a qualquer minuto. Pontualidade era uma grande qualidade de D. Célia. Andreia correu para o banho e começou a ficar nervosa. muito nervosa.

Campainha tocou e Andreia respirou fundo antes de abrir a porta.

– Filha, que saudade! – D. Célia abraçou a filha com toda a saudade que tinha.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.