Brincadeiras do destino – Cap 50

A segunda chegou devagar. Depois dos acontecimentos do fim de semana, Carol e Andriea curtiram os momentos restantes sozinhas, ou quase. Paulete, amiga de Andreia apareceu no domingo para dar os parabéns pelo noivado do casal e para dar esporro em Andreia que a avisou por uma mensagem no whatsapp. Elas tomaram uma garrafa de vinho com pizza e foi o programa perfeito para que a semana começasse bem.

Logo cedo a rotina se repetia. As duas levantavam, tomavam banho, pegavam suas coisas e iam tomar um café no posto. Carol estava contando para Andreia sobre as faculdades que tinha visto ali por perto. Estava tudo se encaixando: ela poderia fazer o curso de manhã e ir para a loja à tarde. Sabia que sua chefe não se importaria se ela fosse fixa da tarde, sem trocar o horário, ainda mais pelo motivo que era. Carol estava muito empolgada em voltar para a faculdade e Andreia estava pulando de felicidades pela namorada.

A manhã passou voando. Carol foi a escalada para arrumar o estoque e Andreia precisava coordenar o início de um novo projeto que foi fechado na sexta passada. Sentou em uma longe e chata reunião com toda sua equipe, precisava passar os detalhes, designar tarefas e combinar os prazos de entrega de cada um. Este início era sempre o mais chato em todos os projetos. Mas mesmo assim, ela amava o que fazia. Assim que terminou, correu para o computador e começou a rabiscar algumas idéias que teve para o projeto. Era assim que ela funcionava, na base da inspiração.

O horário do almoço foi decretado pela ligação de Carol:

– Vai almoçar, anda!
– Olá para você também!
– Eu sei que você deve estar atolada no trabalho, mas você precisa comer, então vá.
– Você e meu estômago devem ter uma conexão muito boa, porque foi só você ligar para ele reclamar aqui.
– É que eu já sei todos os seus horários.
– E é por isso que eu te amo!
– Isso e muito mais, né…
– Com certeza, muito mais!
– Vai almoçar que eu já estou voltando para a loja, ta? Hoje o jantar é comigo.
– Sim senhora, você que manda!

E assim, Andreia já tinha descido o elevador do prédio onde ficava a empresa e já estava quase chegando no pequeno restaurante que tinha no térreo onde ela almoçava todos os dias.

– Boa tarde, D. Andreia. O de sempre?
– Por favor, Silvana. Vou sentar naquela mesa ali no canto, ta?

De tanto ir ali, já era figurinha marcada, inclusive o seu prato já era conhecido por todas as garçonetes do local, o que facilitava bastante quando ela precisava pedir do escritório. Enquanto o prato não vinha, ela pegou o celular e procurou nos contatos o número que não ligava fazia tempo.

– Oi, mãe.
– Andreia? Mas que surpresa boa receber uma ligação sua. Espero que não seja por um bom motivo.

Andreia e a mãe sempre se deram super bem, D. Célia era um amor de pessoa e era quase que impossível alguém não se dar bem com ela. O grande problema era o pai de Andreia. Seu Damião era um cara durão e por mais que respeitasse, nunca entendeu a sexualidade da filha. E ficou um pouco magoado por ela não ter feito medicina igual a irmã.

– É sim, mãe. Como estão as coisas por aí?
– Está tudo bem, minha filha. Seu pai está trabalhando, sua irmã também e eu morrendo de saudades de você.
– O que você vai fazer amanhã na hora do almoço?
– O mesmo de sempre, minha querida. Ver televisão, dar um jeito na casa e devo costurar um pouco, mas por qual motivo?
– Quer almoçar comigo, mãe?

Dava para ouvir o suspiro emocionado de D. Célia do outro lado da linha. Andreia teve vontade de chorar ao sentir a reação da mãe.

– Vai ser um presente poder almoçar com você, filha.
– Então eu passo aí umas 13h, ta bom?
– Está ótimo, como você quiser.
– Agora eu preciso voltar ao trabalho, mãe, mas amanhã te ligo para confirmar, ta?
– Tá bom, filha. Mas, por favor, não desmarque o almoço.

O pedido de D. Célia era urgente e singelo ao mesmo tempo. Andreia se sentiu mal por todos os compromissos que desmarcava com medo do que pudesse acontecer.

– Não vou, mãe. Prometo prometinho.
– Até amanhã, minha astronauta.

D. Célia conseguiu arrancar uma lágrima de Andreia ao relembrar o apelido dela de criança. Seu Damião dizia que Andreia era muito sonhadora já que vivia desenhando o dia todo e a apelidou de astronauta. D. Célia era a única que gostava desse jeito de ser da filha. Adotou o apelido e ficou quase como um segredo entre elas.

Andreia não sabia o que poderia acontecer naquele almoço mas estava com saudades da mãe e precisava encontrá-la. Decidiu que iria pedir uma folga extra para dedicar o dia à ela.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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