Brincadeiras do destino – Cap 49

Carol e Andreia terminaram a arrumação na hora exata de tomarem banho e se arrumarem. Não arriscariam cozinhar, preferiram pedir um prato do restaurante chinês que sempre comiam. Segundo Carol, seus pais adoravam comida oriental, então não teria problema.

Andreia tentou não se arrumar muito, afinal estava em casa, mas também não poderia receber os futuros sogros de qualquer jeito. Colocou uma bermuda jeans, uma blusa um pouco mais bonita e ficou descalça, disso ela não abria mão. Nunca diria a Carol, mas aprendeu com Diana a importância de realmente sentir onde estava pisando e isso seria essencial hoje. Carol passou algum bom tempo em frente ao armário. Experimentou mais roupas do que achou ser capaz. No final das contas, decidiu por um short não muito curto e pegou uma das blusas de Andreia que mais gostava, ela disse que era para passar um pouco de segurança. Abriram um vinho e colocaram música esperando os convidados.

– Maninha, você está linda, hein!

Dani foi a primeira a entrar no apartamento e abraçou a irmã apertado, ela sabia que Carol devia estar nervosa e passou um pouco de tranquilidade naquele abraço. Andreia se conteve em apertar as mãos do sogro e da sogra. Estava suficientemente traumatizada com aqueles dois.

– Seu apartamento é muito bonito, Andreia – Dona Maria analisava cada canto do apartamento, o que incomodou Andreia um pouco.
– Obrigada, Dona Maria, ele é a minha maior conquista, sem dúvidas
– Pode tirar o Dona, me chame só de Maria.
– Ok, Dona..desculpe, Maria.

Carol gostou de ouvir a troca de gentilezas entre sua noiva e sua mãe, mas ficou tensa ao ver seu pai sentado na mesa, como se estivesse esperando algo.

– Você quer algo, pai? – Carol preferiu perguntar antes que ele falasse alguma besteira
– Aceito uma taça do que vocês estão bebendo

Carol foi até a cozinha, pegou uma taça no armário, tirou o vinho da geladeira e serviu ao seu pai.

– Você já conhece tudo aqui, não é, filha? – Dona Maria perguntou ao ver a filha bem a vontade na cozinha.
– Conheço sim, mãe. Nós já moramos juntas há alguns meses, então fica fácil.

O assunto caiu como uma bomba na sala. Por mais que os pais soubessem da mudança de Carol, o assunto nunca foi oficializado e era a primeira vez que falavam sobre o assunto tão abertamente. Seu Jorge se mexeu na cadeira e Dona Maria se juntou ao marido na mesa. Era mais seguro ali.

– Meninas, vamos almoçar? Eu estou com fome! – Dani interviu antes que tudo saísse do controle.
– Vamos sim! Sentem-se que vou esquentar a comida e servir vocês – Andreia falou enquanto se juntava a Carol na cozinha.

A arquiteta passou a mão pela cintura da noiva para transmitir um pouco de segurança enquanto tirava a travessa do armário e colocava calmamente o yakissoba antes de esquentá-lo. As duas estavam nervosas e com medo do que poderia acontecer depois. A troca de olhares e os sorrisos trocados na cozinha acalmaram os corações.

Já na mesa, todos sentados e comendo, o silêncio imperava. Apenas era interrompido por algum comentário de Dani ou de Carol, que tentavam deixar o ambiente mais leve de qualquer forma.

– Andreia e Carolina, nós viemos aqui para conversar com vocês – Seu Jorge falou assim que as duas terminaram de tirar a comida da mesa e trouxeram mais vinho.
– Olha, pai, se você vai arrumar confusão de novo… – Carol começou a falar enquanto se juntava a todos na mesa
– Não, filha. Nós não vamos arrumar confusão – Dona Maria falou enquanto pegava na mão do marido.
– Eu sei o quanto isso deve ser difícil para vocês. Meu pai se afastou muito de mim por causa disso. Eu só queria que vocês soubessem o quanto eu amo a Carol e o quanto eu quero o bem dela.
– Não vou mentir para vocês: eu não entendo. Para mim, ainda parece errado o que vocês estão fazendo. Deus criou Adão e Eva por um motivo. Mas o meu amor por você, filha, é maior. Eu e sua mãe vamos apoiar o que te faz feliz. Nós estaremos ao seu lado nas suas decisões.
– Além do mais, estamos felizes que a Andréia fez você voltar para a faculdade
– Pai, mãe, eu quero saber se vocês estão falando isso do fundo do coração ou se é só porque a Dani pediu

A sinceridade de Carol acabou com o sorriso no rosto de Andréia. Ela poderia estar jogando no lixo o que estava recebendo dos seus pais. Isso poderia ser irreversível. Mas Seu Jorge apenas levantou, foi até o lugar da filha e a fez levantar da cadeira.

– Você tem todo o direito do mundo de duvidar. Por isso estou sendo sincero com você: eu te amo e quero lhe ver feliz e se é assim que você é feliz, eu vou aprender a respeitar e aos poucos tentaremos entender. Nós vamos nos esforçar.

Carol abraçou o pai e em seguida a mãe, que já estava ao seu lado. Andreia continuou sentada e acabou recebendo um abraço de Dani que já estava com lágrimas nos olhos.

A arquiteta pensou em seus pais e em como a relação com eles era distante. Viu Carol abraçada aos pais e por um momento a invejou, de forma honesta e sincera. Pensou em ligar para sua mãe no dia seguinte. Precisava dar as boas novas sobre o casamento.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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