Brincadeiras do destino – Cap 47

O jantar estava quase no final. Todos já tinham jantado, dividiram uma garrafa de vinho e o papo estava fluindo, de uma forma que nem Andreia nem Carol esperavam no final das contas. Dani ajudava bastante, já que tinha super se identificado com a nova namorada da irmã, principalmente a parte de que ela poderia arrumar um emprego lá no escritório. Nada prometido, apenas uma chance.

Papo vai, papo vem, Carol não tinha contado para seus pais que ia casar com Andreia. Apenas Dani sabia e em algum momento o assunto precisaria vir à tona.

– Pai, mãe, eu preciso contar uma coisa para vocês.
– O que foi, filha? – a mãe de Carol a tratava como uma boneca, ou melhor, como uma criança.
– Você precisa de dinheiro, filha? – seu pai sempre achou que dinheiro resolvia todos os problemas. Não era por mal, mas como ele não teve, achava que suas filhas deveriam ter tanto. Andreia sentia uma ponta de orgulho interna por ver que Carol tinha uma cabeça diferente de seu pai.
– Não, pai, não preciso de dinheiro algum.
– O que foi então?
– É que eu e a Andreia vamos nos casar.

O silêncio que imperou na mesa era firo e congelante. Até Dani achou estranho aquela não-reação.

– Casar? – a mãe de Carol era outra. Com as feições pesadas e tristes, sussurrou aquela palavra.
– É, mãe. Casar. Igual você e o pai.
– Igual a gente, impossível, Carol. – seu pai respondeu com uma ponta de rispidez na voz. Andreia começou a ficar nervosa, mas ao mesmo tempo não sabia o que falar.
– Igual a vocês sim, pai. Com contrato perante ao juiz, aliança e acordo de bens. – Carol respondeu enquanto segurava a mão de Dani por baixo da mesa, como um pedido de apoio.
– Deixa de bobeira, filha…
– Bobeira porque, mãe? Eu amo a Andreia e ela me ama. Qual o problema de casarmos?
– Não fale uma besteira dessa, Carolina.
– Besteira porque, pai? Vocês podem me explicar qual é o problema?
– Calma, Carol. Os pais estão surpresos, só isso. – Dani interviu antes que a coisa saísse do controle.
– Lógico que estamos surpresos… – a mãe de Carol complementou a filha mais velha
– Até porque esse casamento de vocês não é normal – o pai de Carol falou exatamente o que estava pensando, e foi aí que Andreia se meteu.
– Desculpe, senhores, mas o meu casamento com a filha de vocês é tão normal quanto o de vocês, até porque o nosso pais já reconhece a nossa união e nós podemos oficializa-la no cartório, assim como os senhores.
– Olha, eu não sei o que seus pais lhe ensinaram, entendeu…
– Pai, não ouse falar assim com a Andreia – Carol virou um bicho ao ver seu pai destratando sua noiva.
– Carolina, não fale assim com o seu pai!
– Mãe, pai, eu estava com saudades de vocês e queria realmente contar esta novidade, mas já que vocês não podem ficar felizes por mim, eu vou embora.

E com um olhar para Andreia, elas levantaram. Antes de sair da mesa, a arquiteta abriu a carteira e colocou a parte dela e da Carol da conta, deu um beijo na testa de Dani como forma de agradecimento pelo que ela fez e antes de finalmente sair da mesa, falou o que estava engasgado nela.

– Eu só queria que os senhores soubessem que a Carol é o amor da minha vida, vocês queiram ou não, e vocês não fazem idéia da filha maravilhosa que tem. Foi um prazer conhecê-los.

E de mãos dadas saíram do restaurante enquanto os outros três continuavam sentados.

– Eu não acredito que vocês fizeram isso! – Dani estava com os olhos cheios d’água e correu atrás de sua irmã, que estava com Andreia esperando o carro do lado de fora.

– Mana, espera!

Quando chegou do lado de fora, Dani viu Carol aos prantos abraçada a Andreia e com a cabeça enfiada no pescoço da arquiteta. Quando Carol viu a Dani vindo em sua direção, se desvencilhou com calma de Andreia e abraçou a irmã.

– Desculpa, minha irmazinha – era só o que Dani conseguia falar enquanto compartilhava o choro de Carol.
– Eles não entendem… – Carol falava repetidamente a mesma frase.
– Eu vou conversar com eles, ta? – Dani falou enquanto enxugava algumas lágrimas de Carol.

No mesmo momento o carro de Andreia chegou, Dani abraçou a arquiteta também e pediu para que ela cuidasse de sua irmazinha. Andreia abriu a porta para Carol, sorriu para Dani e assumiu o banco do motorista e sem nem pensar muito, acelerou para bem longe.

Já chegando em casa, o silêncio dentro do carro era tanto e tão pesado que Carol abriu a janela.

– Ta frio, amor – Andreia reclamou baixinho
– Eu sei, só queria sentir o cheiro do mar

Estacionaram na vaga se sempre, pegaram o elevador, chegaram no andar certo e caminharam pelo corredor ainda em silêncio. Andreia abriu a porta de casa para Carol, que quando viu o apartamento recheado de flores ficou paralisada na porta.

– Achei que uma noite romântica, só nossa, seria bom.
– E você programou isso quando?
– Antes de ir te buscar no trabalho.

Carol começou a chorar ainda mais. Era como se tivessem aberto uma válvula e ela estivesse colocando para fora o choro de meses e anos atrás.

– Foi tão ruim assim a surpresa?
– Não, lógico que não! Eu estou me sentindo péssima por ter te levado nesse jantar…

Com uma risada, Andreia pegou Carol pela cintura, a abraçou forte, deu um beijo estalado em seus lábios e secou suas lágrimas com beijos espalhados em seu rosto.

– Por você, eu convenço até o Papa a nos casar.

As duas riram, se beijaram e rodopiaram na sala. Acabaram a noite na companhia de uma garrafa de vinho e de um bom filme romântico que estava passando na televisão. Nada melhor do que o amor de mentira para mostrar que o amor de verdade é bem melhor.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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