Brincadeiras do destino – Cap 46

O domingo chegava ao fim depois de tantos acontecimentos em tão pouco tempo. Carol parecia uma criança pensando na roupa que usaria no jantar com seus pais. Andreia parecia uma maluca pensando e, secretamente, rezando para que o jantar fosse cancelado ou ao menos adiado. Parece que Andreia foi a sortuda da vez.

– Minha irmã acabou de ligar.
– Esta tudo bem com ela? Aconteceu algo?
– Meus pais pediram para adiar o jantar para o final da semana. Eles vão precisar viajar.

A voz cabisbaixa de Carol não deixou que Andreia se sentisse aliviada no final das contas. A mais velha abraçou sua menina e a prometeu que tudo iria dar certo, independente do dia que o jantar acontecesse.

– De repente você consegue até uma folga no dia. Pode ser bom.
– É, você tem razão. Pode ser até melhor mesmo.
– Ei, não fica triste. Eu ainda vou querer casar com você até o final dessa semana.

A brincadeira de Andreia arrancou uma risada de Carol, que respondeu com alguma outra piada e que acabou descontraindo o ambiente.

A felicidade não demorou muito, elas precisavam dormir para começarem a semana com o pé direito. Já bastava tudo que tinha acontecido ultimamente. Elas mereciam uma semana de paz e coisas normais como trabalho, cansaço e segundas feiras. E assim foi. Acordaram cedo, tomaram café no posto e seguiram para os seus trabalhos.

Carol estava decidida a voltar para faculdade. Aproveitava sua hora de almoço para pesquisar cursos, preços, bolsas e instituições. Anotava tudo em um bloco para mostrar para Andreia quando chegasse em casa. A arquiteta estava super empolgada com um novo projeto que chegara para ela. A reforma de uma casa de cultura. Era simplesmente maravilhosa. Nada poderia estragar a felicidade daquele casal. Nada.

A sexta então chegou. Carol confirmou o jantar com seus pais e sua irmã. Seria em um restaurante que eles freqüentavam desde sempre. Nada chique, só um lugar vazio, uma comida gostosa e um ambiente agradável. E se Dês quisesse, uma mesa redonda, assim todos conversariam com todos sem problemas. Era o que Carol pedia secretamente em sua cabeça.

Andreia se arrumou em casa e passou para pegar Carol no shopping. A arquiteta desenterrou uma calça social preta e vestia uma blusa branca justa que a deixava linda e sexy. Quase uma mulher fatal.

– Estou bem vestida? Ou pareço uma secretária de filme pornô?
– Se as secretárias de pornô se vestirem assim acho que preciso trocar de emprego
– Mais tarde, nós podemos brincadeira de filme pornô, o que acha?

As duas se beijaram quentemente ainda dentro do estacionamento, já se preparando para o que poderia acontecer depois do tal jantar. Foi bom para relaxarem e seguirem tranqüilas para o restaurante.

– Amor, algo que eu precise saber? Para não falar besteiras?
– Não, amor. Apenas tenha em mente que eles são meus pais e que você pediu a filha deles em casamento, ok?
– É para eu ter medo?
– De forma alguma. Eles vão te amar.
– Ai que medo.

Chegaram, deixaram as chaves com o manobrista do restaurante e foram até a porta. Carol não deixou de reparar e comentar que até salto alto Andreia tinha colocado. Segundo a arquiteta, não queria chocar os pais de sua futura esposa aparecendo de all star no jantar com eles. Calor deu uma pequena bronca na noiva por ser tão exagerada com aparências. Deu um beijo rápido nos lábios de Andreia como forma de selar a paz e seguiu para a porta, Andreia foi logo atrás. E nada de mãos dadas.

De longe, Carol avistou sua irmã e seus pais sentados em uma mesa redonda. Respirou fundo. Dessa vez suas preces foram ouvidas e atendidas.

Andreia estava suando frio. No caminho até a mesa, respirou fundo e repetiu para si mesma que nada iria afasta-la de Carol, que tudo ia ficar bem.

– Pai, mãe, essa é a Andreia.
– Prazer.
– Minha irmã você já conhece não é?
– Oi, tudo bem? Quanto tempo. Senta aqui do meu lado e Carol senta do outro. Hoje vou ficar no meio de vocês.

O bom humor de Dani descontraiu o ambiente e fez todo mundo rir na mesa. Carol e Andreia não discutiram com as ordens recebidas. Sentaram uma de cada lado de Dani. Ao lado de Andreia, a mãe de Carol e ao lado dela o pai. Os dois estavam nervosos, mas ao mesmo tempo simpáticos e pareciam estar receptivos. Ainda não dava para saber.

Seu Jorge era baixinho, careca e sem bigode nem barba. Estava usando uma blusa social preta, muito bonita e um relógio prata maravilhoso. Carol já tinha comentado que ele era vaidoso. Sua mãe, dona Jacira, estava com um conjunto de saia e blaser rosa. Mas não era brega, na verdade era muito bonito. Os pais dela eram muito diferentes do que Andreia imaginava. Pareciam até um casal rico, socialite. Lá estava ela preocupada com a aparência de novo. Lembrou do esporro que acabara de ganhar da namorada e parou de analisar seus futuros sogros. Prestou atenção no papo que estava rolando: a volta de Carol à faculdade e sorriu com a única frase que ouviu.

– A Déia me convenceu a voltar para a faculdade, pai. Passei a semana pesquisando cursos e acho que vou tentar psicologia.

Andreia sorriu com o mérito que tinha recebido. Seu Jorge sorriu para ela, ainda sem graça, como forma de agradecimento por ter conseguido com que a filha voltasse a estudar. Andreia já sabia da escolha do curso e apoiava a namorada. Estava tudo correndo perfeitamente bem até agora. Bem até demais. Andreia tinha medo quando estava tudo bem demais.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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