Brincadeiras do destino – Cap 45

Finalmente o casal pegou no sono. Carol apagou enrolada nos braços de Andreia, enquanto Andreia dormia com o cheiro que vinha do cabelo de Carol. As duas sonharam bastante. Carol com seu casamento. Era uma eterna romântica apaixonada e, secretamente, já pensava em detalhes como bouquet, madrinhas, local e vestidos.

Conseguiu imaginar as duas entrando de branco, caminhando por um tapete vermelho enquanto um dueto tocava violino e piano. A música dos padrinhos seria algum pop rock famoso que falasse de amizade. A música dela já estava decidida. “A whole new world”, tema do filme Alladin, da Disney, sua grande paixão.

Já Andreia não teve a mesma sorte. Sonhou a noite toda com jantares a luz de velas que acabavam mal, invasões de Diana nua em um restaurante chique e até ela vomitando na mesa depois de comer camarões junto com os pais de Carol. Durante toda a sua vida teve horror a este momento. A única mãe que precisou realmente conhecer foi a sua ex-sogra, mãe de Diana, que por acaso gostava mais dela do que da própria filha. Será que isso ia acontecer de novo? Possibilidades quase nulas.

– Bom dia, raio da manhã
– Bom dia, minha noiva

Com os sonhos mais estranhos que pudessem ter, acordar e dar de cara com o sorriso da outra era sempre o melhor momento do dia. Carol se espreguiçou até ficar quase que em cima de Andreia, que a puxou para mais perto, a beijou e quando foi rolar para o lado pronta para ficar por cima, caíram da cama. Ela não sabia que estava tão na beirada assim.

O chão de carpete não deixou que elas se machucassem e o casal acabou caindo na gargalhada enquanto se levantavam e corriam para o banheiro para ver quem fazia xixi primeiro. Era engraçado pensar que ficaram noivas há algumas horas somente, já viviam como casadas.

Depois da sessão de risos no quarto, seguiram juntas para a cozinha. No caminho, Andreia apertou o botão para olhar seu enorme computador, tinha alguns projetos para finalizar, afinal de contas os últimos acontecimentos a impediram de pensar em trabalho. Carol aproveitou e ligou seu pequeno notebook também. Precisa procurar faculdades, cursos, bolsas e tudo mais que pudesse ajudar. Ahhhh, e queria marcar logo o jantar da família toda.

– Café, sem açúcar com a xícara quase cheia
– Pão integral com queijo minas e peito de peru esquentado na chapa

A sintonia era impressionante. Já sabiam os gostos uma da outra em pequenos detalhes. Andreia pegou sua xícara cheia e sentou na cadeira em frente ao computador. Carol pegou seu prato com sanduíche e sentou no chão da sala, apoiando o notebook e o sanduíche na mesa de centro e encostando as costas no sofá.

– Amor, você sabe que temos uma mesa, não sabe? – Andreia não se conformava com aquele descuido que Carol tinha com sua coluna e postura
– Eu sei, amor. Mas obrigada por me lembrar, ta? – Carol falava enquanto sorria e manda um beijo de longe para sua, atualmente, noiva.

O resto do dia parecia igual. O domingo já demonstrava sinais de ir se acabando quando o silêncio na sala foi interrompido pelo toque de celular de Carol. Andreia olhou discretamente e viu o sorriso se formando nos lábios de sua menina. Não era possível que a Suzana estava ligando de novo, né?

Carol foi até a varanda e demorou mais ou menos uns 20 minutos. Voltou com um sorriso ainda maior no rosto e deu de cara com uma Andreia carrancuda, já sem óculos e fora de sua cadeira de trabalho. Inclusive, ela estava de pé, caminhando de um lado pro outro.

– Você sabe que isso não pode ser considerado exercício físico né? – Carol falou enquanto cruzava os braços e se apoiava na soleira da porta da varanda.
– Muito engraçadinha, você. Quero saber quem era.

A última frase de Andreia saiu um pouco mais baixo. Apesar de estar se mordendo de ciúmes, ela não queria parecer uma loca, controladora e ciumenta logo no primeiro dia de noivadas. Carol riu e foi caminhando até onde estava sua mulher. A abraçou pela cintura, selou seus lábios nos dela e a fez respirar fundo.

– Você fica tão linda com esse ciúmes todos. Fico até pensando em provocar mais, sabia? – Carol falava enquanto abraçava Andreia bem apertado pela cintura
– Você ta de brincadeira, né? Fala logo… – Andreia não pôde terminar a frase. Carol a beijou e colocou sua língua dentro da boca de Andreia, mesmo que ela estivesse um pouco resistente.
– Você ainda não me falou quem era – Andreia era insistente
– Era a minha irmã e nós vamos jantar com os meus pais e com ela na segunda à noite

A bomba explodiu bem no estômago de Andreia.

– Acho que poderia ter sido melhor se fosse a Suzana – Andreia falou baixinho enquanto abraçava Carol de volta.

As duas gargalharam juntas e se beijaram mais uma vez, dessa vez com o consenso das duas. Carol estava mais do que empolgada e Andreia estava aterrorizada. No que isso ia dar? Só iriam descobrir na segunda.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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