Brincadeiras do destino – Cap 40

As duas andaram pela areia fofa de mãos dadas e em silêncio. Andreia olhava para as ondas agradecendo a Iemanjá a força e a coragem que teve para ir até lá. De repente uma coisa veio na cabeça e ela parou de andar. Organizou os pensamentos par falar:

– Carol, preciso te perguntar uma coisa.
– O que foi? – Carol estava com uma cara de exausta e doida para chegar em casa, mas parou e esperou por Andreia.
– Você beijou ela?

A pergunta era direta e Andreia olhava para baixo. Não queria e nem conseguia olhar para sua menina sabendo que a resposta poderia ser muito desagradável. Carol se colocou na frente da companheira, respirou fundo e respondeu com a maior sinceridade do mundo.

– Ela me beijou sim.
– E você ia me contar?
– Ia, mas você estava passando mal, então não achei justo.
– Você a beijou de volta.
– No início, acho que sim, depois eu a empurrei.

O silêncio chegou. Andreia tinha medo de perguntar sua última dúvida e já estava chorando. Carol se segurava para não chorar também, mas estava com o coração a mil dentro dela, pronto para sair pela boca. Ela estava com medo. Será que Andreia a perdoaria?

– Fala alguma coisa, Andreia. Por favor.

O silêncio continuava. Andreia pensou na briga que tiveram quando Carol soube de Diana e percebeu que Carol tinha todos os motivos do mundo para ficar com Suzana e mesmo assim, não ficou. Ainda assim permaneceu fiel ao relacionamento delas. Exatamente o que Andreia não fez. As lágrimas vieram sem controle algum e em poucos segundos, Andreia estava de joelhos, soluçando e engasgada de tanto chorar.

– Me desculpe, amor! Eu juro que o beijo não significou nada! Eu juro! – Carol suplicava pelo perdão de Andreia imaginando que tudo aquilo era por causa do beijo.
– Eu não tenho nada que desculpar. Eu quero mais uma vez te pedir perdão pelo que eu fiz com você.

Carol entendeu o que se passava na cabeça de sua mulher e lá no fundo sentiu uma ponta de alívio em saber que o tal beijo não tinha afetado Andreia daquela forma.
Andreia continuava chorando incessantemente, ajoelhada na areia. Carol respirou fundo e resolveu falar tudo que estava engasgado a um tempo.

– Andreia, olha para mim.

O tom um pouco mais sério de Carol, fez Andreia engolir o choro como pôde e olhar para a sua menina, ali tão bela.

– Eu sofri muito. Doeu muito cada palavra sua naquela noite. Eu sabia que poderia te perder naquele momento, mas eu não quis. Eu passei por cima de todo o orgulho e toda a dor que eu sentia para lutar por você e por nós. Eu não estava pronta para abrir mão. E hoje, você fez o mesmo por mim. Então, vamos fazer uma coisa? Pela nossa saúde? Vamos deixar isso para trás? Diana…Suzana…passado…nada disso faz mais sentido na nossa vida. Por favor. Eu preciso disso e você também.

Andreia não falou nada. Estava em choque e repassou rapidamente todos os últimos acontecimentos e sentiu as dores novamente. Quando acabou apenas abraçou Carol o mais apertado possível, como se pudesse colocá-la em um bolso e carregar para todos os lados com a maior segurança do mundo. As lágrimas continuavam a escorrer e as duas respiraram fundo mais uma vez.

– Podemos, por favor, ir para nossa casa, agora? – Carol falou no pé do ouvido de

Andreia que apenas balançou a cabeça, se desvencilhou do abraço, levantou e estendeu a mão para Carol levantar.

Quando Carol pegou na mão de Andreia para levantar, a mais velha falou:

– Vem. Quero conversar com você lá em casa.

Carol olhou para Andreia e viu um semblante alegre, iluminado, mesmo que não tivesse um sorriso no rosto de sua namorada. As coisas estavam no rumo certo. Preferiu esperar chegar em casa para conversarem, estava ficando com frio e com fome.

Andaram de mãos dadas em direção ao calçadão e em poucos minutos estavam em casa. No caminho não falaram nada, nem se beijaram. Apenas sorriram uma para a outra. Era o essencial e o necessário naquele momento.

Abriram a porta de casa e Carol ia abrir a boca para pergunta o que Andreia ia falar quando ela fez um gesto de silêncio, beijou a menina rapidamente nos lábios e pediu que ela preparasse a banheira para elas. Carol obedeceu.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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