Brincadeiras do destino – Cap 39

O caminho que o elevador fazia sempre pareceu curto para Andreia, ela sempre achava que ele podia demorar mais, principalmente, quando estava com Carol junto. Elas iam se beijando e se curtindo até chegar no andar do apartamento. Dessa vez, pareceu uma eternidade.

Naqueles minutos poucos que a caixa de metal demorava para chegar ao térreo, tanta coisa podia estar acontecendo entre Carol e Suzana que Andréia teve vontade de começar a bater nas portas e paredes para que ele andasse mais rápido.

As possibilidades andavam na cabeça de Andréia e a faziam ter raiva, tristeza, ciúmes, ódio e externar todos esses sentimentos através de lágrimas que insistiam em correr pelo seu rosto. Finalmente o térreo. O tempo pareceu lerdar enquanto ela corria pelo hall de entrada e saía pela porta de vidro em direção à praia.

Atravessou olhando rapidamente, só para garantir que chegasse ao outro lado, mesmo que não fosse tão seguramente. Olhava para os lados para achar Carol e Suzana e nada. O desespero crescia dentro dela e o coração acelerava parecendo que ia explodir de vez. Chegou bem próximo da areia e avistou perto do mar dois corpos próximos, a princípio, conversando. Sabia que eram elas.

Sem nem pensar duas vezes, desceu de uma forma que não lembra como e em poucos segundos caminhou pela areia fofa, como se fosse asfalto e chegou perto das duas. Eram elas. Carol e Suzana não viram Andreia se aproximar. Ou pela velocidade ou por estarem muito concentradas no assunto que tinham. Andréia deixou crescer o ódio que estava dentro dela e estava pronta para chegar empurrando e falando tudo que desse vontade. Correu para chegar nelas.

– Sua vagabunda! Você acha que é quem para aparecer na nossa vida, assim, do nada?

Andreia não empurrou Suzana, mas colocou o dedo em seu rosto e despejou as palavras na morena. Com a voz embargada de choro, com o rosto transformado e com a raiva contida em cada sílaba, fez Suzana se assustar e andar para trás e foi a deixa necessária para Andreia se colocar na frente de Carol, entre as duas.

– Calma, Andreia. Não é nada disso – Suzana tentou ponderar
– Eu sei o que você quer com a MINHA menina. Ela é minha. Entendeu? Você não a quis e agora ela é minha.
– A nossa história não foi culpa nossa, as coisas não são simples assim.
– A história de vocês é história, garota. Sai daqui. Sai das nossas vidas. Eu não quero mais você atrás da minha mulher.

Carol deixou que Andreia explodisse para cima de Suzana. Primeiro pelo susto e depois por um pouco de medo. Nunca tinha visto sua mulher transtornada daquele jeito. Aos poucos foi recuperando o ar que tinha perdido.

– Suzana, vai embora. É melhor – Carol, finalmente, falou
– Mas, Carol….
– Eu já falei tudo que tinha para falar…vai.

Suzana olhava para Carol e Andréia repetidas vezes. Sua feição mudou e aos poucos as lágrimas surgiram em seus olhos. Ela recolheu o sapato que estava ao lado dela, na areia. Virou de costas e caminhou lentamente em direção ao calçadão. Andréia e Carol permaneceram paradas. Carol atrás de Andréia.

A mais velha foi recuperando a sanidade aos poucos e só então se deu conta 100% do que tinha feito.

– Eu não ia deixar ela te roubar de mim fácil assim – Andréia falou bem baixo, como um

último respiro de alívio, mas ainda de costas para Carol.

A menina respirou, virou Andréia de frente e a beijou longamente. Secando as lágrimas que escorriam pelo rosto de sua companheira com beijos.

– Ela não ia me roubar de você. Ninguém vai me roubar de você.
– Porque você trouxe ela pra cá?
– Para dizer que eu não queria ela por perto. Para dizer que eu estava com você, apaixonada e feliz e não a queria mais.

Andréia abraçou sua menina e apenas sussurrou em seu ouvido:

– Vamos para a nossa casa?

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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