Brincadeiras do destino – Cap 36

Carol estava cansada. Não queria ter que sair com Suzana, esperava que Andreia a salvasse, mas a namorada pareceu super tranqüila com a situação então Carol não teve saída, saiu com Suzana. A morena era bem diferente de quando eram mais novas. Apesar da beleza continuar, ela agora era bem mais solta e super falante. Nada a ver com a menina quase tímida que abaixava a cabeça toda vez que se beijavam. Carol sentiu estar saindo com uma pessoa nova. Completamente nova.

Andreia estacionou o carro no prédio, guardou as chaves na bolsa, deixou-a na portaria e foi direto para a praia. Tinha perdido a fome e a sede, apenas se saciou com seu ciúmes corrosivo que ficava imaginando milhões de desfechos positivos e negativos para aquela noite. Será que Carol cairia nos encantos de Suzana? Será que Carol seria fiel? Será que Carol se vingaria? Esse pensamento era o que mais doía no peito de Andreia. Se algo acontecesse, ela seria obrigada a perdoar também? Deixou o mar levar esses pensamentos pelas pontas dos pés.

O papo rolava facil. Carol já tinha bebido dois chopps e as palavras vinham muito mais tranqüilas. Suzana já se parecia um pouco com aquela menina que Carol lembrava. Isso não era bom. O coração da mulher de Andreia acelerava sempre que suas mãos se tocavam em cima da mesa. A morena que acabara de retornar parecia estar tranqüila, sem forçar barras e sem falar de assuntos polêmicos. Mas ela não tinha desistido. Não desistiria sem ao menos tentar.

O celular de Andreia era sua melhor companhia e ele estava em silêncio. Ela sabia que isso não era bom. Desistiu de esperar e foi pra casa. A fome já estava consumindo seu corpo e nada mudaria com ela ali. Foi até a água mais uma vez, molhou a ponta dos pés, pediu a proteção da mãe Iemanjá e atravessou a rua sem se preocupar com carros que cruzavam rapidamente.

Pegou a bolsa com o seu Zé, subiu o elevador e largou o sapato cheio de areia no corredor. Estava quase que inconsciente para lavar ele agora. Pegou algo pronto na geladeira e comeu. Não tinha gosto de nada e nem queria que tivesse. Preferiu apelar ao vinho. Esse sempre estava presente e nunca decepcionava. Abriu a primeira garrafa. Seria a única. Encheu a taça sem se preocupar com etiquetas e deu um primeiro gole como se estivesse matando a sede. E estava. Sede de dor, sede de ciúmes.

No restaurante, Carol pediu um prato de massa com molho branco e frango grelhado. Suzana estranhou e perguntou onde estava a menina que amava carnes, batata frita e comidas gordurosas. Ela não estava mais ali, e tinha aprendido com Andréia a importância de uma boa alimentação. As duas buscavam sempre comer bem sem ficarem neuróticas. Suzana não comentou aquilo e deixou pra lá. Não queria estragar o momento. E para comemorar, pediu uma garrafa de champanhe. Carol tentou dissuadir a amiga, mas não teve jeito. Misturou chopp com champanhe.

Já passava de uma da manhã e Andreia vagava pela sala com sua taça de vinho. A garrafa cumpriu com o prometido e foi a companhia perfeita, pena que acabava. Nada fazia Andreia relaxar para dormir. Preferiu então dormir de qualquer forma. Tirou um remédio tarja preta da gaveta do banheiro, ignorou a garrafa já bebida e tomou um comprimido inteiro. Foi o tempo de trocar de roupa, se jogar no seu lado da cama e dormir profundamente. Não lembra de mais nada.

O relógio batia duas horas da manhã quando Suzana se despediu de Carol com um abraço apertado de quem quer mais. Sem graça e meio tonta a menina saiu do carro, acenou para o seu Zé e pegou o elevador. Quando chegou no corredor e viu o sapato cheio de areia seu coração acelerou e soube que não estava tudo bem. O cenário piorou com a garrafa vazia na pia, as roupas jogadas e o envelope do remédio aberto.

Antes de deitar, Carol mandou uma mensagem para sua chefe e disse que não iria trabalhar no dia seguinte. Era sexta e não tinha problema. Sabia que aquele remédio mais a garrafa de vinho iriam fazer Andreia acordar tarde e pensou em ter um dia só para elas. O jantar com Suzana no final das contas serviu apenas para Carol ter certeza de que Andreia era tudo que ela queria.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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