Brincadeiras do destino – Cap 35

O dia amanheceu igual, ou quase. Carol tinha tido uma noite conturbada por sonhos estranhos e complicados. Suzana e Andréia se revesavam em olhares, choros, beijos e toques. Era difícil saber de quem vinha o toque em cada momento. Ela acordou cansada de não dormir.

Andréia teve uma noite quieta, mas não muito melhor. Ela sonhou a noite toda com a volta da Suzana. Será que sua menina iria desistir dela? Ou será que não conseguiriam ficar juntas? Ou será que o amor do passado falaria mais alto? Estava tudo errado. Mais errado ainda era elas terem que se separar logo cedo. Como sempre, Andreia deixou Carol na porta do shopping e seguiu para o trabalho. Combinaram de jantar juntas e de repente irem dar uma andada no calçadão da praia. Era bom fingir que estava tudo bem.

No carro, Andreia abaixou um pouco o som para ficar em silêncio com seus pensamentos. Deixou que as imagens de Carol dominassem sua mente para se sentir um pouco melhor. Lembrou das declarações da noite passada e de como tudo começou. Lembrou dos sorrisos e até mesmo das lágrimas. Era difícil imaginar que tudo estava correndo perigo. Respirou fundo e se deu conta que já estava em frente ao trabalho. A vida precisava continuar, ela estacionou na vaga de sempre, chamou o elevador e desligou todo pensamento estranho que remetesse a Suzana e Carol.

No shopping, Carol levava o dia como se nada tivesse acontecido. Não era verdade. Ela olhava o tempo todo para a porta com medo de Suzana aparecer. Para o bem de sua sanidade, ela não cruzou por ali. As clientes iam e vinham o tempo todo e o dia correu como deveria. Ela estava ansiosa para o dia acabar e ela ir jantar com sua namorada, depois andariam na praia, iriam rir de alguma besteira qualquer e comentar sobre as pessoas que passam por elas. Como deveria ser a vida.

Estava tudo certo. Andreia fez hora extra e iria direto buscar Carol no trabalho. Saiu bem antes para esperar sua namorada na porta. Mandou uma mensagem avisando que iria busca-la, mas queria fazer surpresa e chegou quase 40 minutos antes. Do lado de dentro do carro apagado, viu Carol vindo pelo corredor com o celular na mão, era uma mensagem que ela estava enviando Quero te ver logo! Saudades da minha gostosa. Andréia riu vendo ela digitar e sorrir ao mesmo tempo que a mensagem chegava para ela.

Viu também Carol chegar na calçada e se preparar para ligar para a namorada e ser interrompida por uma Suzana linda que chegava de surpresa. Do carro, Andreia não podia ouvir a conversa, ficou apenas tentando entender por gestos e expressões faciais.

– Vamos jantar comigo? – Suzana nem deu oi, chegou ao lado de Carol, até assustando-a um pouco e foi logo perguntando.
– Não posso. Já tenho programação. – Carol tentou despistar a morena. Mas tinha que admitir que seu coração saltitava ao vê-la tão linda.
– Por favor. Faz tanto tempo que não conversamos.
– Nós conversamos essa semana.
– Olha, juro que não quero nada demais. Apenas um jantar entre amigas. Por favor.
Carol não queria, sabia que não ia dar certo mas não sabia como recusar. Olhou para a tela do celular e viu o nome de Andreia pronto para ser chamado. Ligou.
– Oi, pequena. Já saiu? – Andreia perguntou com a melhor voz possível.
– Oi, amor. Saí sim. Você já esta aqui? – No fundo, Carol queria que Andreia já tivesse chegado para não precisar sair com Suzana.
– Ainda não, mas estou indo. – Andreia achou que seria a resposta mais certa naquele momento.

Carol andou para longe de Suzana. Não queria ninguém ouvindo a conversa dela com Andreia. Não sabia exatamente como dizer, mas não quis mentir. Pegou ar e simplesmente falou.

– A Suzana me chamou para comer algo, queria saber se podemos deixar nosso jantar e nosso passeio para amanhã. – Falou tudo de uma vez, sem respirar para não se arrepender, ou para se arrepender.
– Jantar é? – Andreia pareceu desconfiada. Confiava em Carol, mas não em Suzana.
– Se você não quiser, eu não vou. Não tem problema.
– Preciso me preocupar com alguma coisa?
– Não, meu amor. Lógico que não.
– Então vai lá. Coloquem o papo de vocês em dia.
– Tem certeza?
– Acho que sim. Te espero em casa, tá?
– Tá bom, não chego tarde.
– Te amo.
– Te amo, muito.


E de longe Andreia viu Suzana desligando o telefone, dando a notícia para Suzana e a morena abraçando sua menina apertado enquanto pulava de felicidade. Teve vontade de ir lá e dizer que ela tinha perdido a chance dela e que agora Carol tinha dona. Mas apenas olhou e viu as duas irem embora no carro de Suzana.

Para Andréia, restava apenas a areia e o mar. Seria acolhida pelo horizonte esta noite.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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