Brincadeiras do destino – Cap 34

O resto do dia foi igual. Carol se entreteu com suas clientes, riu um pouco das piadas entre as vendedoras mas sempre deixava sua mente espaçar em direção a Carol ou entao para Andreia. Na pior das hipóteses, para as duas de uma vez só.

Andreia estava enrolada em seu trabalho, mas percebeu que a mensagem de Carol era romântica demais para um dia de manhã e que algo devia estar de diferente. Percebeu também que a namorada não tinha tirado horário de almoço. Se limitou a mandar mensagens fofas e cheias de saudade. E realmente estava com saudades. Queria logo aquele colo, aquele abraço, aquele beijo, aquele calor…

A noite já caía por toda a cidade quando Andreia mandou uma mensagem para Carol dizendo que iria buscá-la no trabalho. Já tinha ido em casa, tomado banho e relaxado e iria fazer este agrado para sua mulher. Carol viu a mensagem quando a loja já estava fechando e pelo horário Andreia devia estar esperando ou chegando. Pegou suas coisas, se despediu das colegas de trabalho e com um enorme sorriso no rosto foi para fora da loja.

Pegou o corredor que dava na saída mais próxima quando sentiu uma mão pegando na sua. Era Suzana, de novo.

– O que foi? – Carol perguntou inquieta
– Queria pedir desculpas. Por ter chegado hoje desse jeito e ter jogado tudo em cima de você daquela maneira.
– Você ficou o dia todo aqui?
– Não. Eu trabalho aqui perto. Pensei muito e vim te ver.
– Olha, não precisa pedir desculpas, deixa pra lá tá? Agora eu preciso ir.
– Posso te acompanhar até lá fora?

Carol não podia dizer que não, né? Sabia que isso daria errado. Como explicar pra Andreia que de um dia para outro o seu passado resolveu aparecer e mexer com a cabeça dela daquela forma? Se afastou das mãos de Suzana e seguiram em silêncio.

Como Carol esperava, Andreia estava esperando dentro de seu carrinho simples com um enorme sorriso no rosto, cabelos molhados e uma blusa simples do tipo de ficar em casa. Ela sorria só de olhar de longe. Era tão apaixonada por Andreia que até doía…Suzana não deixou passar a cara de boba de Carol e resolveu provocar. Quando viu que Andreia olhava para sua menina a abraçou para se despedir. Carol levou um susto com o abraço apertado de Suzana e meio sem jeito retribuiu. Se despediram e Carol entrou no carro. O medo a dominava dos pés à cabeça. Se inclinou para beijar Andreia que retribuiu o selinho mesmo estando incontrolavelmente irritada por dentro.

Quem era aquela mulher que ousava abraçar sua menina daquela forma? Quem ela era que parecia tão íntima de Carol, mas que ela não sabia quem era? Perguntas começaram a girar em sua mente, mas ela sabia que não estava na posição de muitas cobranças. Decidiu esperar Carol contar. Seguiram o caminho para casa com conversas banais, músicas cantaroladas e um silêncio extremamente ensurdecedor.

Elevador. Alguns beijos. Chave. Porta. Banho. Carol estava exausta e quando volto para a sala, Andreia tinha preparado um rápido jantar para as duas, simples, mas delicioso. Sentaram juntas na pequena mesa que tinha na sala e aproveitaram a comida.

– Você não vai me perguntar? – Carol puxou o assunto assim que ela terminou de jantar.
– Não. Se for necessário, você que vai me contar – Andréia não precisava se fazer de sonsa.
– Aquela era a Suzana.

Andreia engasgou com um pouco de água que tinha na boca. Carol riu bem sem graça e esperou a namorada se recompor para continuar – ou não – a contar o reaparecimento de Suzana.

– Suzana? A mesma do seu passado? – Andreia confirmou
– Ela mesma.

O clima fechou de vez. Andreia levantou da mesa, pegou os pratos e foi para a pia lavá-los. Ela não suportava saber que Carol poderia fazer a mesma coisa que ela fez com Diana. E ela suportava menos ainda saber que não poderia, exatamente, reclamar, né? Era demais para sua cabeça. Não queria ouvir mais nada de Carol, mas queria saber de tudo que tinha acontecido. Continuou a lavar a louça sem nem olhar direito para o que tava fazendo. Teve vontade de chorar e não conseguiu controlar quando as lágrimas umedeceram seus olhos.

Carol sabia que não ia ser fácil. Imaginou por alguns instantes a loucura que estava passando na cabeça de Andreia. Levantou da mesa sem falar nada, abraçou Andreia por trás enquanto ela lavava a louça. Andréia soltou o prato que tinha na mão e se permitiu chorar com sua menina grudada em suas costas. Deixou duas ou três lágrimas escorrerem pelo seu rosto antes de virar e encarar Carol de frente.

– Desculpa. Não esperava que fosse ficar assim – Andréia falou enquanto enxugava as mãos na própria blusa.
– Assim como, exatamente?
– Com tantos ciúmes e com tanto medo.
– Posso falar uma coisa?
– Acho que pode
– Eu adoro quando você fica com ciúmes de mim.

As duas riram do que Carol falou. E foi ótimo porque deu para melhorar um pouco o ambiente. Continuaram abraçadas, mas agora Andreia tinha seus braços apoiados nos ombros de Carol enquanto olhava fundo em seus olhos. Elas podiam se ver nos reflexos da alma da outra.

– Eu te amo, Andreia. Eu te amo muito mais do que você imagina. Eu te amo mais do que poetas já amaram. Eu te amo mais do que cantores já falaram. Eu te amo mais do que os céus limitaram. Eu te amo.

Andreia chorava enquanto Carol se declarava para ela e sentiu um calor em seu coração como uma certeza de que estava tudo bem. Beijou sua menina com toda a força que tinha como se quisesse mostrar em um beijo todo o turbilhão de sentimentos que estava passando por ela naquele momento.

Seguiram para o sofá da sala e se reconciliaram. Mais uma vez garantiram a si mesmas o quanto estava tudo indo muito bem. Quando foram para a cama, Carol contou como tinha sido o café da manhã com Suzana, não achava justo esconder ou mentir agora. Andreia ficou incomodada e com ciúmes, mas não tinha muito o que fazer. Confiou em sua menina e dormiu em seus braços.

Carol não demorou para dormir também. Preferia nunca ter apagado. Sonhou a noite toda com Suzana. Ela vinha em sua direção rindo e a beijando enquanto Carol retribuía e de longe via Andreia chorando. Ignorava a atual mulher e saía andando de mãos dadas e lábios grudados com Suzana. No meio da madrugada, acordou com o coração acelerado e viu que Andreia ainda dormia feito um anjo em seus braços. Porque Suzana resolveu aparecer logo agora? Porque?

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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