Brincadeiras do destino – Cap 33

O coração parecia que ia explodir e o estômago se embrulhava sozinho. O que ela queria, afinal?

Suzana caminhava da mesma maneira que Carol se lembrava. Ela deslizava no chão e parecia sempre estar desfilando. Seu corpo magro e alto ajudava no porte de modelo. O silêncio estava pesado e Carol iria enlouquecer se desse mais dois passos sem falar nada.

– Você estava na porta da loja ontem? Porque não veio falar comigo?
– Eu não tinha certeza se era você. Vi suas fotos em uma rede social e resolvi dar uma incerta e estava com medo também.
– Medo? De que?
– De você não querer falar comigo. Eu não fui muito legal nos nossos últimos encontros.

Isso era verdade. Carol relembrou das cartas não respondidas e das últimas brigas, dos telefonemas desligados e das grosserias gratuitas. Suzana tinha sido um grande amor, mas agora existia Andreia e Carol tinha crescido. Ela não deixaria uma lembrança do passado estragar tudo. Se nem Diana tinha conseguido, não seria Suzana. Continuaram em silêncio e finalmente resolveram sentar em frente a um quiosque desses de comida natural. Iam tomar café ali.

– Você quer alguma coisa? Um suco? Uma fruta? – Suzana perguntou se levantando e indo em direção ao quiosque para pedir
– Só um café preto, obrigada.
– Mas café faz tão mal para o estômago, não quer um suco? – Suzana sempre teve a mania de achar que sabia o que era melhor para tudo e todos
– Então não precisa de nada. – Carol não tinha mais paciência para esse tipo de coisa, era dona da própria vida e não aceitaria ninguém mandando nela. Ainda mais Suzana, que tinha sumido.
– Desculpa, não foi a intenção. Vou trazer seu café.

Enquanto Suzana se afastava, Carol ficou em dúvida se falava para Andreia ou não. Lembro que não teria horário do almoço, então não teria como encontrar com ela, ficou com medo de falar por mensagem e as palavras a traírem mas sabia que precisava contar para sua companheira. Era certo, justo e necessário. Mandou uma mensagem meu amor, mais tarde vamos jantar juntas né? Preciso te contar algumas coisas. Ficou com medo de preocupar Andreia, mas enviou assim mesmo.

Andreia respondeu assim que Suzana voltava para a mesa. Certamente jantaremos juntas, estou doida para uma noite tranquila com você. Te amo e te amo e te amo ainda mais. Andreia devia estar extremamente ocupada pois não percebeu a parte de que ‘precisavam conversar’. Carol riu para o celular e agradecer a suposta ocupação da namorada. Suzana chegou a tempo de ver o sorriso de Carol olhando o celular.

– Então tem alguém na sua vida para você ter esse sorriso todo, não é?
– Tenho. Mas você já sabia disso, você me viu com ela no outro dia aqui no shopping.
– É… você tem razão, eu vi.
– O que você quer comigo? Porque voltou?
– Você nunca foi de enrolação né….
– Não. E não tenho muito tempo também. Tenho hora de trabalho.
– Bom, voltei porque senti sua falta.
– Sentiu minha falta? – Carol repetiu a frase com um sorriso irônico no rosto
– Você não acredita, não é?
– Não mesmo. Desculpa.
– Não é sua culpa. Eu entendo você…
– Então o que você quer?
– Você.

A resposta de Suzana foi direta, Carol quase engasgou com o primeiro gole de café quente que ela tinha colocado na boca. Parecia uma piada, mas quando a menina viu no olhar de Suzana que poderia ser sério ela não aguento. Caiu na gargalhada.

– Só pode ser brincadeira né, Suzana? Você some, eu corro atrás de você, você sai lá do internato, eu te procuro, você me diz que vai casar com um homem eu sumo e aí você surge do nada falando que me quer? Só pode ser piada!!
– Assim você me magoa, Carol…por favor.
– Magoar? Mais do que você me magoou? Você me abandonou! Eu te entreguei todo o amor que tinha e você jogou no lixo. Eu passei a minha vida toda sendo um nada, sendo só mais uma alma sem amor, andando por aí. Você não sabe o que é magoa, não faz ideia. Ainda bem que eu tenho a Andreia na minha vida, ela me ensinou a amar novamente.

A simples menção à Andreia fez Carol se sentir mais tranquila e segura. Estava com raiva, triste e não sabia o que fazer com Suzana se declarando ali na frente dela. Queria ir embora e queria correr para o colo de sua amada. Apenas respirou. Ainda tinha um dia inteiro pela frente.

– Eu não vou desistir de você, Carol.
– Você não tem pelo que lutar, Suzana. E sinceramente espero que você se dê conta disso o mais rápido possível.
– Mas eu te amo.
– Eu te amei, Suzana e amo o que nós tivemos há anos atrás. Hoje você é uma doce lembrança e está acabando com isso também.
– Eu posso ser seu doce futuro, Carol…
– Não, não pode. Meu futuro é com a Andreia. E agora eu preciso ir, Suzana. Preciso trabalhar.

E assim Carol se levantou, pegou seu café e seu celular e saiu em passos rápidos em direção à loja. As lágrimas correram pelo seu rosto. Não eram de tristeza, nem de medo. Eram de raiva. Se Suzana tivesse aparecido antes de Andreia surgir, com certeza teria sua chance, mas não agora, não depois de tudo que aconteceu.

Carol entrou na loja, foi até o estoque para retocar a maquiagem e aproveitou para mandar mais uma mensagem para Andreia lembrando à ela o tamanho do seu amor. Estava doida para chegar em casa e ter Andreia. Teria que contar o ocorrido.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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