Brincadeiras do destino – Cap 32

Como conseguir dormir depois dos sonhos que teve? Carol passou o resto da noite em claro. Com os olhos abertos mirando o teto e apenas ouvindo a respiração cansada de Andreia que estava dormindo ao seu lado. Era ela. Suzana tinha reaparecido. Carol começou a ficar nervosa e agitada ao mesmo tempo. Se mexeu muito na cama. Andreia ao seu lado, se mexeu também, balbuciou alguns sons e trouxe seu corpo para mais perto de Carol, a abraçou e encostou seu rosto no de Carol. O corpo relaxou novamente e se entregou ao sono profundo mais uma vez.

Carol com medo de acordar sua companheira apenas acompanhou toda a movimentação e sorriu com o coração alegre quando Andreia se aproximou dela e encostou o rosto para sentir seu cheiro. O que ela sentia por aquela mulher era uma coisa inexplicável. Ela nunca tinha sentido nada na vida igual aquilo. Nem mesmo por Suzana.

Em pensar na sua primeira paixão, Carol apenas abraçou Andreia e a puxou para mais perto. Estava com medo. O que será que Suzana queria com ela? O que será que ela queria vigiando o trabalho dela o dia inteiro? Quem ela achava que era para voltar depois de tantos anos como se nada tivesse acontecido? Ela não estava casada? Com um homem? Porque agora? Porque?

Carol conseguiu cochilar mais algumas poucas horas. Um sono agitado que lhe rendeu mais um sonho louco com imagens de Suzana correndo atrás dela dizendo que a amava. Essas coisas que só acontecem em sonhos. Acordou um pouco assustada junto com o despertador. Olhou para o lado e não viu Andreia. Levou um susto e correu da cama. Viu sua namorada sentada no computador logo cedo.

– Levei um susto quando não te vi na cama. – Carol reclamou com voz de criança por ter sido abandonada tão cedo.

– Desculpe. Recebi um email urgente e vim ver o que tinha acontecido. – Andreia respondeu com o mesmo tom, típico dos apaixonados enquanto se afastava da mesa oferecendo seu colo para Carol se aconchegar.

– Dormiu bem, minha criança? – Andreia perguntava enquanto fazia cafuné em uma Carol aconchegada em seu abraço.

– Mais ou menos. Sonhei com coisas loucas.

– Quer me contar?

Carol repassou algumas cenas dos seus sonhos e lembrou do sexo com Suzana e da voz sussurrada em seu ouvido. Achou melhor não falar nada. Afinal de contas, era só um sonho, não é?

– Nem lembro direito. Vou fazer um café, tá? – E com um beijo gostoso e molhado, Carol deixou Andreia em seu computador e foi para a cozinha.

Andreia estava entretida demais em seus emails e seus projetos para perceber que Carol demorou mais do que o necessário para fazer o café. Na verdade, Carol estava um pouco lenta, ainda atordoada com os sonhos que tinha tido. Ou seriam quase pesadelos?

Deixou a água e o pó se misturarem e voltou para onde Andreia estava. Abraçou a namorada por trás enquanto ela lia um email no computador e começou a beijar o seu pescoço com a livre intenção de tirá-la dali. Como uma criança, exigia um pouco de atenção.

– Você está me distraindo, criança. – Andreia tentava, em vão, lutar com aquele desejo que havia ascendido.

– Que bom. Essa era a minha intenção, mesmo. – Carol girou a cadeira de rodinhas de Andreia a colocando de frente para ela.

Andreia sentada e Carol em pé, apenas com o corpo abaixado em direção a boca de sua namorada. O beijo era quente, molhado e foi ótimo para despertar o casal. Andreia aos poucos ia se entregando ao calor irresistível de Carol e quando seguiu com sua mão em direção ao que tinha por baixo da blusa de Carol, a mais nova parou tudo.

– Me encontra no chuveiro. – Carol sabia que tinha sido irresistível.

Elas nunca se cansariam de acordar juntas dessa forma. O banho dividido era a certeza de que o dia prometia ser bom e que no final das contas, estariam juntas novamente. Era excitante esse início de vida.

A hora passou e já deviam ser quase 10h quando as duas saíram pela porta da casa delas. O trajeto não mudava nunca. Andreia deixava Carol no shopping e seguia para o trabalho. Com uma playlist criada a 4 mãos o caminho, que nem era muito longo, era recheado de declarações musicais de uma para a outra. Neste dia, quando chegaram no shopping estava tocando Eu Comi a Madonna, clássico da Anna Carolina que elas adoravam cantar o mais alto possível. Carol tinha esquecido Suzana e Andreia estava ainda mais apaixonada.

Deram alguns beijos de despedida, prometeram se ver mais tarde, Andreia sairia cedo e esperaria Carol com o jantar pronto, em casa. Na casa que era das duas. Finalmente, Carol saiu do carro e foi em direção à loja. O shopping tinha acabado de abrir. Com os óculos escuros ainda no rosto, e o olhar vidrado no celular, mandando alguma mensagem fofa para Andreia, Carol não viu que a morena dos seus sonhos já a esperava na porta da loja.

– Carol? Sou eu, Suzana! – E um abraço envolveu o corpo pequeno de Carol que teve vontade de desmaiar naquele momento, mas só conseguiu sorrir sem graça e retribuir o abraço.

– Suzana? Quanto tempo! – A voz de Carol saía tremula enquanto ela tirava os óculos escuros e os colocava no cabelo. Era estranho ter a certeza de que era a mesma menina.

– Podemos conversar? – Suzana tinha o mesmo sorriso, Carol era encantada com aquele sorriso.

– Eu preciso entrar, a loja vai abrir já.

– Por favor? Fala com a sua gerente que não demoramos. Além do mais, está bem vazio por enquanto.

Carol não gostava de pedir favores mas não ia conseguir trabalhar com a curiosidade a dominando daquele jeito. Entrou, falou com a gerente e disse que iria trocar o horário de almoço, então estava tudo certo. Deixou a mochila, pegou apenas o celular e foi encontrar Suzana que a esperava do lado de fora. Estava tensa, nervosa e com medo. O que será que ela queria, afinal? Só saberia de uma maneira.

– Pronto. Podemos ir.

– Ótimo! Vamos, vou levar você para tomar um café da manhã.

Suzana esticou a mão para Carol pegar, mas não foi correspondida. A namorada de Andreia preferiu fingir que não tinha visto e andar ao lado dela apenas. O coração parecia que ia explodir e o estômago se embrulhava sozinho. O que ela queria, afinal?

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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