Brincadeiras do Destino – Cap 30

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Os sorrisos tímidos nos rostos das pessoas que viram a cena traduziam o amor que exalavam, a felicidade que transpareciam e a paixão claramente dividida. Carol esqueceu a tal morena de vez, por enquanto. Ela voltaria a aparecer.

A vendedora tinha apenas uma hora para almoçar e como não queriam perder tempo, comeram um sanduíche rápido e foram procurar algumas coisas que estavam precisando. Como o chip de celular de Andréia. Foram na loja da operadora e inventaram uma historia qualquer de que ela tinha perdido o antigo chip. O vendedor até ofereceu para ela recuperar o número, mas a resposta foi conjunta e uníssona: Não.

Com um novo número e muita sorrisos no rosto, as duas entraram em uma loja de roupas de cama. Andréia queria comprar lençóis e cobertores novos. Falou que os outros estavam velhos, mas no fundo queria tirar qualquer coisa que Diana tivesse passado por perto. Só não trocavam a cama toda porque era meio caro demais. Compraram dois novos jogos e duas tolhas novas para cada uma, além de roupões para andarem em casa. Estavam parecendo um verdadeiro casal, tomando decisões de vida juntas.

Como fizeram tudo correndo, ainda tinha sobrando uns 15 minutos para Carol. Compraram um sorvete e sentaram em um banco em frente à loja para aproveitarem os últimos minutos. Acabou que Andreia puxou um assunto que estava em sua mente nos últimos dias.

– Neném, você não vai voltar para a faculdade?

Carol mudou completamente sua expressão. Ficou mais fechada, do tipo triste. Respirou, tomou mais uma colher de sorvete e respondeu à namorada:

– Queria. Mas não tenho como pagar e dividir as contas do apartamento. E nem adianta me oferecer nada que eu não vou aceitar. Não é justo e por enquanto vai ser assim.

Carol falou tudo isso com a voz mais manda que conseguiu, mas foi o suficiente para deixar claro que aquele assunto era meio que proibido entra as duas. Realmente, Andréia estava com a intenção de pagar a faculdade de Carol para que ela voltasse a estudar e pudesse ajudar nas contas de casa com o dinheiro da loja. Mas ia tentar em outro momento, não queria arrumar briga logo agora que as coisas estavam ficando boas. Mudaram de assunto e deixaram isso pra lá.

Os quinze minutos voaram e Carol teve que voltar para a loja. Andreia se despediu e esperou ela entrar no trabalho como uma mãe assiste de longe seu filho entrar na escola. O coração parecia apertado ao ver sua menina andando na direção contrária a dela. Mas sempre que lembrava que iam se reencontrar mais tarde, as coisas pareciam perfeitas novamente. Andreia correu para o carro e voltou para o trabalho.

A tarde passou voando. Andreia e Carol estavam atoladas de trabalho, o que de certa forma era bom, ajudava a passar o tempo. Já eram mais de 19h30 e Andreia ainda estava presa no escritório em um mega projeto que teve o prazo adiantado. Ela arrumou cinco minutos e ligou para Carol, que por sorte estava sem clientes e pode atender.

– Amor, que horas você sai daí? – Andréia nem podia enrolar muito.
– Acho que só às 22h mesmo, baby. E você? Já em casa?
– Nada. O projeto da Sra. Antonia que te falei é para amanhã a tarde. Vamos trabalhar até fechar o prédio hoje. Aí pensei em passar aí e te pegar, ok?
– Perfeito meu amor, vê se come algo hein.
– Pode deixar, mãe.

As duas riram com a preocupação de Carol e a implicância de Andréia. O casal estava nas nuvens com esse amor todo. Parecia que nada poderia atrapalhar.

Os clientes encheram a loja de novo e quando Carol se deu conta já eram quase 21h30 da noite. Estava feliz que tinha faturado bastante naquele dia, mas estava muito cansada e pediu para ficar no caixa, precisava parar um pouco. Do caixa ela tinha a vista de toda a entrada da loja e quando olhou para o corredor do shopping viu a tal morena sentada no mesmo banco que ela e Andreia estavam mais cedo olhando lá para dentro.

Carol gelou com o olhar fixo da mulher, franziu a testa e pensou em ir lá fora. Mas nesse momento uma cliente se aproximou pronta para pagar as compras dela e da filha. Carol, ainda meio atordoada, pegou a boleta e passou no sistema. Recebeu o cartão da cliente e colocou as roupas na sacola da loja. Mas a morena não saía de sua cabeça, nesse momento ela tinha perdido o campo de visão do banco e quando a cliente foi embora agradecendo a todas não havia mais morena sentada. Era muito estranho isso.

Finalmente 22h. Carol estava com o celular na mão e a loja já estava fechando. Não se passaram cinco minutos e o novo número de Andreia ascendeu a tela do aparelho.

– Vem que sua mulher está morta e te esperando – A voz de Andreia era de cansaço mesmo.
– Estou indo meu amor, quer algo?
– Não baby, já comprei o jantar.

Andreia aguardava Carol com uma sacola vinda do restaurante chinês. Era o jantar da segunda. A noite ia ser longa, não da melhor forma possível, mas longa.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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