Brincadeiras do Destino – Cap 28

Carol não deu tempo de Andréia responder, pegou sua chave e saiu. A única esperança de Andréia é que Carol não tinha feito mala, nem nada. Ela iria voltar. Tinha que voltar.

Carol caminhava pelo calçadão sem rumo. Aquele mesmo calçadão, onde protagonizaram cenas felizes e outras nem tanto. Lembrou de quando Dinha tentou beija-la na frente de Andreia e ela teve que sair correndo para salvar seu início de namoro.

Lembrou de quando teve que correr atrás de Andreia porque ela estava com o fone muito alto. Lembrou do último passeio delas, quando Diana já tinha ido embora e elas foram esfriar cabeça na praia. Além de todas as outras saídas que terminavam com uma cervejinha gelada no quiosque em frente ao prédio. Carol sorriu em todas as lembranças.

Ela não tinha se arrependido de ter perdoado, nem estava querendo ir embora. Ela só precisava de ar. Depois de ler a mensagem ela sentiu uma pontada muito forte no peito e sentiu o ar ir embora. Precisava recuperá-lo. Por alguns instantes, precisava relembrar o motivo de ter ficado. E deu certo.

Sentada na areia, bem pertinho do mar, o barulho da onda a deixava mais tranquila e a fazia feliz. Andreia a fazia feliz. Ela perdeu a noção do tempo que estava ali fora. Até Andreia chegar.

– Fiquei preocupada com você. Você é muito bonita para andar sozinha essa hora da noite.

Andreia falava enquanto sentava ao lado de sua mulher na areia. Deu um beijo no rosto dela, deixou os corpos se tocarem e olhou para frente, buscando o fim da imensidão do mar.

– Eu sei me cuidar sozinha, obrigada. – Carol não tinha deboche na voz, apenas fofura.
– Nunca mais você vai precisar se cuidar sozinha. Eu não vou a lugar nenhum. – Andreia falou sem olhar para o lado, ainda com os olhos no mar.
– Eu sei disso e é por isso que eu te amo.

O silêncio já dizia muito e Carol apoiou sua cabeça no ombro de Andreia para olhar para o mar. A mais velha passou a mão pelas costas da menina e a puxou para mais perto. Estavam começando a entrar em sintonia novamente. Tudo que precisavam, era de ar.

– Tenho uma coisa para você. – Andreia despertou Carol do transe gostoso que ela estava
– O que?
– Isso.

Andreia entregou um chip de telefone para sua namorada.

– O que é isso?
– Meu chip. Vou trocar de número.
– Você não pode fazer isso. E o seu trabalho?
– Estou com eles todos os dias, eles vão saber meu número novo.
– E eu?

Era piada de Carol. A menina pegou o chip, levantou, foi até o mar e arremessou bem longe. Não queria dar a chance de que o mar trouxesse de volta. Quando voltou para onde estavam, Andreia ja estava de pé esperando por ela.

– Novo celular. Nova vida. – Andrei decretou.

Carol não disse nada, apenas caminhou até ela, passou os braços pelo pescoço de sua mulher e a beijou com todo o amor e carinho que podia. Pegou Andreia de surpresa, mas aproveitaram o momento juntas.

– Vamos pra casa? Para nossa casa? – Andreia estava com Carol em seus braços e com os rostos bem colados.
– Vamos, minha, só minha, mulher.
– Só sua.

Caminharam de volta, agora em passos lentos e com os corpos unidos. Precisavam do mar para se recuperar.

Andreia deixou Carol abrir a porta com sua chave, enquanto a abraçava por trás e beijava seu pescoço e orelhas. A menina ria e ao mesmo tempo se concentrava para conseguir abrir a porta. Quando finalmente conseguiu, mais uma surpresa. Faltavam algumas coisas na casa, inclusive o sofá da sala.

– Alguém roubou a gente! – Foi a primeira reação de Carol.
– Calma, amor. Fui eu que joguei fora.
– Como assim? Porque?
– Não quero nada nessa casa que possa lembrar ela. Quero coisas novas para a nossa vida nova.

Carol correu no quarto delas para conferir se a cama tinha ido pro lixo também. Por sorte, Andreia lembrou que elas precisariam de um lugar para dormir.

Carol achou a atitude meio exagerada, mas gostou de perceber que Andreia estava fazendo de tudo para que elas dessem certo, realmente. Voltou até a sala, puxou sua namorada pela mão e a levou para um banho quente, juntas. Agora que não tinham mais sofá, não poderiam sair da cama.

Era domingo, elas deitaram cedo, dormiram um pouco mais tarde. No dia seguinte, a vida real as chamaria novamente. Era segunda e tudo precisava acontecer.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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