Brincadeiras do Destino – Cap 25

Depois da Tormenta…
E com isso, Andréia apagou de sua mente qualquer resquício de Diana, tudo era passado. Seu futuro era com Carol. Sabia disso. Queria isso. Lutaria por isso.
Terminaram o passeio na praia com uma água de coco logo antes do quiosque fechar. Precisavam limpar a alma e a mente antes de voltar para o apartamento. Carol contava para Andréia como tinha sido a conversa com sua irmã e o dia de trabalho. Disse até que já tinha falado para os seus pais sobre o novo relacionamento. Carol estava empolgada demais, sonhando com almoços em família e até mesmo pequenas obras no apartamento, que agora era das duas.
Andréia acompanhava a companheira em cada planejamento, em cada sonho. Mesmo morrendo de medo de tudo. Para garantir, ela deixou o celular em casa. Todas as mulheres que passavam pelo calçadão, Andréia olhava receosa com medo de ser Diana voltando para infernizar a vida das duas e jogar toda a merda no ventilador. Fazia de tudo para não pensar nisso, mas tinha medo. Muito medo. Não queria perder Carol.
Fizeram o caminho de volta abraçadas e rindo de alguma besteira boba que Carol tinha falado. Ela estava com uma alegria contagiante e isso acalmou (ou não) o coração de Andréia. O caminho parecia diferente feito dessa maneira. Os braços de Carol apertando seus quadris tinham sensação de amor, futuro, paixão. E Andréia rezava secretamente para que isso não mudasse. O fantasma de Diana era muito recente e estava fresco na memória de Andréia.
Chave girando, coração acelerando e risos soltos. Foi assim que o casal entrou na nova casa. A casa das duas, agora. Para Andreia o cheiro do sexo com Diana ainda estava no ar, no sofá, na cama e nos cantos da casa. Fez ela ficar com lágrimas nos olhos que, felizmente, Carol não percebeu.
Para Carol o fantasma de Diana ainda rondava por ali. Não da mesma forma que Andréia enxergava, mas ainda havia um medo pairando no ar. Mas o casal preferiu ignorar. Abriram uma garrafa de vinho, fizeram algo rápido e simples para comer e curtiram a primeira noite de paz, agora como quase-casadas. Carol parecia uma criança com brinquedo novo de tanta empolgação. Andreia estava muito feliz, mas o medo não a deixava relaxar.
Por muito tempo ela pensou em abrir o jogo com Carol, falar a verdade, inclusive o quanto estava arrependida. Mas sabia que sua menina não ia entender. Deixou para lá.
– O que você está pensando? Sua cabeça está longe daqui. – Carol finalmente perguntou.
– Preciso te contar uma coisa amor. – Andreia estava decidida.
– Eu sabia que estava tudo bom demais. Me fala logo. – Carol já estava com a voz alterada, o sorriso tinha sumido e o corpo se retraído. Não era mais a criança feliz de poucos minutos atrás.
Andréia quase se arrependeu, mas não tinha jeito. Precisava começar a falar senão nunca seria feliz, de verdade, com Carol. Andréia respirou bem fundo e tentou começar.
– Hoje à tarde, quando fui conversar com a Diana, nós brigamos.
Carol não respondeu, apenas olhava com os olhos cheios d’água esperando Andréia continuar a história.
– Bom, eu falei que ela precisava sair daqui e aí ela saiu do controle e começou a me atacar dizendo que você tinha feito minha cabeça e que eu ainda a amava.
– E você ainda a ama? – Carol interrompeu Andreia de maneira brusca.
– Não. Hoje tenho mais certeza do que nunca que não.
– Então continue.
– Ela disse que voltou para mim e que queria que tudo desse certo entre nós. Eu disse que não a queria mais e que estava planejando uma vida ao seu lado.
Nesse momento, Andréia estava de pé andando pela pequena sala que dividiam. Carol continuava parada, imóvel apoiada na pilastra que dividia a sala da cozinha. Aquela visão era o céu para Andréia, exceto pela parte de Carol estava chorando.
– Continua, Andréia. Não dificulta isso, por favor. Por mim.
– No auge da discussão eu disse que não a amava mais e que estava apaixonada por você. Aí ela me beijou.
Foi o momento que Carol se moveu da posição que estava. Ela levava as mão à cabeça e repetia sussurrando para si mesma eu sabia que isso ia acontecer, eu sabia. Andréia começou a chorar copiosamente a ponto de quase se engasgar.
– Você a beijou de volta? – Carol perguntou pausadamente.
Andréia não respondeu, não conseguia. Carol deixou as lágrimas correrem de vez. E olha que ela nunca foi de chorar muito.
– Vocês transaram, não foi? – A pergunta de Carol não era bem uma pergunta, era quase uma afirmação.
Andréia gritava de tanto chorar até cair de joelhos no chão e quase desmaiar. Carol sentou ao lado da namorada no chão e pediu para que ela se acalmasse. Não queria que ela passasse mal. Carol estava decidida.
– Eu vou arrumar minhas coisas e vou embora. Amanhã volto para pegar o resto, pode ser?
– Por favor, não vá. Eu te amo. Eu te quero. É com você que eu quero viver e casar e sonhar e tudo! Por favor, Carol. Eu não queria! Ela…
– Ela que te obrigou? Ela te prendeu na cama?
Andréia chorou ainda mais. Sabia que Carol estava certa.
Sem falar nada, Carol levantou e foi em direção ao quarto. Voltou pronta com uma mochila nas costas e andou em direção a porta.
– Só me responde uma coisa. Você teve prazer com ela?
Andréia já estava de pé, conseguindo respirar sem se engasgar. Olhou nos olhos de Carol e respondeu com toda a sinceridade do mundo.
– Não. Só senti prazer na vida com você.
Andréia então abaixou a cabeça para não ver a reação de Carol.
A antiga Carol teria aberto a porta, saído e nunca mais olhado para trás. Mas ela simplesmente não conseguiu fazer isso.
– Então porque?
– Não sei. Acho que era para fechar o ciclo. Fechar o livro, de vez.
– E fechou?
– Da pior maneira possível, mas fechou.
– O que você sente por ela?
– Nojo.
– Mentira.
– Ódio. Nojo. Desgosto.
– O que você sente por mim?
– Carinho. Amor. Tesão. Paixão.
– Não sei o que fazer, Andréia. Estou aqui. Nua por dentro, com coração na mão por você. Mas hoje tenho dúvidas se você vale a pena.
Andréia voltou a chorar de forma intensa, mas respirou e conseguiu responder.
– Se você me der esta chance, você não vai se arrepender.
Carol não respondeu e nem se moveu. Passou uns 2 minutos olhando nos olhos de Andréia procurando qualquer desvio nas palavras ditas. Mas não encontrou. Apenas viu uma alma arrependida e sincera em sua frente.
Sem dizer nada soltou a mochila no chão e foi o suficiente para Andréia pular em seu pescoço e chorar copiosamente em seu colo. Carol a abraçou de volta e deixou as lágrimas rolarem. O cheiro do cabelo de Andréia fez o coração de Carol sair pela boca de tão acelerado. Era por isso que ela estava ficando. Por esse coração batendo rápido que ela nunca tinha sentido na vida. Lembrou de quando transou com Dinha e se sentiu até meio mal por nunca ter contado a total verdade para Andréia.
As duas estavam de olhos fechados deixando que os corações falem por elas mesmas. Mais uma vez, escolheriam viver este amor. Viver esta nova vida.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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