Anna – Cap 4

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– Mãe, precisamos conversar…

O dia amanhecia um pouco confuso para Dona Cida! Aquela sensação chata de ressaca… Quase meio dia de segunda feira e ela ainda naquele estado deplorável!

Anna tinha acordado cedo, arrumado algumas coisas na mala e ainda conseguiu fazer um almoço para as duas. Não faziam isso há tempos e preferiu preparar o ambiente para a tal notícia.

Ela tinha quase certeza que Cida entenderia sua decisão. Esperou a mãe se lavar e se recompor e sentaram à mesa. O papo começaria.

– Fez almoço especial! Boa coisa não deve ser…
– Boa tarde para a senhora também! E voce sabe que sua filha querida sempre gostou de cozinhar…
– Anna notou o humor negativo da mãe e tentou ignorar a alfinetada. Não deixaria ela estragar tudo.
– Pois bem… Diga!
– Sabemos que eu já sou bem grandinha… Sabemos também que eu já posso me cuidar sozinha! Certo?!
– Não sei aonde você quer chegar, mas continue! – Disse Dona Cida, sem demonstrar grandes interesses. – Eu andei procurando uns lugares pra alugar…
– Como assim alugar? Aonde voce vai? – D.Cida estava assustada e aos poucos engrossando a voz. Boa coisa nao ia sair.
– Eu vou me mudar mãe! Por favor, nao dificulta as coisas…

Dona Cida levantou, seus movimentos eram brutos, característicos de uma pessoa raivosa. Não aceitava que a filha a deixaria, como ela ficaria? Ela precisa de Anna! Não se aguentou e sem pensar, engrossou pro lado de Anna!

– Não tem por que voce sair de casa! Nem dinheiro voce tem! Ou voce acha que eu vou te bancar? Anna nao se segurou.
– Não torne as coisas mais difíceis do que já são! Eu fiz de tudo pra voce sair dessa vida de bares e álcool! Mas voce não me ouviu. Voce nao me viu, mãe! Tanto que nem percebeu que eu arrumei emprego e consegui a bolsa na faculdade que eu queria! Você está tão preocupada com você mesma, com a sua dor, que nao consegue enxergar a própria filha!
– Lá vem voce com esse papo de novo! Eu não vou parar de beber, você gostando ou não.
– Por isso que não dá mais para ficar aqui… – Anna respirou fundo.
– Você não vai sair dessa casa!

A briga não parou por aí… Trocaram ofensas, gritaram, a barbárie estava feita! Dona Cida cansou e foi para um bar qualquer e Anna tentando se segurar pra não chorar, em vão, foi pegar suas malas pra sair daquela casa. Outro dia pegaria o que ficou… Não podia ceder a pressão da mãe.

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Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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