A síndrome do querer o mundo

Eu não sei como vocês são, mas eu tenho um problema que não sei se tem nome. Não tem como você descobrir esse meu problema ao olhar pra mim, nem corre o risco de você se contagiar. Não sei como veio, muito menos como vai. Ele existe e é isso que eu sei.

A dificuldade que tenho tem a ver com a minha cabeça, minha mente e meu coração. É como se minha vida não fosse minha, fosse do mundo. Quem me vê andando na rua não faz idéia de como eu sofro com tudo isso. Todos os dias eu acordo e no primeiro segundo que abro os olhos preciso lidar com alguma vontade, sonho ou objetivo novo. E isso não para por aí. Levanto e antes mesmo de chegar a porta do quarto estou com outros planos, outras vontades e outros sonhos.

Não me deixe nem ligar o computador ou a Tv que as coisas saem do controle. É como se a minha vida estivesse estacionada e todos os dias eu preciso planejar anos e anos em poucos minutos. Eu começo a me empolgar e resolvo começar a agir e aí tenho que parar tudo porque tenho que trabalhar. Passo as 8 horas do dia trabalhando, mas com a cabeça a mil pensando em como eu devo agir para realizar cada um dos milhões de objetivos que tenho. E não são sonhos longiquos, daqueles que queremos quando crianças, são sonhos. Próximos e quase reais.

Volto no final do dia para casa pronta para conquistar o mundo antes que comece o Jornal da Globo e me deparo com a triste realidade do mundo: nada vai acontecer. Mais um dia eu não fiz nada de diferente a não ser planejar e sonhar. Mais um dia eu continuo a mesma e assim se passam anos. É como se existisse uma vida inteira, bem na sua frente esperando você chegar lá, mas você nunca vai chegar. E assim, continuam os dias intermináveis de uma vida que parece não ser vivida.

Dizem que é coisa do signo, dizem que é coisa do dia que eu nasci. Eu só sei que dói, é uma frustração diária de querer ser e fazer tantas coisas e no final da contas ser e fazer o mesmo de sempre. Dói. Mais do que vocês imaginam. E nesse doer eterno da vida, nada acontece, nada muda, nada cresce. Só o corpo, a mente e alma envelhecem.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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