A repercussão do selinho de Emerson

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É impressionante o valor social do “viado” no Brasil. Num país fundamentalmente machista, onde logicamente a mulher vale menos que o homem, é óbvio que um macho que abra mão da sua posição dominante para se nivelar por baixo é ainda mais desprezível. Pior ainda, as “bichas” são escandalosas, não se dão ao respeito e só pensam em aparecer, provando assim que não se tratam de cidadãos sérios. Não é curioso, então, que tal figura seja tão ameaçadora?

A história é boba: o atacante Emerson, do Corinthians, achou por bem postar uma foto dando um selinho num amigo, em sua conta do Instagram. Atitude louvável, já que o próprio mandou recado para os preconceituosos de que aquilo não era nada demais. Porém, alguns torcedores do timão, que logicamente não representam toda a torcida, ficaram excitadíssimos resolveram protestar e exigir, no mínimo, um pedido de desculpas formal do jogador.

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Uma coisa que chama atenção é o cartaz. Não é legal que alguém diga “vá beijar a P.Q.P”, como se tivesse autoridade sobre o corpo e as vontades do outro? Incrível! Pra concluir, aquilo que justifica tudo: “aqui é lugar de homem”. Claro, afinal, o fato de ter beijado outro homem faz com que Emerson perca o “direito”, e como sabemos nenhum gay é “homem”. Além disso, afetividade mandou lembranças, né? Imagina que delícia ser pai, filho ou amigo dessas pessoas que você nem pode beijar?

Qual é a força da masculinidade, se ela é ameaçada por tão pouco? É isso que estamos ensinando aos meninos? Que se eles demonstrarem algum tipo de afeto terão sua identidade social questionada? Qualquer ser humano minimamente capaz deveria perceber que não cabe menosprezar o outro por causa de sua vida particular, não importando se tal pessoa é uma celebridade ou não. No caso do jogador, chegaram ao extremo de dizer que a boa campanha não o isentaria desta falta, como se algum torcedor tivesse razão em se preocupar com a vida dele fora do campo. Não é triste quando essa perseguição atinge até mesmo quem não é gay?

O futebol é parte da cultura nacional e é a brincadeira preferida de 9 entre dez meninos, além de ser enfiado goela abaixo daquele unzinho que preferiria jogar queimado com as amigas. Muitos garotos gostam tanto da brincadeira que pensam seriamente em transformá-la em carreira, até porque todo mundo quer comprar Ferrari, fazer churrascão com um monte de mulher e ainda ganhar dinheiro pra usar Nike exclusivo, mas talvez seja esse o problema. Brincam tanto, que esquecem de crescer e seguem meninos.

Afinal, não é possível que um mimimi desses seja “coisa de homem”!

Fonte

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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