50 Tons da Vida – Cap 35 – Um breve adeus

Olha só, nós aqui.

Voltamos. E antes de tudo, precisamos conversar. No melhor estilo D.R de ser. Após muito pensar e muito tentar, conversei com a Mari e pedi um tempo do HPM. Não se matem ainda! É por pouco tempo e eu não vou me afastar completamente do site. Continuo colaborando com ele.

A verdade é que eu tenho trabalhado muito (pois é, eu trabalho) e além de escrever aqui todas as segundas estou investindo em um livro contando, com muito mais detalhes, a minha curta e interessante história e acabou não conseguindo fazer bem nenhum dos dois, por isso, pedi um tempo. Hoje é meu último capítulo, por enquanto.

E vim contar uma história que todas vocês morrem de curiosidade: o real motivo pelo qual eu não uso as redes sociais.

Bom, depois da Donna eu resolvi que não ia me envolver nunca mais. A minha vida seria focada nos estudos e nos trabalhos, eu queria me manter mais tempo por lá e precisava fazer por onde. Na verdade, precisava arrumar um emprego na minha área. E foi aí que eu a conheci. Ela fazia aula de desenho digital comigo, linda de morrer. Não quero falar o nome real da pessoa, então por enquanto vamos chamar de K.

Ela era simpática, do tipo que falava com todo mundo, tinha muitos amigos e vivia cercada de homens e mulheres. Ela tinha um namorado, um bobão que vivia fazendo tudo por ela, beijava o chão para ela passar. Tadinho, morria de pena dele.

Um belo dia depois da aula eu fiquei praticando uns exercícios novos no computador enquanto todo mundo saía da aula. Eu sempre gostava de ficar mais, a sala era silenciosa e a internet ficava mais rápida. Nesse dia, ela resolveu ficar também. Sinceramente eu não tinha me ligado. Assim que a aula acabou coloquei meu fone e comecei a ouvir música enquanto desenhava algumas besteiras no computador. Foi quando ela chegou mais perto e puxou meu fone já perguntando se eu era surda. Admito que me irritou profundamente, mas deixei pra lá e comecei a conversar com ela.

Descobri que ela não gostava da faculdade que fazia, mas sua tia era dona de uma agência de publicidade então era uma maneira dela conseguir emprego. Naquele instante me tornei melhor amiga dela. Era a chance que eu precisava. Ok, sei que fui interesseira e isso não é uma atitude decente e tals, mas me entendam: eu estava desesperada!! Ela era minha chance real de um bom emprego por lá mesmo. Viramos amigas.

Inseparáveis. Exatamente isso que nos tornamos. E o pior (ou melhor) de tudo é que era realmente amizade. Eu nunca tinha pensando em nada a mais com ela e até onde eu sabia, ela também não. E para ser bem sincera o meu interesse ficou em segundo plano porque ela era uma boa amiga. Adorava o fato de eu ter um apartamento próprio, assim ela podia ir lá pra casa e não tinha ninguém para perturbar ela sobre estudos e etc. Interesse por interesse as duas tinham, não é?

Estava tudo bem, até aquela terça feira. Eu já estava quase dormindo, lendo na minha cama quando ouvi alguém no corredor correndo e a minha campainha tocou. Levantei assustada e abri a porta devagar com medo do que podia ser, afinal de contas, já era tarde. Era ela, chorando com uma roupa parecendo pijama na porta da minha casa. Abri e deixei ela entrar. Ela voou no meu pescoço e me abraçou como uma criança encontrando um porto seguro. Aquilo me deixou realmente triste e com pena dela.

Resumindo, ela tinha brigado com todo mundo: namorado, família, amigos e só sobrava eu. Ela disse que não tinha para onde ir e perguntou se podia passar a noite ali. Eu não tive nenhuma maldade quando disse que sim. Deveria ter tido. Deitamos e ela me pediu colo. Como amiga, cedi. Ela esperou eu falar alguma besteira e riu melhorando um pouco a chateação. Me olhou, não falou nada e me beijou. Não tive reação, nem de beijar de volta. Foi quando ela me disse que queria muito ficar comigo, que achava que estava apaixonada. Eu disse que não sentia isso e que estava ainda meio mal por causa de um antigo relacionamento. Ela disse que entendia, mas que queria muito ficar comigo, nem que fosse aquela noite. Cedi.

Entramos em um relacionamento maluco, possessivo e estranho. Tudo tinha que ser escondido porque os pais dela nunca aceitariam, ela ainda estava com o namorado, não tinha terminado. Nos encontrávamos no final das aulas, escondidas no banheiro feminino da faculdade vazia. Ela batia na porta da minha casa de madrugada dizendo que estava com saudades, fazíamos um sexo louco e ela dormia comigo até a hora da aula. Ela inventava trabalhos para poder dormir na minha casa.

Eu, sinceramente, até gostei daquela coisa de adrenalina de relacionamentos escondidos e achava que por ela ter alguém ia ser tudo uma brincadeira. Doce ilusão. Na primeira noite que saí com o pessoal do café onde eu trabalhava sem avisar a ela, foi um horror. Ela estava me esperando na porta do apartamento de madrugada com várias pedras na mão e um discurso louco. Brigamos, mas depois fizemos sexo de reconciliação.

Ela cobrava de mim um relacionamento que não existia e eu, carente e sem vontade de brigar, deixava. Até a última briga que tivemos. Donna me ligou em uma sexta feira dizendo que queria me ver. Nem pensei duas vezes. Corri para vê-la. O irmão dela tinha arrumado um trabalho longe de casa e ia se mudar e ela estava sofrendo como se ele tivesse morrido. Conversamos, rimos, ela chorou, eu a consolei e só. Por mais que eu quisesse mais com ela, nada aconteceu. Era o melhor para nossa saúde mental.

A K morrendo de ciúmes pegou todas as fotos que tinha nossa e mandou para meus pais. Nem eu sabia que ela tinha tantas fotos. Não deu outra, minha mãe desesperada me ligou e chorou horrores comigo no telefone. Eu chorei de volta e acabei com ela em uma briga tão feia que até hoje não lembro direito do que aconteceu.

Exatamente um mês depois minhas aulas acabaram e eu não tinha emprego algum. Fui convencida a voltar para o Rio. Depois disso, K me perseguia em todas as redes sociais. Até hoje ela me procura por aí, que eu sei. Então decidi que eu não merecia isso para mim. Fui viver minha vida e deixei esse pesadelo para trás.

Hoje minha vida é outra, eu tenho tantas outras alegrias e tudo que aconteceu está lá atrás, mas a minha decisão não mudou até hoje. Mas quem sabe um dia?

Meninas, foi um enorme prazer contar as minhas histórias para vocês. Não chorem que eu vou voltar antes mesmo de vocês perceberem. Mas, por enquanto o 50 Tons vai ficar focado em outras coisinhas, tá? E quem sabe, ainda esse ano, vocês não acompanham o lançamento do nosso livro? Aguardem as novidades!

Um beijo de quem ama vocês,
Delle.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Este post tem um comentário

  1. Lucilana

    Que triste =(
    Mas que essa tristeza nos traga futuras alegrias.. vou cobrar hein , Delle.
    Acabei me encantando mesmo por cada detalhe da sua história.. Aguardando ansiosamente o Livro .. Bjkas. Lucilana Morais

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