50 Tons da Vida – Cap 34

Viram? Voltamos!

Semana passada contei de um almoço horroroso com a família da Donna, né? Resolvi então terminar essa coisa toda da Donna que eu to enrolando vocês.

Nós namoramos por alguns meses. Ela foi muito importante pra mim, já que me ajudou a arrumar emprego, apartamento e por isso, fiquei mais um ano lá. Mas infelizmente, nosso relacionamento não durou o tempo que gostaríamos.

Depois daquele tal almoço, nosso relacionamento se transformou. Nós éramos fortes e prontas para encarar o mundo. Passamos a não ligar para onde nos beijávamos ou qualquer coisa assim. Aquele papo de que ela poderia ser demitida parece que caiu no nosso esquecimento e todo mundo já sabia que estávamos juntas. Nos abraçávamos nos corredores, nos beijávamos na porta do meu quarto e do dela, tomávamos banho juntas no quarto dela no meio do dia e andávamos de mãos dadas pelo campus da faculdade. Era um relacionamento perfeito e eu já estava quase a convencendo de vir comigo para o Brasil. Mesmo que fosse para passar um tempo apenas.

Bom, aí veio meu apartamento, o novo trabalho e a vida de verdade. Eu estava trabalhando fazia um mês quando o pai dela passou mal um dia e ela teve que ir correndo socorrer ele e levar para o hospital. Parece que ele teve algum problema respiratório enquanto trabalhava e tudo mais. Até onde eu sei, ele tá vivo até hoje, mas não é mais nenhuma criança, né?

Bom, nesse dia eu trabalhava até tarde e só consegui ir a noite até o hospital ver como estavam as coisas. Admito que fui mais por ela do que pelo pai dela, que tinha deixado claro que não gostava do nosso namoro. Quando eu cheguei lá, ela veio correndo me abraçar e desabou a chorar no meu ombro. A abracei apertado e prometi que ficaria tudo bem e que eu estaria ali do lado o tempo que fosse necessário.

O pai dela estava dormindo e no dia seguinte eu só entraria a tarde no trabalho então aproveitei para ficar com ela e com o irmão enquanto a mãe ia em casa tomar um banho, comer alguma cosia e descansar, nem que fossem cinco minutos. O dia já estava clareando quando o pai dela acordou. Deixei os dois filhos entrarem no quarto e fiquei do lado de fora. Foi quando chegou um dos diretores lá da faculdade para visita-lo. Por acaso, o mesmo direito que cuidava do meu caso, responsável por mandar minhas notas para o Brasil e etc.

Ele levou um susto quando me viu ali e logo pediu explicações. Falei apenas que tinha vindo visitar o pai da Donna e não entrei em detalhes, fiquei com muito medo. Ele me deixou ali e entrou no quarto. Foram exatos 25 minutos de visita e quando ele saiu Donna veio junto. Esperamos ele se afastar para nos aproximarmos.

O diretor queria saber como ele estava, mas também queria falar sobre aposentadoria. A faculdade pagaria tudo certinho, mas acabariam as vantagens como refeição todos os dias e plano de saúde. Donna estava arrasada e eu não sabia se chorava com ela ou se fazia ela parar de chorar. A abracei bem apertado e prometi que estaria ali, não importava o momento. Mas aquele abraço já tinha sido diferente da noite passada.

Eu precisei ir embora para o trabalho e ela ficou, tinha conseguido o dia de folga. Nos falamos por mensagens, como deu. A noite eu disse que voltaria para o hospital mas antes ia em casa tomar um banho e comer algo. Quando cheguei em casa a porta estava destrancada e a única pessoa que tinha a minha chave era ela. Não deu outra. Tinha um jantar na mesa, simples e rápido com uma taça de vinho para cada uma. Namorada perfeita que eu tinha, não é?

Comemos, bebemos, namoramos e ela me pediu para sentar ao lado dela no sofá, que queria conversar. Resumindo: ela terminou comigo dizendo que tinha medo de perder o emprego e que se ela perdesse a família não teria condições de continuar ali e ela não saberia o que ia acontecer. Brigamos. Feio. Rebati e disse que ela estava sendo egoísta. Ela até concordou mas lembrou do quanto me amava. Não acreditei. A deixei ir.

Ela ainda me mandou mensagens, emails e até bilhetes por debaixo da porta mas a minha mágoa não permitia ver o lado dela e nem me permitiria aceitar que ela poderia estar certa. A afastei de todas as formas e me fechei para sempre. Deixei de amar o mundo e deixei que o mundo apenas me levasse em frente. Minha vida não fazia mais sentido.

A única pessoa no mundo que me conheceu por me inteiro, era a única pessoa no mundo que tinha poder de me destruir por inteiro

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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