50 Tons da Vida – Cap 33

Olha nós aqui de novo. Agora, devo passar por aqui toda segunda, sem falta, então marquem na agenda e venham me amar profundamente! 😉

Hoje não queria contar uma história feliz, ou melhor, um caso feliz. Acredito que toda a minha história é feliz porque sempre segui meu coração e fiz o que acreditava ser o certo, isso para mim é felicidade. Mas no caminho da felicidade existem espinhos e hoje acordei pensando nisso.

Ontem saí para jantar com meus pais e conversamos muito, até sobre assuntos que nunca falamos, como a minha sexualidade. O papo não foi profundo e nem revelador, mas ele foi citado, o que já é um grande avanço. Mas todo o papo e toda a situação em lembrou uma outra historia que não é tão feliz quanto este domingo em família.

Não sei se vocês lembram, mas a Donna vinha de uma família humilde que trabalhava na faculdade onde eu estudei lá nos estados unidos, o pai americano e a mãe brasileira. O irmão, vocês também já sabem né? Fofo, simpático e lindo, igual a ela. Bom, essa história é de quando estávamos namorando. Eu ainda não tinha o meu apartamento e ainda achava que teria que ir embora para o Brasil no final do ano. Nós curtíamos tudo ao máximo com medo do que pudesse acontecer. Ela dizia que ia vir me ver sempre e eu falava que voltaria o mais rápido possível. Vivíamos um conto de fadas belíssimo.

Em um belo domingo, acordamos no quarto dela do dormitório ainda com as lembranças de uma noite de amor quente banhado por bastante álcool. Tivemos uma festa dessas que sempre tínhamos e acabamos bebendo demais e tendo que ir pro quarto mais cedo. A verdade é que todo mundo sabia que estávamos juntas, mas oficialmente, ninguém podia saber, já que Donna corria o risco de perder o emprego.

Bom, acordamos, nos espreguiçamos na cama, corremos para o chuveiro e decidimos almoçar com os pais dela, na casa dela. Eu fiquei morrendo de medo. Não sabia o que eles pensavam sobre ela estar me namorando e nem como iriam me tratar, a única referencia que eu tinha era a dos meus pais super preconceituosos, fiquei nervosa, mas aceitei ir, por ela.

Passei no meu quarto e me arrumei o ‘mais hetero’ possível, o que causou uma bela gargalhada em Donna quando ela me viu de vestido. Mas eu tava fofinha e fui assim mesmo.

A casa dela era perto da faculdade e ela já tinha avisado aos pais que eu estava indo também. A mãe fez um feijão bem brasileiro com carne assada. Que delícia de comida. Eu estava morrendo de saudade de uma comidinha caseira, bem temperada com gosto de casa. Mas a verdade é que o clima não correspondia a comida.

O pai de Donna não trocou nem duas palavras comigo e a mãe só o essencial, perguntou onde eu morava e fez uma cara feia quando disse que era um bairro mais classe alta. O único que me tratava bem era o irmão dela que fazia de tudo para quebrar a tensão no ar que estava rolando. Tadinho, não conseguia. Estávamos no sofá tomando um café quando perguntei onde era o banheiro, precisava colocar para fora todo o álcool da noite anterior. Me indicaram a primeira porta à esquerda em um corredor. Entrei. Tranquei e me silenciei e pude ouvir

“Ela é uma patricinha Donna, você não deve namorar ela” “Pai, não se mete na minha vida” “Nós só queremos o seu bem filha, ela vai fazer você perder o emprego ainda por cima”

As críticas não paravam, eu pude perceber que a voz da Donna foi tomando forma de choro e comecei a me desesperar, queria sair chutando tudo e falando que eu a amava e que ia ficar tudo bem, mas não podia fazer isso. Só deixei minhas lágrimas correrem um pouco, eu ia explodir. Devo ter demorado mais do que devia no banheiro porque a Donna veio na porta perguntar se está tudo bem. Corri para a pia melhorei o que podia no meu rosto e abri a porta.

A troca de olhares foi o suficiente para ela saber que eu tinha ouvido tudo. Se ela me abraçasse ali íamos chorar ainda mais e ia ser pior, ficamos quietas. Ela falou baixinho que íamos voltar para o dormitório, me despedi dos pais dela como a educação mandava, dei um abraço apertado no irmão dela, que me devolveu cheio de carinho entendendo tudo que tinha acontecido.

Eu e Donna caminhamos de volta de mãos dadas, apertadas, como uma promessa silenciosa de que tudo ia ficar bem. Fomos direto para o quarto dela. Deitamos na cama, de barriga para cima, uma ao lado da outra, encarando o teto e com pensamentos muito altos para serem falados.

De canto de olho pude ver as lágrimas escorrendo pelo rosto dela. Foi quando me mexi e a abracei, a enchi de carinhos e beijos e a prometi que ia ficar tudo bem. Choramos juntas, nos abraçamos, nos beijamos ainda mais e quando percebemos o dia estava no fim. Ela disse para eu ir dormir no meu quarto, porque tinha certeza que a mãe iria aparecer lá mais tarde para conferir se estava tudo bem.

Ela estava certa, no dia seguinte me contou que ela e a mãe conversaram até altas horas. Eu nunca soube o que foi dito, mas sei que foi ali que meu namoro com a Donna mudou. Nos primeiros meses para melhor, éramos mais fortes, mais certas, mais apaixonadas, mas depois, foi o que fez a gente terminar também.

Mas eu ainda a amo. Acho que vou amar para sempre.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Este post tem 2 comentários

  1. Sex and Rock

    Vc e Donna ainda mantém contato?

    1. Grupo HPM

      Olá!
      Mantemos sim, as vezes! 😉

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