50 Tons da Vida – Cap 31

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Voltamos, voltamos, voltamos.
Não demorei, demorei?

Se demorei, desculpem-me, mas é que depois de viajar, tirei mini férias do trabalho e estava curtindo a semana de Rock in Rio, afinal de contas ninguém é de ferro né? Quem foi ao festival? Gostou? Viram o post que fizemos (siiiim, eu ajudei a Mari a fazer o post) sobre as nossas impressões do festival? Cliquem aqui e vejam o que achamos de tudo que rolou por lá.

Bom, mas vamos parar de blá blá blá e vamos ao que interessa, historias. Em ritmo de festival lembrei de uma boa historia. Ela aconteceu quase quando eu estava voltando para o Brasil, no meu último mês lá e envolve um pouco de tudo. Romance, lágrimas, sorrisos, sexo e beijos. Vamos?

Era uma sexta, eu estava de folga do meu trabalho e não ia a aula. Estava em uma fase meio rebelde, afinal de contas, não queria voltar para o Brasil, mas dessa vez não tinha muito jeito não, era isso ou isso. As meninas que moravam comigo no dormitório, me chamaram para um pequeno festival de bandas da faculdade. Era simples: começava sexta a noite e ia até domingo a noite com um palco só, muita bebida e muita perdição. Tudo que eu precisava para me despedir.

Na época eu estava com um caso com uma menina, o nome dela era Janina e, pasmem, era filha da Joy, a minha chefe carrasca. Inclusive, espero que ela nunca tenha descoberto que eu pegava a filha dela no estoque do café. Bom, convidei a menina para ir comigo, ela aceitou, inventou uma desculpa para a mãe e disse que ia passar o fim de semana fora. Mesmo que não ficássemos no festival, iríamos lá para casa. Tudo certo, tudo perfeito né? Quase isso.

Bom, sexta a tarde, Janina saiu do trabalho, me encontrou em casa para nos arrumarmos para o festival. Eu precisava de um banho antes de ir, e ela também. E mesmo que não precisasse, foi para o chuveiro comigo. Ela era lindinha, pequena, branquinha, olhos claros, cabelo curto e pintado de um laranja aberto, do tipo desbotado, mas que combinava com o estilo meio emo que ela mantinha. Eu acho que para irritar a mãe dela, mas nunca perguntei. Tomamos um banho quente de água gelada, se é que vocês me entendem. Nos arrumamos, eu adorava minha roupa básica: calça jeans, camiseta, blusa xadrez por cima, boné e óculos escuros. Lá fomos nós, umas 11 e pouca da noite.

As bandas eram formadas por alunos da própria faculdade e tinha todos os estilos possíveis, muitas eram boas, outras eram ruins, mas ninguém vaiava, todo mundo respeitava. Certas coisas ainda me surpreendiam nas diferenças entre o Brasil e os EUA. Eu estava cercada de amor, minhas amigas fizeram esse fim de semana como uma despedida, já que eu iria embora dali há mais ou menos umas 3 semanas. Eu ainda estava com Janina grudada em mim, ela era fofinha e tratava minhas amigas super bem.

A madrugada de sexta passou muito rápido e o sábado mostrou seus primeiros raios de sol com uma banda cover do Green Day tocando no palco e animando a galera. Pulamos e dançamos gritando em alto em bom som todas as palavras da música que já era tão conhecida por nós. Estávamos no meio de “Wake me up when September ends” e eu de mão dadas com Janina quando senti uma pessoa ao meu lado me abraçando.

Fiquei sem graça, até perceber que na verdade era a Donna. Soltei a mão da Janina, não por mal, mas por impulso, mas já era tarde. Donna estava com uma cara de quem ia matar a pobre menina e não deu outra. Donna partiu para bater na coitada da Janina que se escondeu atrás de mim. Sobrou para mim tomar um tapa na cara né? Aí eu me emputeci demais. Comecei a gritar com a Donna e falei várias merdas, xinguei ela e tudo mais. Ela entendeu o recado, não respondeu, começou a chorar e saiu correndo. Meu coração se despedaçou. Não era para eu ter falado tudo aquilo que falei, mas já tinha saído. Caiu uma lágrima dos meus olhos quando abaixei a cabeça. Janina me abraçou e sussurrou no meu ouvido que eu deveria ir encontrar com ela e pedir desculpas. Ela sempre soube que eu não estava afim de um relacionamento super sério e que tinha uma historia com Donna. Deixei ela com as minhas amigas e fui atrás da Donna. A encontrei bebendo uns 3 copos de tequila seguidos, isso não daria certo.

Depois de mais algumas lágrimas, alguns xingamentos e alguns berros nos isolamos em um canto do festival e conversamos. Ela disse que estava com saudades, disse que não suportaria me ver com outra pessoa e que achava um absurdo eu estar com aquele pingo de gente, que eu merecia muito mais. Tipo ela.

Meu coração disparava a cada declaração dela, eu não sabia o que fazer, mas o álcool que estava dentro de mim, sabia. A beijei loucamente ali mesmo. A abracei como se pudesse parar o tempo com a força do meu pensamento enquanto respirava aquele cheiro que me fazia ter vida novamente. Comecei a chorar enquanto a beijava. Ela parou, enxugou minhas lágrimas, me pegou pela mão e sem falar nada, iniciamos o caminho para o meu apartamento.

Estávamos há muito tempo sem nos falar e sem nos ver, mas parece que nada havia mudado. O sexo era encaixado, perfeito e exato. O cheiro, o beijo, o toque, era tudo a mesma coisa de antes. Perfeito como antes. E dessa vez, parece que o mundo tinha atendido meu pedido e parado o tempo.

Na primeira oportunidade mandei uma mensagem para Janina, na verdade um testamento enorme, pedindo desculpas e tal. Para minha enorme surpresa ela já tinha se arrumada com outra pessoa por lá. Fiquei até feliz por ela. Terminei meu festival na cama com Donna, mas na segunda, tudo voltou ao normal. Eu em um canto, ela no outro.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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