50 Tons da Vida – Cap 27

50 Tons da Vida – Cap 27

Olha quem voltou!! \o/
Demorei muito? Me perdoem meninas, mas não precisa mais chorar, voltei.

Bom, minha vida parecia ser um conto de fadas né? Estudando, morando sozinha, ou melhor, com a Donna e só. Pois é, mas não ia ser bem assim não. Uma das condições para eu ficar por lá era arrumar um emprego, aquele que a Donna conseguiu pra mim. Aliás, ela conseguiu o emprego e o apartamento, resumindo, só fiquei lá por causa dela, literalmente.

O emprego era em um café que funcionava dentro da faculdade e eu já tinha idade suficiente para trabalhar meio período, até porque o resto do tempo eu estudava. Meu primeiro dia foi em uma Terça de manhã. A gerente era uma senhora chamada Joy. A tradução dessa palavra é mais ou menos “alegria”, só que nada tinha a ver com a velha rabugenta que comandava aquele lugar. Além de chata, era homofobica e como toda a faculdade ja sabia do meu caso com a Donna a senhorinha já pegou no meu pé antes mesmo de me conhecer.

O primeiro dia é de treinamento para aprender a atender os fregueses e a mexer na máquina de café, que é a pior parte. A tal da Joy já chegou falando que eu tinha apenas um dia para aprender e que se não me encaixasse iria ser demitida. Fique tensa e olhei em volta, só que todos os funcionários estavam muito enrolados atendendo os alunos do turno da manhã que recorriam ao café para despertar. Enfim, respirei fundo, engoli minha vontade de chorar e prestei atenção em cada mínimo detalhe da explicação.

Na hora do teste, meu café saiu perfeito. Quase que eu mandei aquela velha chata se fuder depois de tanto me pentelhar. Logicamente ela não admitiu que meu café ficou foda, falou só que era sorte de principiante e disse que eu ainda ia errar muito. Sorri triunfante pra ela e deixei pra lá. Depois disso, vinha o teste de servir aos fregueses. Ela me observava de longe enquanto eu ia anotar os pedidos. Peguei uma mesa que tinha só uma menina, assim seria mais fácil. Por sorte a menina só quis um café. Fui até a maquina e repeti todo o processo, não ficou tão bom quanto o primeiro, mas estava bom o suficiente para servir. Coloquei na bandeja e comecei a caminhar.

Nesse momento entra o problema que me cerca até hoje. A genética. Assim como meu querido pai eu sou a pessoa mais desastrada do mundo. E não deu outra né? Quase derrubei o café da menina em cima dela. Por sorte, ele caiu só na bandeja e não chegou a molhar ela. Era o que a velha chata precisava para sair vencedora. Pedi milhões de desculpas a menina, que foi super fofa e disse que esperaria outro, voltei para máquina quase chorando e comecei a preparar o segundo. Aí a velha chega perto de mim e diz que aquela café será descontado do meu salário. É minhas queridas, mandei ela se fuder, em português para não correr o risco dela me entender. Foi libertador. Resultado: meu segundo café ficou melhor do que o primeiro e não derrubei. SOU A PICA DA MÁQUINA DE CAFÉ. Nem é tão difícil assim, mas me deixou feliz.

Dali pra frente tive dias bons e dias ruins, teve uma vez que eu derrubei um café em cima de uma professora minha, mas acho que é porque fiquei super sem graça de ter que servir um café a ela. Ela foi fofíssima e disse que não tinha problema porque tinha outra roupa no carro. Por uma intervenção divina da Nossa Senhora dos Cafeteiros a velha chata não estava nesse dia e não descontou café nenhum a mais do meu pequeno salário.

Mas o pior dia de todos, foi a primeira vez que as minhas amigas do dormitório foram lá. Ter que servir elas pareceu ser muito humilhante e eu estava mais do que nervosa, achei que elas me tratariam super mal. Fui meio que sem graça anotar os pedidos. Eram 5 cafés, mas só tinham 4 na mesa. Achei estranho e tudo mais, mas eu era só a garçonete. Fui, peguei os 5 e trouxe direitinho, sem derrubar nem nada, coloquei na mesa e antes que eu pudesse me virar para ir embora, elas me pararam e mandaram eu sentar. O 5 café, era pra mim. Ai gente, quase chorei de emoção, elas era muito lindas né? Disseram que eu estava tão sumida que só assim para elas saberem como andava a minha vida. A sra Joy não gostou nem um pouco e quando veio me chamar atenção por sentar na mesa junto com os clientes as 4 saíram em minha defesa e disseram que tinha sido um pedido delas, portanto, tinha que ser obedecido. A sra Joy só aumentava a raiva que tinha de mim.

Aquele café me ensinou muita coisa e principalmente me permitiu crescer bastante, não é fácil trabalhar e só ali dei valor a isso. E por incrível que pareça agradeço muito a sra Joy. Foi por causa dela e da enorme chatice que ela exalava que eu aprendi como ser responsável e muitas outras coisas. No final das contas, ela até ia com a minha cara sabia? E no dia que eu saí de lá, ela veio me dizer que meu café era gostoso!!!! Ganhei minha vida nesse dia!!

Na próxima vou contar para vocês uma aventura enquanto eu trabalhava lá, tenho certeza que vocês vão amar!

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