50 Tons da Vida – Cap 26

Pois é meninas, voltei. Senti que da última vez deixei vocês muito tristes com o final da primeira noite na casa nova. Aquele problema todo com a Donna e o ex dela foram muito tensos. Mas as coisas melhoraram e hoje o capítulo é bom. Prometo, tá?

Bom, como contei da última vez, estava tudo lindo até o ex da Donna aparecer e nós acabarmos brigando. Foi horrível. Quando me dei conta, estava sentada no chão do meu quarto aos prantos com a péssima visão da Donna enrolada no meu lençol, sentada na cama e chorando 3 vezes mais do que eu. Acho que foi a pior sensação do mundo. Assim que consegui me mover, me arrastei para a cama. Não queria falar nada, mas só dar um abraço na minha menina. Só queria mostrar pra ela que estava tudo bem já.

Quando estava me aproximando dela, ela estava tentando engolir as lágrimas, mas ainda escorriam outras pelo rosto dela. Como já esperava, ela não me deixou chegar muito perto. A calma foi chegando para as duas. Meu peito doía. Achei que a tinha perdido, pra sempre. Fiquei com medo. Não sabia como ela iria lidar com meu ataque louco de ciúmes. Até hoje acho que eu tinha razão, mas como dizia minha mãe. É tudo a maneira de falar. E foi aí que eu errei. Enfim, me restava rezar. Acho que nem lembrava mais o Pai Nosso, mas nesse momento acabei relembrando.

Alguns minutos depois, Donna se mexeu, fez menção em sair da cama, ainda enrolada no lençol, nem pensei duas vezes e fui atrás dela. Ela me pediu para ficar. Disse que ia tomar um banho, lavar a alma no chuveiro e que já voltava. Fiquei com medo, não sabia como agir. Achei que devia apenas abaixar a cabeça em consentimento e deixá-la ir. Fiz o que achava melhor e ela entrou no banheiro. Reparei que ela não trancou a porta.

O chuveiro foi ligado e percebi que havia um corpo nele, porque o barulho da água batendo no chão já não era tão forte. Arrumei a bagunça da nossa briga no quarto, tirei minha roupa e me arrisquei em entrar no banheiro. Nunca fui paciente e não podia esperar ela sair para saber no que ia dar. De longe vi o corpo nu que eu tanto me apaixonei debaixo do chuveiro. Ela estava de costas para a porta e abraçava a si própria como se quisesse passar a dor que estava sentindo. A água escorria pelo seu corpo moreno que eu tanto já conhecia.

Caminhei a passos lentos até o chuveiro, abri o blindex. Ela desviou o rosto do chuveiro e abriu os olhos para encontrar nos meus todo o meu arrependimento. Eu estava ali, nua de alma, despida de qualquer orgulho ou outro sentimento, senão a desculpa que eu devia a ela. Tínhamos uma conexão diferente. Ela conseguia ler meus olhos e acho que entendeu o recado que eu tinha para passar. Foi bom, nunca consegui colocar meus sentimentos confusos em palavras.

Ela me esticou a mão, a segurei, ainda do lado de fora do chuveiro e entrei conforme ela me puxava. A abracei debaixo do chuveiro e deixei mais lágrimas escorrerem pelo meu rosto, rapidamente elas se misturaram com a água do chuveiro. Donna sussurrou no meu ouvido o te amo mais especial que já ouvi. Ela fez questão de falar em português, sabia que eu gostava. A abracei ainda mais apertado e pedi desculpas, várias vezes. Até que ela me soltou, segurou meu rosto entre suas mãos e com um sorriso sincero disse:

– Minha menina. Como eu te amo…

E assim nos beijamos repetidas vezes debaixo do chuveiro, fizemos amor ali mesmo, em pé, deixando a água lavar nossas almas. Depois disso, Donna praticamente se mudou para minha casa, o que na verdade já era de se esperar. E bom, foi maravilhoso ter ela morando comigo. Mas também foi o que acabou com o nosso namoro. E um dia eu conto pra vocês melhor essa história. Não vou estragar o belo momento.

Até hoje, sempre que preciso pensar ou relaxar ou me acalmar, me enfio debaixo do chuveiro e me perco nessas águas que correm, que lavam a alma e os pensamentos ruins.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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